jul, 2026 Investimentos

Agências de rating: o que são e como impactam investimentos

Thiago Koguchi

Você já deve ter ouvido falar que uma empresa ou até um país teve sua nota de crédito elevada ou rebaixada por uma agência especializada. Essas avaliações costumam ganhar destaque nas notícias porque podem influenciar investimentos, empréstimos e até a confiança do mercado.

É justamente este o papel das agências de rating: analisar a capacidade de uma empresa, instituição financeira ou governo de cumprir seus compromissos financeiros. Elas ajudam você a entender qual é o risco de emprestar dinheiro ou investir em determinado emissor.

Essas classificações são usadas por pessoas do mundo todo como uma ferramenta de apoio na tomada de decisão. Embora não sejam uma garantia de que um investimento será bom ou ruim, elas oferecem um parâmetro importante para comparar diferentes opções e avaliar o nível de risco envolvido.

Neste artigo, você vai entender o que são as agências de rating, como elas funcionam, quais são as principais empresas do setor e de que forma suas notas podem impactar seus investimentos. Também verá como utilizar essas informações para montar uma carteira mais segura e alinhada aos seus objetivos.

O que faz uma agência de rating?

As agências de rating são empresas especializadas em avaliar o risco de crédito de quem emite uma dívida. Isso inclui empresas, bancos, governos e outras instituições que captam recursos no mercado por meio de títulos ou empréstimos.

Elas analisam a probabilidade de esse emissor pagar suas obrigações financeiras dentro do prazo combinado. Quanto maior a capacidade de pagamento, melhor será a classificação atribuída. Já quando o risco de inadimplência é considerado mais elevado, a nota tende a ser mais baixa.

Para chegar a essa avaliação, as agências estudam diversos fatores, como a situação financeira da empresa ou do governo, o nível de endividamento, a geração de caixa, o histórico de pagamentos, o cenário econômico e as perspectivas para o futuro. O objetivo é formar uma visão independente sobre o risco de crédito do emissor.

Imagine duas empresas que desejam emitir títulos para captar dinheiro: a primeira apresenta contas equilibradas, lucros consistentes e baixo endividamento; a segunda acumula prejuízos e enfrenta dificuldades financeiras. Em geral, a primeira tende a receber uma classificação melhor, indicando menor risco para quem investir em seus títulos.

É importante destacar que o rating não é uma recomendação de compra ou venda de um investimento. Ele também não garante que um emissor nunca deixará de pagar suas dívidas. A classificação funciona como uma referência que ajuda a comparar diferentes emissores e tomar decisões com mais informação sobre o risco envolvido.

Qual a diferença entre rating, scoring e análise de crédito?

Embora os termos rating, scoring e análise de crédito estejam relacionados à avaliação de risco, eles têm significados diferentes e são usados em situações distintas.

O rating é uma classificação de risco de crédito atribuída a empresas, bancos, governos e outros emissores de dívida. Seu objetivo é indicar a capacidade que essas instituições têm de cumprir seus compromissos financeiros. Essa nota é utilizada para avaliar o risco antes de aplicar recursos em títulos de renda fixa, por exemplo.

Já o scoring é voltado para pessoas físicas. Trata-se de uma pontuação que estima a probabilidade de um consumidor pagar suas contas em dia. Bancos, financeiras e lojas costumam utilizar esse indicador ao analisar pedidos de empréstimos, financiamentos e cartões de crédito.

A análise de crédito é o processo mais amplo de avaliação realizado antes da concessão de crédito ou da realização de um investimento. Ela reúne diversas informações, como renda, patrimônio, histórico de pagamentos, nível de endividamento e capacidade financeira. Dependendo do caso, essa análise pode considerar tanto o scoring quanto o rating, além de outros dados relevantes.

Como funciona a escala de notas das agências de rating?

As agências de rating utilizam escalas de notas para indicar o risco de crédito de empresas, bancos, governos e outros emissores de dívida. De forma simples, essas notas mostram qual é a probabilidade de o emissor cumprir seus compromissos financeiros, como o pagamento de juros e do valor principal de um título.

Em geral, quanto melhor a nota, menor é o risco de inadimplência. Por outro lado, notas mais baixas indicam que existe uma chance maior de o emissor enfrentar dificuldades para honrar suas obrigações. Isso não significa que um calote acontecerá, mas sim que o risco é considerado mais elevado.

Embora cada agência utilize uma nomenclatura própria, as classificações seguem uma lógica parecida. As notas mais altas representam emissores com maior capacidade de pagamento, enquanto as mais baixas refletem um risco crescente.

Grau de investimento

O grau de investimento reúne as classificações mais altas da escala. Empresas e governos que recebem esse tipo de nota são considerados mais sólidos financeiramente e apresentam menor risco de inadimplência, de acordo com a avaliação da agência.

Isso costuma aumentar a confiança e facilitar o acesso ao crédito. Em muitos casos, emissores com grau de investimento conseguem captar recursos pagando taxas de juros menores, justamente porque o risco percebido pelo mercado é mais baixo.

