ago, 2026 Colunistas

O INSS não será suficiente e você deveria saber disso

Rodrigo Xavier

No alto dos meus quase 38 anos, já observei a reta final da vida de muitas pessoas, sejam parentes próximos, amigos ou conhecidos.

Um cenário que costumo ver com mais frequência são os cuidados que muitos idosos recebem de suas famílias, tanto no zelo pelas questões do cotidiano e afetivas quanto no apoio financeiro.

Ao mesmo tempo, também já vi situações de pessoas com menor apoio familiar e financeiro, os quais têm um desfecho de vida bastante prejudicado, precisando trabalhar até idades muito avançadas e por vezes até encurtando a vida pela falta de condições mais dignas, justamente no momento em que mais precisariam.

Mediante esse contexto triste de se ver, resolvi trazer uma importante reflexão no texto de hoje.

Recentemente, uma pesquisa da Anbima com 5.832 entrevistados nas cinco regiões do país, revelou que 93% das pessoas já aposentadas dizem que o dinheiro utilizado para o seu sustento vem do INSS.

Além disso, 60% dos brasileiros ainda não aposentados dizem esperar se manter na velhice exclusivamente com o benefício da Previdência Social, três pontos percentuais acima da pesquisa do ano passado.

Ocorre que muita gente não reflete sobre o quanto efetivamente receberia e se isso seria suficiente.

Em junho de 2026, dos 42,1 milhões de beneficiários, 69,1% receberam um salário mínimo, atualmente em R$ 1.621. A média nacional, segundo levantamento do INSS, está em R$ 2.124,72.

O grupo que recebe o teto previdenciário de R$ 8.475,55 representa menos de 0,04% dos beneficiários. Acontece que muitas pessoas que recebem esse valor estiveram em condições razoavelmente superiores durante sua vida laboral, o que pode significar uma queda significativa no padrão de vida também.

Outro fator a se observar é que na terceira idade as despesas com saúde tendem a compor uma parte cada vez mais significativa do consumo dos idosos, e justamente nessa área a inflação vem sendo crescente na comparação com outros itens.

Estudos de longevidade indicam que os custos de saúde para pessoas acima de 75 anos podem ser até cinco vezes superiores aos de um adulto jovem.

Como mencionei no início, é cada vez mais comum encontrar idosos que dependem financeiramente dos filhos ou netos para cobrir despesas básicas, médicos e até alimentação. Não por falta de trabalho ou de contribuição ao longo da vida, mas por falta de planejamento e pelo excesso de confiança numa previdência pública que, por sua própria estrutura, nunca foi desenhada para manter padrões de vida elevados.

Há ainda o risco das mudanças nas regras. Dado que a estrutura atual da previdência social prevê o pagamento das aposentadorias pela arrecadação de quem está na ativa, temos um problema aí: com o envelhecimento da população, a queda na taxa de natalidade e o aumento na expectativa de vida, é de se esperar que o cenário fique cada vez mais complexo e ainda traga mudanças.

Sem contar a forma como as contas públicas historicamente sempre foram tratadas no Brasil. Logo, na minha humilde opinião, a tendência dos valores pagos aos aposentados é piorar, infelizmente.

Essa instabilidade estrutural é um fator de risco concreto que os planejadores financeiros mais sérios levam em conta ao orientar seus clientes. Apostar o futuro num sistema que pode mudar as regras do jogo a qualquer momento é um risco que poucos conseguem absorver.

A boa notícia é que existem caminhos possíveis para quem decide agir antes que seja tarde.

A construção de uma reserva complementar ao longo da vida ativa, investindo em ativos que protejam contra a inflação e gerem renda passiva no futuro, é a resposta mais eficaz a esse problema.

Produtos financeiros como PGBL, VGBL, ações, fundos de investimento, fundos imobiliários e títulos públicos são instrumentos que, combinados de forma inteligente em uma carteira de investimentos, permitem construir um colchão financeiro capaz de sustentar o padrão de vida que o INSS jamais vai garantir.

A previdência privada, curiosamente, foi citada por apenas 5% dos respondentes como fonte de renda esperada na aposentadoria na pesquisa da Anbima, o que revela o tamanho do descompasso entre a consciência do problema e a disposição de agir.

Saber que o INSS não será suficiente e continuar sem fazer nada a respeito é um dos erros financeiros mais comuns e mais custosos que uma pessoa pode cometer ao longo da vida.

O tempo é o recurso mais valioso no planejamento da aposentadoria. Quem começa cedo tem o juro composto como aliado. Quem deixa para depois pode pagar um preço muito alto por este “descuido”.

A conta vai fechar, mas a pergunta que cada um precisa se fazer é:

Vai fechar do jeito que você quer, ou do jeito que a realidade se impor?

Um grande abraço e bons investimentos

*Este conteúdo foi produzido de forma independente por seu autor e publicado sem qualquer alteração pelo site.

Especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass e analista CNPI. É bacharel em Economia com pós-graduação em Mercados Financeiros, com passagens profissionais pela CDHU e Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos.