abr, 2026 Internacional

ADRs: saiba o que são, como funcionam e como investir

Thiago Koguchi

Investir fora do Brasil já deixou de ser algo distante. Hoje, muitos investidores buscam formas simples de acessar empresas globais – e é aí que entram os ADRs.

Os ADRs (American Depositary Receipts) são uma das maneiras mais usadas para investir em empresas estrangeiras por meio das Bolsas dos Estados Unidos. Na prática, eles permitem que ações de companhias de outros países sejam negociadas em dólar, como se fossem ativos locais.

Isso abre espaço para diversificação internacional, acesso a grandes empresas e exposição a outras economias, tudo dentro de um mercado mais consolidado.

Porém, apesar de parecer simples, muita gente ainda tem dúvidas sobre como os ADRs funcionam, quais são seus tipos e se realmente vale a pena investir neles.

Neste guia, você vai entender de forma direta:

  • O que são ADRs?
  • Como funcionam os ADRs?
  • Quais são os tipos de ADRs
  • Quais são as vantagens de investir em ADRs?
  • Como investir em ADRs?
  • Quais são os riscos de investir em ADRs?
  • Como os dividendos são pagos em ADRs?
  • O que são ADRs brasileiros?
  • Quais são as diferenças entre ADRs e BDRs?
  • Vale a pena investir em ADRs?

O que são ADRs?

Sigla para “American Depositary Receipt” ou “Recibo de Depósitos Americano”, em tradução literal, os ADRs são títulos representativos de empresas estrangeiras negociados em dólar nas Bolsas de Valores e no mercado de balcão dos Estados Unidos. Não são, portanto, ações propriamente ditas, mas certificados lastreados em papéis que são mantidos sob custódia em seu país de origem.

Marco do desenvolvimento do mercado global de capitais, o primeiro ADR emitido pela Jardine Matheson Holdings, uma empresa de Hong Kong, e listado na Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE), foi desenvolvido há quase 100 anos como uma maneira de facilitar o acesso de investidores norte-americanos à companhias listadas em Bolsas de Valores ao redor do globo. 

Via de mão dupla, os ADRs estabeleceram uma relação de ganhos mútuos entre os investidores estadunidenses e as empresas estrangeiras. Por um lado, permitiu que os investidores residentes dos EUA pudessem aplicar em companhias internacionais sem a necessidade de abrir contas em diferentes corretoras em cada um dos países de origem dessas empresas. Por outro, conferiu a essas mesmas companhias a possibilidade de arrecadar recursos no maior e mais líquido mercado financeiro do mundo: os Estados Unidos

Essa foi, por exemplo, uma estratégia amplamente adotada por empresas brasileiras que, na década de 1990, quando o mercado de capitais nacional ainda não era tão estruturado, começaram a buscar investidores internacionais por meio da listagem de ADRs, sobretudo, na NYSE. Hoje, mais de 3 mil empresas internacionais, incluindo as brasileiras, possuem ADRs em negociação nas principais Bolsas dos Estados Unidos.

Como funcionam os ADRs?

Os ADRs funcionam como certificados lastreados em títulos estrangeiros, listados no mercado acionário norte-americano. Grosso modo, é possível dizer que os American Depositary Receipts “convertem” ações listadas em Bolsas de Valores de outros países em ativos passíveis de serem negociados nos EUA. 

Para tornar esse processo mais compreensível, vamos dividi-lo em um passo a passo detalhado:

  1. A primeira etapa passa pela compra de ações de uma empresa estrangeira por uma instituição financeira originária do mesmo país dessa companhia;
  2. As ações adquiridas são então guardadas e bloqueadas pela instituição financeira em questão, que passa a atuar como custodiante desses títulos;
  3. Em seguida, entra em campo uma nova personagem: a depositária, uma instituição financeira dos EUA, que adquire essas ações da custodiante que permanece responsável pelo armazenamento desses papéis;
  4. Após agrupar esses certificados em lotes, a depositária emite os recibos de ADRs e os distribui nas Bolsas dos Estados Unidos, como a NYSE e a Nasdaq, para negociação.

Uma vez listados no mercado acionário norte-americano, os ADRs podem ser comprados por investidores interessados como se fossem ações. Cada certificado recebe um código de negociação, pelo qual passa a ser operado livremente no pregão. A negociação é feita em dólar e o preço segue a cotação do país de origem da empresa.

Apesar de representarem um investimento indireto no exterior, esses recibos garantem aos investidores os mesmos benefícios e proventos pagos aos acionistas que adquirem as ações na Bolsa de valores original. 

Por fim, a tributação dos American Depositary Receipts segue as mesmas regras estabelecidas para operações de ações de empresas norte-americanas.

Quais são os tipos de ADRs?

Os ADRs podem ser classificados de duas formas:

  • Por nível (I, II e III);
  • E por tipo de emissão.

Essa classificação ajuda a entender o grau de exigência regulatória, o nível de transparência da empresa e como esses recibos chegam ao mercado. Em geral, quanto mais alto o nível, maior a quantidade de informações exigidas e maior a confiança para o investidor.

Além disso, os ADRs também podem ser divididos entre patrocinados e não patrocinados. Nos patrocinados, a própria empresa estrangeira participa do processo e mantém um acordo com o banco depositário. Já nos não patrocinados, os recibos são criados por bancos sem envolvimento direto da empresa, o que pode significar menos informações disponíveis.

A seguir, veja como funciona cada tipo.

ADRs de nível I

O nível I corresponde aos ADRs mais básicos e com menor grau de exigência quanto à divulgação de informações. Podem ser lançados por empresas que pretendem acessar o mercado norte-americano, mas que não têm interesse em atender a exigências maiores de transparência.

Esse tipo de ADR só pode ser operado no mercado de balcão e costuma ter baixa liquidez, ou seja, não há um grande volume de negociação. Além disso, não há nenhuma obrigação quanto ao lançamento de novas ações no mercado.

ADRs de nível II

O nível II engloba um grau intermediário de ADRs. Esses títulos são negociados nas Bolsas de Valores, como a NYSE e a Nasdaq, e exigem que a empresa estrangeira esteja em conformidade com as legislações de transparência norte-americanas. 

Para isso, suas demonstrações financeiras devem estar alinhadas ao US GAAP (United States Generally Accepted Accounting Principles) e obedecer aos padrões da SEC (Securities and Exchange Commission, órgão estadunidense equivalente à CVM).

ADRs de nível II não exigem a realização de ofertas públicas de novas ações, ou seja, são recibos lastreados em papéis já emitidos anteriormente pela companhia estrangeira.

ADRs de nível III

O Nível III representa o patamar mais alto e prestigiado do mercado de ADRs. Além de cumprir todas as exigências do US GAAP e da SEC, para serem classificados nessa prateleira, os ADRs precisam ser lastreados em novas ações.

Isso significa que a empresa estrangeira precisa fazer uma oferta pública de novas ações (seja por IPO ou follow on) para serem atreladas aos American Depositary Receipts correspondentes.

ADRs 144a

Além das ADRs de níveis I, II e III, também existe um tipo especial emitido sob o amparo da Regra 144a da SEC: o ADR 144a.

Essa regra, introduzida em 2012, visa facilitar a emissão de títulos destinados exclusivamente a investidores institucionais qualificados (QIB  “Qualified Institutional Buyers“, segundo o termo original no inglês). 

Ao contrário de outros ADRs listados em Bolsa, essa classe de ativos não precisa ser registrada na SEC e sem apresentar toda documentação necessária para ser oferecida ao público. O órgão assume que os QIB são capazes de avaliar e assumir riscos associados a títulos restritos por conta própria.

Apesar de ser limitada a um público bastante restrito, dado o porte dos compradores, esse tipo de papel pode facilitar a captação de grandes quantias pelas companhias estrangeiras, quando em comparação aos ADRs tradicionais. Além disso, já que não precisam obedecer nenhuma formalidade legal, a emissão desses papéis também é menos onerosa do que o Nível II e III.

Após mais de uma década, a Regra 144a segue sendo objeto de debate. Há, por exemplo, a preocupação de que a falta de registro da SEC facilite ofertas fraudulentas de companhias estrangeiras. Além disso, também existe a teoria de que a norma ocasiona a redução da variedade de títulos disponíveis para pequenos investidores.

Quais são as vantagens de investir em ADRs?

Os ADRs foram criados para facilitar a vida de investidores norte-americanos interessados em aplicar em ações de empresas estrangeiras. No entanto, investidores estrangeiros, incluindo brasileiros, também podem encontrar benefícios interessantes ao explorar esse mercado.

