Talvez você já tenha se deparado com alguma dúvida sobre quais rumos deveria tomar na sua vida.
Por exemplo, será que devo continuar em um emprego seguro, previsível e confortável para arriscar em algo novo com grande potencial?
Eu mesmo vivi isso quando deixei a Anbima para trabalhar na Spiti, empresa que depois se juntou à Finclass, local que amo trabalhar, sou sócio atualmente e estou até hoje.
Passei 13 anos na Anbima, me formei como profissional, conheci pessoas incríveis e fiz amigos que carrego para a vida. Porém, entretanto, todavia…
Dadas as pretensões que eu tinha para a minha carreira e a vontade de experimentar novos ambientes, tive que tomar uma decisão difícil: sair de um lugar onde estava estabilizado e tinha a confiança de todos.
Não é fácil. Seus amigos e familiares vão te alertar dos riscos, você vai sentir medo e possivelmente terá alguns julgamentos, mas há momentos na vida em que precisamos fazer o que tem que ser feito.
Eu costumo brincar com pessoas mais próximas que por vezes vale a pena arriscar para conhecer o extraordinário, então fiz jus às minhas palavras.
Se minha antiga empresa fosse ruim, não me oferecesse oportunidades de crescimento nem perspectivas de futuro, a escolha seria mais óbvia. Mas não era esse o meu caso, e talvez seja justamente aí que está o ponto mais interessante da analogia.
No mercado de fundos, o investidor pode enfrentar um dilema parecido. A analogia funciona porque o conforto muitas vezes é o maior inimigo das boas decisões, tanto na carreira quanto nos investimentos.
Um fundo às vezes pode ter certa estabilidade nas oscilações, mas não entregar o que prometeu quando você entrou, sem contar aqueles casos em que as perdas são de fato relevantes.
Para tomar uma decisão correta sobre se manter investido num fundo ou resgatá-lo, é necessário analisar uma série de fatores. Em linhas gerais, existem sinais que pedem atenção redobrada e que podem indicar que é hora de rever a posição.
Uma mudança relevante na equipe de gestão, especialmente a saída de pessoas-chave que eram o principal motivo da sua alocação, é um dos mais importantes.
Perda de consistência de performance em janelas longas, e não apenas em um período mais curto ruim, também merece análise cuidadosa.
Desvio de mandato, quando o fundo começa a operar de forma diferente do que foi proposto originalmente, é outro sinal de alerta.
Deterioração dos processos internos da gestora, que muitas vezes só aparece após conversas com o time ou leitura atenta das cartas de gestão, pode ser um indicativo silencioso, mas muito relevante também.
Há uma diferença crucial entre sair na hora certa e sair por impulso.
Assim como quem pede demissão nas primeiras dificuldades pode se arrepender, o investidor que resgata um fundo após um período adverso pode estar cometendo um grande erro.
A decisão precisa ser baseada em tendência e perspectiva de futuro, não em episódios pontuais. Uma boa análise observa o que mudou na estrutura, não apenas para o resultado do período.
O risco de ficar em um investimento simplesmente por inércia é real e costuma ser subestimado. É extremamente comum ouvir investidores dizendo que não querem sair no prejuízo do fundo X ou Y, e isso pode ser uma forma bem equivocada de pensar.
Uma pergunta mais útil seria: “Se eu tivesse que montar minha carteira de fundos hoje do zero, eu compraria este fundo?” Se a resposta for não, você já tem sua resposta.
No final, o que separa uma saída coerente de uma saída precipitada é exatamente a clareza de diagnóstico, paciência para esperar a evidência e coragem para agir quando os sinais são inequívocos.
Um grande abraço e bons investimentos.
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