A Romi S.A. (ROMI3), uma das mais tradicionais empresas brasileiras no setor de máquinas e equipamentos industriais, divulgou seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26), apresentando um cenário de recuperação operacional sequencial após um primeiro trimestre mais fraco.
A companhia, reconhecida por sua atuação em máquinas-ferramenta, máquinas para plásticos e peças fundidas em ferro, atende a diversos segmentos da indústria, como automotivo, bens de consumo e agrícola.
Os resultados do 2T26 trazem um misto de otimismo cauteloso, com a administração destacando a melhora em indicadores-chave, mas ainda navegando em um ambiente macroeconômico desafiador.
Resumo dos principais indicadores
O 2T26 da Romi foi marcado por uma receita operacional líquida de R$ 334 milhões, representando um crescimento expressivo de 51% em relação ao 1T26.
O EBITDA ajustado alcançou R$ 26,8 milhões, indicando uma recuperação relevante na comparação trimestral, embora tenha registrado uma queda de 3,3% frente ao 2T25. O lucro líquido do trimestre foi de R$ 13,9 milhões, uma melhora significativa em comparação com o lucro de R$ 2,4 milhões do 1T26, mas com uma redução de aproximadamente 15% na comparação anual com o 2T25.
| Indicador Financeiro (R$ milhões) | 2T26 | 1T26 | 2T25 |
| Receita Operacional Líquida | 334 | 221 | N/D |
| EBITDA Ajustado | 26,8 | N/D | 27,7 |
| Lucro Líquido | 13,9 | 2,4 | 16,3 |
Nota: N/D = Não Disponível no documento fornecido para 1T26 e 2T25, exceto onde explicitamente mencionado.
Esses números refletem uma recuperação nas vendas de máquinas e locações, que impulsionaram a receita e a rentabilidade em relação ao trimestre anterior. Contudo, as margens ainda permanecem sob pressão no comparativo anual, evidenciando a persistência de desafios no cenário industrial.
Pontos positivos dos resultados
- Recuperação operacional sequencial: a Romi demonstrou uma notável recuperação em seus resultados operacionais no 2T26, especialmente em comparação com o 1T26. O crescimento de 51% na receita operacional líquida e a melhora substancial no EBITDA e lucro líquido indicam que a empresa conseguiu reverter a tendência de desaceleração observada no início do ano;
- Carteira de pedidos robusta: a administração da Romi tem consistentemente destacado a elevada carteira de pedidos como um dos principais vetores de visibilidade de receita futura. Com uma carteira acima de R$ 800 milhões, a empresa possui uma base sólida para sustentar suas operações e receitas nos próximos trimestres, mesmo em um ambiente de demanda mais volátil;
- Foco em gestão e inovação: a companhia reforça seu foco em gestão eficiente de recursos, inovação de produtos e desenvolvimento de equipe. Essa estratégia visa sustentar margens e geração de valor de forma consistente, mesmo diante de ciclos industriais mais fracos e juros altos, que afetam as decisões de investimento dos clientes;
- Dividend yield atrativo: a Romi apresenta um dividend yield de 6,87%, acima da mediana do setor, o que pode atrair investidores em busca de retornos consistentes, apesar da volatilidade do papel.
Pontos de atenção dos resultados
- Pressão nas margens: apesar da recuperação sequencial, as margens da Romi ainda enfrentam pressão no comparativo anual. A margem bruta, margem EBIT recorrente e margem líquida apresentaram quedas em relação a anos anteriores, indicando que os custos e despesas continuam a impactar a rentabilidade;
- Alavancagem e endividamento elevados: a Romi é caracterizada por uma alavancagem mais elevada, com a dívida líquida/EBITDA ajustado em 4,44x no 2T26. Em um ambiente de juros altos, essa alavancagem reduz a flexibilidade financeira da empresa e aumenta o risco financeiro;
- Rentabilidade abaixo da mediana do setor: o Retorno sobre o Capital Próprio (ROE) da Romi, em 6,0% no 2T26, permanece abaixo da mediana do setor. Isso sugere que a empresa ainda precisa melhorar sua eficiência na geração de lucro a partir do capital dos acionistas;
- Dependência do ciclo industrial: o principal risco da Romi é sua forte dependência do ciclo industrial, que gera alta volatilidade de receita e lucro. Fatores como juros altos, inflação e instabilidade política global continuam a afetar as decisões de investimento dos clientes, tornando o cenário desafiador para 2026.
Tese de investimento em Romi e principais riscos
A Romi é frequentemente vista como um case de value em turnaround. A tese de investimento se baseia na expectativa de que a recuperação operacional observada no 2T26 seja duradoura e suficiente para elevar o ROE e reduzir o prêmio de risco embutido no P/VPA (0,46x no 2T26, bem abaixo do setor) e na alavancagem. O valuation descontado, combinado com um dividend yield acima da média, pode atrair investidores com maior tolerância ao risco e um horizonte de investimento de longo prazo.
Os pilares da tese incluem o foco no cliente e qualidade, inovação em bens de capital, governança e compliance robustos, e uma agenda ESG ativa. No entanto, os principais riscos são a dependência do ciclo industrial, a alavancagem elevada em um ambiente de juros altos, riscos de mercado (câmbio e taxas de juros) e riscos operacionais e de compliance. O setor de máquinas e equipamentos no Brasil iniciou 2026 em desaceleração, com desafios em crédito e competitividade, o que adiciona uma camada de complexidade ao cenário da Romi.
O que esperar para o 3T26
Para o 3T26, a expectativa é de que a Romi continue a mostrar sinais de recuperação operacional, impulsionada pela sua robusta carteira de pedidos e pelo foco da gestão em eficiência. No entanto, o ambiente macroeconômico ainda será um fator determinante. As taxas de juros elevadas e a cautela dos investidores em relação a novos investimentos em bens de capital podem continuar a pressionar a demanda e as margens.
Será crucial observar a evolução da receita operacional líquida e a capacidade da empresa de converter sua carteira de pedidos em vendas efetivas. A gestão de custos e a evolução das margens também serão indicadores importantes para avaliar a sustentabilidade da recuperação.
Além disso, a Romi aprovou JCP de R$ 0,06 por ação em junho de 2026, com pagamento previsto até o fim de 2027, o que reforça o retorno ao acionista e pode ser um ponto de atenção para investidores.
Conclusão: recuperação em vista, mas com desafios
Os resultados da Romi no 2T26 indicam uma recuperação sequencial encorajadora, com crescimento de receita e melhora nos lucros em relação ao trimestre anterior. A robusta carteira de pedidos e o foco da gestão em eficiência e inovação são pontos positivos que sustentam a tese de um turnaround.
Contudo, é fundamental que os investidores monitorem de perto a pressão nas margens, a alavancagem financeira e a dependência do ciclo industrial, que continuam sendo os principais desafios da companhia. A capacidade da Romi de traduzir a recuperação operacional em uma melhora consistente do ROE e na redução do prêmio de risco será determinante para a valorização de suas ações no longo prazo.
O 3T26 será um termômetro importante para confirmar a sustentabilidade dessa trajetória de recuperação em um cenário macroeconômico ainda incerto.