Entre as vantagens mais contundentes dos ADRs, podemos mencionar:

  • Internacionalização do portfólio: investir em empresas de outros países pode ser complicado se for feito diretamente. Em muitos casos, seria necessário abrir conta em diferentes países, lidar com várias moedas e até com idiomas diferentes.
    Com ADRs, isso muda: você consegue investir em empresas globais usando apenas uma conta em corretora internacional, negociando tudo em dólar;
  • Diversificação geográfica: os ADRs dão acesso a empresas de vários países e setores. Isso permite distribuir melhor os investimentos e reduzir a dependência de uma única economia, como a brasileira. Na prática, você diminui riscos ao não concentrar tudo em um só mercado;
  • Retorno em dólar: como os ADRs são negociados em dólar, tanto os ganhos quanto os dividendos são nessa moeda. Para os investidores brasileiros, isso pode ser uma forma de proteção, já que o dólar costuma ser mais estável que o real;
  • Maior liquidez: muitos ADRs são negociados nas principais bolsas dos Estados Unidos, que têm alto volume de negociações. Isso significa mais facilidade para comprar e vender os ativos quando quiser;
  • Benefícios para empresas estrangeiras: ao emitir ADRs, as empresas ganham acesso a investidores do mundo todo e aumentam sua visibilidade. Isso pode melhorar a liquidez dos papéis e facilitar a captação de recursos no mercado internacional.

No geral, os ADRs tornam o investimento internacional mais simples, acessível e direto.

Como investir em ADRs?

Investir em ADRs é mais simples do que parece. Na prática, o processo é bem parecido com comprar ações comuns, com alguns passos básicos. Veja como começar:

Abra uma conta com uma corretora internacional

O primeiro passo é ter uma conta em uma corretora que dê acesso ao mercado dos Estados Unidos.

Atualmente, existem corretoras internacionais e até algumas brasileiras que permitem esse tipo de investimento. O importante é verificar se ela oferece acesso aos ADRs e tem boa reputação. Importante: sem essa conta, não é possível negociar esses ativos.

Transfira recursos para a corretora

Depois de abrir a conta, você precisa enviar dinheiro para investir. Normalmente, isso é feito por meio de remessa internacional. O valor será convertido para dólar, já que os ADRs são negociados nessa moeda.

Algumas plataformas já facilitam esse processo, mas é importante ficar de olho nas taxas de câmbio e envio.

Selecione os ADRs e emita a ordem de compra

Com o dinheiro disponível, é hora de investir. Dentro da plataforma da corretora, você pode buscar pelo código do ADR da empresa que deseja. Depois, basta definir a quantidade e o preço que deseja pagar. Por fim, envie a ordem de compra, como faria com qualquer ação.

Monitore seus investimentos

Após a compra, o trabalho continua. É importante acompanhar o desempenho dos ADRs, ficar de olho nas notícias das empresas e avaliar se ainda faz sentido manter o investimento. Isso ajuda você a tomar decisões melhores ao longo do tempo.

Quais são os riscos de investir em ADRs?

Investir em ADRs permite acessar empresas globais e ainda receber rendimentos em dólar, o que é bastante atrativo para muitos investidores brasileiros.

Mas, como qualquer investimento, também existem riscos. Antes de decidir investir, é importante conhecer os principais pontos de atenção. Veja os mais relevantes a seguir:

  • Risco cambial: como os ADRs são negociados na moeda norte-americana, o retorno depende da variação entre dólar e real. Se o dólar subir, você pode ganhar mais. Porém, se o real se valorizar, o resultado pode ser menor ou até negativo;
  • Risco inflacionário: o desempenho do ADR depende da economia do país de origem da empresa. Se a moeda desse país perder valor, isso pode impactar negativamente o preço do ADR;
  • Risco político: problemas políticos no país da empresa podem afetar seus resultados e, consequentemente, o ADR. Além disso, relações econômicas e políticas com os Estados Unidos também podem influenciar;
  • Risco de mercado: ADRs funcionam como ações, então, sofrem oscilações do mercado. O preço pode variar por fatores da própria empresa ou por eventos econômicos e políticos globais, o que aumenta a volatilidade;
  • Desvantagens para empresas: para emitir ADRs, as empresas precisam seguir regras rígidas e arcar com custos elevados. Isso pode limitar o acesso, principalmente para empresas menores.

Como os dividendos são pagos em ADRs?

Por mais que os ADRs sejam certificados rastreados em ações subjacentes, quem investe nesses títulos tem os mesmos direitos garantidos aos investidores que aplicam diretamente nessas empresas em suas Bolsas de origem. Isso inclui, por conseguinte, sua parte na distribuição de dividendos.

Diferentemente dos acionistas que aplicam localmente, porém, quem investe em ADRs recebe seus rendimentos convertidos em dólares, e não na moeda local da companhia em questão.

Além disso, os retornos desses recibos são, comumente, inferiores aos pagos diretamente aos investidores que acessam as Bolsas onde essas ações são originalmente listadas. 