Grau especulativo

O grau especulativo engloba os emissores que apresentam um risco de crédito mais elevado. Isso não significa que eles deixarão de pagar suas dívidas, mas indica que sua situação financeira ou o ambiente em que atuam pode torná-los mais vulneráveis a dificuldades econômicas.

Por oferecerem um risco maior, os títulos classificados como grau especulativo normalmente precisam oferecer uma rentabilidade mais alta para atrair investidores.

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Quais são as principais empresas de rating?

Embora existam diversas empresas que atuam nesse segmento, algumas possuem reconhecimento internacional e exercem grande influência sobre o mercado financeiro. As principais são:

Standard & Poor’s

A Standard & Poor’s é uma das agências de rating mais conhecidas do mundo. Suas avaliações são utilizadas por investidores globais para medir a capacidade de pagamento de empresas, instituições financeiras e países.

Além de classificar títulos de dívida, a Standard & Poor’s acompanha constantemente a situação financeira dos emissores e pode revisar suas notas quando identifica mudanças relevantes no cenário econômico ou na saúde financeira da instituição avaliada.

Sua escala de rating segue o seguinte formato: 

Rating (nota) Grau Descrição
AAA Investimento Capacidade extremamente forte de honrar compromissos financeiros.
AA Investimento Capacidade muito forte de honrar compromissos financeiros.
A Investimento Forte capacidade de honrar compromissos financeiros, mas ligeiramente suscetível às condições econômicas e às mudanças nas circunstâncias.
BBB Investimento Capacidade adequada de honrar compromissos financeiros, porém mais suscetível a condições econômicas adversas.
BB Especulativo Menos vulnerável no curto prazo, porém enfrenta incertezas contínuas relativas às condições de negócio, financeiras e econômicas adversas.
B Especulativo Mais vulnerável a condições adversas de negócio, financeiras e econômicas, porém atualmente apresenta capacidade de honrar compromissos financeiros.
CCC Especulativo Atualmente vulnerável e dependente de condições de negócio, financeiras e econômicas favoráveis para honrar compromissos financeiros.
CC Especulativo Altamente vulnerável; o default ainda não ocorreu, mas espera-se que sua ocorrência seja certa.
C Especulativo Atualmente altamente vulnerável à inadimplência, espera-se que uma recuperação final seja menor que aquela prevista no caso de obrigações com ratings mais elevados.
D Especulativo Default no pagamento de um compromisso financeiro ou quebra de uma promessa imputada; também utilizado quando um pedido de falência foi registrado.

Moody’s Ratings

A Moody’s Ratings também está entre as maiores agências de classificação de risco do mundo. Suas análises abrangem empresas de diferentes setores, bancos, governos nacionais, estados e municípios.

Suas notas são utilizadas por investidores institucionais e servem como uma importante referência para avaliar o risco de crédito antes da compra de títulos ou da realização de novos financiamentos.

Sua escala de notas de rating é parecida com a Standard & Poor’s:

Rating (nota) Grau Descrição
AAA Investimento Mais alta qualidade de crédito
AA Investimento Qualidade de crédito muito alta
A Investimento Qualidade de crédito alta
BBB Investimento Boa qualidade de crédito
BB Especulativo Especulativo
B Especulativo Altamente especulativo
CCC Especulativo Risco de crédito substancial
CC Especulativo Risco de crédito muito alto
C Especulativo Risco de crédito próximo à inadimplência
D Especulativo Inadimplência

Fitch Ratings

A Fitch Ratings é outra agência de grande relevância no mercado internacional e possui forte atuação no Brasil. Assim como as demais, ela avalia a capacidade de pagamento de empresas, bancos e governos, atribuindo notas que refletem o risco de crédito de cada emissor.

Suas classificações ajudam investidores a comparar diferentes oportunidades de investimento e são acompanhadas por participantes do mercado em diversos países.

Sua escala de rating segue o seguinte formato: 

Rating (nota) Grau Descrição
Aaa Investimento Mais alta qualidade, sujeitas ao nível mais baixo de risco de crédito.
Aa Investimento Alta qualidade e estão sujeitas a um risco de crédito muito baixo.
A Investimento Grau superior médio e estão sujeitas a baixo risco de crédito.
Baa Investimento Médio grau e estão sujeitas ao risco de crédito moderado e, por isso, podem apresentar certas características especulativas.
Ba Especulativo Especulativas e estão sujeitas a substancial risco de crédito.
B Especulativo Especulativas e estão sujeitas a elevado risco de crédito.
Caa Especulativo Especulativas com baixo posicionamento e estão sujeitas a risco de crédito muito elevado.
Ca Especulativo Especulativas e estão em default ou muito próximo a ele, com alguma perspectiva de recuperação de principal e juros.
C Especulativo A mais baixa classificação e normalmente em default, apresentam poucas perspectivas de recuperação do principal ou juros.

Qual a importância da nota das agências de rating do Brasil?

As notas atribuídas pelas agências de rating têm um papel importante no mercado financeiro brasileiro. Elas ajudam investidores, bancos e outras instituições a avaliar o risco de crédito de empresas nacionais e do próprio governo, servindo como uma referência para decisões de investimento e concessão de crédito.

Quando uma empresa brasileira recebe uma boa classificação, o mercado entende que ela possui maior capacidade de honrar seus compromissos financeiros. Isso costuma facilitar a emissão de títulos de dívida e pode reduzir o custo para captar recursos, já que investidores tendem a exigir juros menores de emissores considerados mais seguros.

Além das empresas, as agências também avaliam o risco soberano, que corresponde à capacidade de um país cumprir suas obrigações financeiras. Essa nota leva em consideração fatores como a situação das contas públicas, o nível de endividamento, o crescimento da economia, a estabilidade política e as perspectivas para os próximos anos.

A classificação de risco do Brasil influencia diretamente a percepção de investidores estrangeiros. Um país com uma avaliação mais elevada costuma transmitir maior confiança, o que pode favorecer a entrada de capital internacional e ampliar o interesse por títulos públicos, ações e outros ativos brasileiros.

Por outro lado, quando a nota do país é rebaixada, o mercado tende a enxergar um aumento no risco. Nesse cenário, investidores podem exigir retornos maiores para aplicar recursos no Brasil, elevando o custo de captação tanto para o governo quanto para empresas que dependem do mercado financeiro para obter financiamento.

Como as notas de rating impactam os investimentos?

As notas de rating influenciam diretamente a forma como o mercado enxerga um investimento. Quando um emissor recebe uma classificação elevada, os investidores tendem a perceber um risco menor de inadimplência. Já uma nota mais baixa indica um risco maior, o que pode alterar tanto o preço dos títulos quanto a rentabilidade exigida pelo mercado.

Isso acontece porque risco e retorno costumam caminhar juntos. Se uma empresa é considerada muito sólida financeiramente, ela normalmente consegue captar recursos pagando juros menores. Por outro lado, empresas com classificações mais baixas precisam oferecer uma remuneração maior para compensar o risco.

Imagine que uma empresa emita um título pagando 10% ao ano. Se sua nota de rating for rebaixada, o mercado pode entender que o risco aumentou. Nesse caso, novos investidores podem passar a exigir uma rentabilidade de 12% ou 13% ao ano para comprar títulos desta empresa. Como consequência, os títulos antigos tendem a perder valor no mercado secundário.

O mesmo pode acontecer com títulos públicos. Quando a classificação de risco de um país é reduzida, investidores podem exigir juros mais altos para continuar financiando o governo. Isso aumenta o custo de captação e pode influenciar diversos ativos da economia, como títulos públicos, títulos privados e até o mercado de ações.

Como usar o rating para montar uma carteira de investimentos segura?

O rating é uma ferramenta útil para selecionar investimentos, principalmente na renda fixa. Como ele indica o risco de crédito do emissor, ajuda você a comparar diferentes opções e entender qual é a probabilidade de receber os pagamentos conforme o previsto.

No entanto, a nota de rating não deve ser o único critério na hora de investir. Um título com excelente classificação pode não ser a melhor escolha se tiver um prazo muito longo para os seus objetivos ou oferecer uma rentabilidade pouco atrativa em relação a outras alternativas do mercado.

Por isso, o ideal é analisar o investimento de forma completa. Além do rating, vale considerar fatores como a liquidez, que é a facilidade de transformar o investimento em dinheiro; o prazo de vencimento, que deve estar alinhado às suas necessidades; e a rentabilidade, avaliando se o retorno compensa o risco assumido.

A diversificação também é uma aliada importante. Em vez de concentrar todo o patrimônio em um único emissor, é mais prudente distribuir os recursos entre diferentes empresas, setores e tipos de investimento. Dessa forma, caso um ativo apresente problemas, o impacto sobre a carteira tende a ser menor.

Por exemplo, você pode optar por combinar títulos públicos, que costumam apresentar baixo risco de crédito, com títulos privados emitidos por empresas bem avaliadas pelas agências de rating. Essa estratégia permite buscar um equilíbrio entre segurança e potencial de retorno, sem depender exclusivamente de um único investimento.

Para finalizar…

As agências de rating desempenham um papel importante no mercado financeiro ao oferecer avaliações independentes sobre o risco de crédito de empresas, bancos e governos. Embora suas classificações não eliminem os riscos de um investimento, elas ajudam a reduzir a assimetria de informação, permitindo que você tome decisões com uma visão mais clara sobre a capacidade de pagamento dos emissores.

Ao longo deste artigo, você viu o que são as agências de rating, como funciona sua escala de notas e de que forma essas avaliações podem impactar investimentos e o custo de captação de empresas e países. Também entendeu que o rating deve ser utilizado como um dos critérios de análise, sempre em conjunto com fatores como rentabilidade, liquidez, prazo e diversificação da carteira.

Se você deseja investir com mais segurança, vale a pena incluir a análise do rating na sua rotina antes de aplicar em títulos de renda fixa ou outros ativos de crédito. 

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Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br