Guardar dinheiro na caixinha até traz um bom rendimento dentro das possibilidades da renda fixa, mas resgatar antes da hora certa pode fazer o IOF comer boa parte do lucro. Por isso, para tomar decisões mais conscientes e não se surpreender com um saldo menor do que havia imaginado, é bem importante entender o que é esse imposto e como ele incide sobre seus investimentos.
Afinal, o IOF é um imposto silencioso: ele não aparece como uma cobrança separada, mas age direto sobre o rendimento e desaparece completamente depois de 30 dias. Para quem usa a caixinha como reserva de giro ou guarda dinheiro para um objetivo de curto prazo, saber exatamente quanto vai perder em cada dia faz diferença real.
A nossa Calculadora de IOF da Caixinha faz esse cálculo automaticamente para você – de graça, em segundos, mostrando o rendimento líquido já com IOF e IR descontados para qualquer combinação de valor, CDI e dia de resgate.
A calculadora tem três campos:
Com essas informações, ela calcula o IOF exato para o período, desconta o IR em seguida e mostra quanto você vai receber líquido – além de comparar o resultado com e sem IOF.
Entenda melhor por que cada campo importa:
Com os três campos preenchidos, a calculadora exibe o rendimento bruto do período, o IOF cobrado, o IR cobrado sobre o que sobrou, o rendimento líquido final e o valor total resgatado.
Além disso, ela compara o resultado com o de caixinhas sem IOF – como as do Inter, do PicPay e do Mercado Pago – para mostrar exatamente quanto a tributação custou naquele cenário.
O IOF da caixinha é um imposto regressivo que incide sobre o rendimento nos primeiros 30 dias após cada depósito. No primeiro dia, ele consome 96% do lucro. A cada dia que passa, essa alíquota cai progressivamente. No trigésimo dia completo, chega a zero, e a partir daí o dinheiro rende sem IOF.
O ponto que muita gente não percebe é que cada depósito tem o seu próprio cronograma de IOF. Se você depositou R$ 500 em janeiro e mais R$ 300 em fevereiro, os R$ 300 entram com o contador zerado – como se fossem uma aplicação nova, independentemente de quanto tempo os R$ 500 já têm.
Então, se você resgatar tudo em março, os R$ 500 já não pagam IOF (mais de 30 dias), mas os R$ 300 ainda podem sofrer a cobrança, dependendo de quantos dias se passaram desde o segundo depósito.
Esse funcionamento por depósito individual é importante de ser entendido se você usa a caixinha com aportes frequentes. Então, não se esqueça: o saldo total pode parecer antigo, mas a camada mais recente sempre começa do zero.
A alíquota do IOF começa em 96% do rendimento no primeiro dia e cai progressivamente até 3% no 29º dia. No 30º dia, zera completamente. Observe as alíquotas na tabela abaixo:
| Dia do resgate | Alíquota IOF |
| Dia 1 | 96% |
| Dia 5 | 80% |
| Dia 10 | 63% |
| Dia 15 | 50% |
| Dia 20 | 33% |
| Dia 25 | 17% |
| Dia 29 | 3% |
| Dia 30+ | 0% |
Para ter o valor exato para qualquer dia específico, inclusive com o IR já calculado em cima, nossa dica é que use a nossa calculadora sempre que precisar.
O IOF é cobrado automaticamente no momento do resgate. O banco desconta o imposto direto do rendimento antes de creditar o valor na sua conta. Em alguns apps, o IOF já fica provisionado desde o depósito, o que faz o saldo exibido parecer levemente menor do que o valor depositado nos primeiros dias. Isso é normal e não significa que você perdeu o principal.
Além disso, esteja ciente de que a experiência varia de banco para banco. No Nubank, por exemplo, o rendimento esperado aparece no extrato, mas o saldo líquido considera o IOF provisionado – então, quem deposita hoje e olha o saldo amanhã pode ter a impressão de que “perdeu dinheiro”. O fato é que não perdeu: o saldo está mostrando o valor já com o imposto descontado sobre o rendimento gerado até ali. Isso é uma característica de transparência do app, não um problema.
Em outros bancos, o IOF só aparece no extrato de saída, no momento do resgate. De qualquer forma, o efeito financeiro é o mesmo: o imposto sai automaticamente do rendimento, sem qualquer ação do usuário.
Só sobre o rendimento. Ou seja, o IOF nunca incide sobre o valor que você depositou, apenas sobre o lucro gerado no período. Se você depositou R$ 100, seu saldo nunca ficará abaixo de R$ 100 por causa de impostos.
Esse é um dos pontos que mais gera confusão em quem está começando a investir. A tributação da caixinha – tanto o IOF quanto o IR – funciona sobre o que o dinheiro rendeu, não sobre o que entrou.
Então, se você depositar R$ 1.000 e resgatar no dia 1 com rendimento bruto de R$ 0,40, o IOF de 96% vai incidir sobre esses R$ 0,40 – não sobre os R$ 1.000. O pior cenário possível é você resgatar logo no primeiro dia e receber de volta praticamente só o que depositou, sem quase nenhum rendimento. Mas o principal ainda estará intacto, não se preocupe.
A resposta é: 30 dias completos. Quem tiver paciência de esperar um mês inteiro após o depósito escapa do IOF completamente, e o rendimento passa a ser tributado apenas pelo Imposto de Renda, que também diminui com o tempo, embora nunca seja zerado.
A partir do 30º dia, o IOF, sim, some da equação e o único imposto que incide é o IR, segundo a tabela regressiva do Imposto de Renda para renda fixa:
Veja só: além de escapar do IOF, quem mantiver o dinheiro por mais tempo vai pagando cada vez menos IR sobre o lucro.
Para quem usa a caixinha com dinheiro que não vai precisar no curto prazo, como parte de uma reserva de emergência para imprevistos menos urgentes ou uma poupança com objetivo de médio prazo, esperar os 30 dias é a estratégia mais simples e eficiente.
Nos primeiros 30 dias, ambos os impostos incidem sobre o rendimento – mas não de forma paralela. O IOF é calculado primeiro, reduzindo o rendimento tributável. Já o IR é calculado depois, sobre o que sobrou após o desconto do IOF. Ou seja, você não paga os dois sobre o mesmo valor.
A ordem importa para o cálculo, aliás. Olha só: suponha que você depositou R$ 1.000 e, no dia 10, o rendimento bruto é R$ 0,40. O IOF de 63% incide sobre esse R$ 0,40, consumindo R$ 0,25. Sobram R$ 0,15 de rendimento.
Agora o IR de 22,5% (para resgates em até 180 dias) incide sobre esses R$ 0,15 – e não sobre os R$ 0,40 originais. O resultado final é que os dois impostos, juntos, podem consumir a maior parte do rendimento nos primeiros dias, o que explica bastante bem por que resgatar cedo é tão ineficiente do ponto de vista tributário.
Então, para evitar surpresas, prefira sempre recorrer à nossa Calculadora de IOF da Caixinha antes de fazer uma retirada.