Isso ocorre porque esses valores podem ser impactados por taxas sobre os dividendos distribuídos cobrada pelas instituições financeiras que fazem a guarda das ações originais no exterior, que são deduzidas dos pagamentos antes de chegarem aos titulares dos ADRs.

Distribuição de dividendos de ADRs para brasileiros

Além das taxas de custódia, investidores brasileiros devem considerar ainda a tributação dos EUA, que retém 30% dos rendimentos dos dividendos na fonte.

Quem já está acostumado a investir em empresas nacionais pela B3 deve ter o cuidado de colocar todos esses descontos na ponta do lápis para evitar desapontamentos ou prejuízos ao seu planejamento. 

Considere que, enquanto os dividendos, isentos de tributação no Brasil, são pagos integralmente para as ações locais, quem investe em ADRs recebe aproximadamente 65% do valor original distribuído.

Esses rendimentos, já descontados, são depositados pela instituição financeira norte-americana diretamente na conta de corretagem dos investidores, em dólar. 

Os investidores brasileiros têm a opção de manter esses valores em sua conta na moeda norte-americana  ou convertê-los para real. A conversão é realizada diretamente pela corretora, que aplica a taxa de câmbio do dia. Vale mencionar que, nesse caso, há ainda a cobrança de IOF.

Por fim, é de suma importância observar que nem todos ADRs pagam dividendos. Isso porque, diferentemente das empresas brasileiras, que são obrigadas a distribuir ao menos 25% de seus lucros com os acionistas, empresas internacionais, a depender de suas legislações locais, podem não possuir essa exigência. 

Em alguns países, a companhia pode optar entre distribuir seus lucros ou reter esses valores para fortalecer o caixa ou impulsionar suas atividades.

O que são ADRs brasileiros?

Os ADRs brasileiros são, na prática, ações de empresas do Brasil negociadas nos Estados Unidos.

Funciona assim: uma empresa brasileira, como Petrobras ou Vale, tem suas ações no Brasil, mas também pode disponibilizar recibos dessas ações no mercado norte-americano – esses recibos são os ADRs.

Por isso, muita gente resume da seguinte forma: é o “produto nacional exportado” para a bolsa dos EUA.

Na prática, isso permite que investidores estrangeiros comprem ações de empresas brasileiras sem precisar investir diretamente na Bolsa do Brasil. Além disso, esses ADRs também podem ser acessados por investidores brasileiros, desde que invistam no mercado norte-americano.

Quais as diferenças entre ADRs e ADRs brasileiros?

Essa é uma dúvida bem comum entre investidores. No caso, a principal diferença está na origem da empresa:

  • ADRs “gerais”: representam ações de empresas estrangeiras negociadas nos Estados Unidos. Ou seja, podem ser empresas de qualquer país, como países da Europa, Ásia, América Latina etc.;
  • ADRs brasileiros: são um tipo específico de ADR, que representa apenas empresas do Brasil listadas no mercado norte – americano.

Na prática, o funcionamento é o mesmo: ambos são negociados em dólar, seguem as regras dos EUA e representam ações que estão em outro país.

A diferença é que, no caso dos ADRs brasileiros, você está investindo em empresas do Brasil, só que por meio da Bolsa norte-americana.

Quais empresas brasileiras têm ADRs?

Várias empresas brasileiras já possuem ADRs negociados nos Estados Unidos. Em geral, são companhias grandes, conhecidas e com presença relevante no mercado. Entre os principais exemplos, destacamos:

Empresa Ticker na B3 Ticker ADR Bolsa nos EUA
Ambev ABEV3 ABEV NYSE
Azul AZUL4 AZUL NYSE
Bradesco BBDC3 e BBDC4 BBD e BBDO NYSE
Braskem BRKM5 BAK NYSE
BRF BRFS3 BRFS NYSE
Cemig CMIG3 e CMIG4 CIGC e CIG NYSE
Copel CPLE6 ELP NYSE
CPFL Energia CPFE3 CPL NYSE
Eletrobras ELET3 e ELET6 EBR e EBRB NYSE
Embraer EMBR3 ERJ NYSE
Gerdau GGBR4 GGB NYSE
Gol GOLL4 GOL NYSE
Itaú Unibanco ITUB4 ITUB NYSE
Petrobras PETR4 PBR NYSE
Telefônica Brasil VIVT4 VIV NYSE
TIM TIMS3 TIMB NYSE
Vale VALE3 VALE NYSE
Lojas Renner LREN3 LRENY NYSE
Natura NTCO3 NTCO NYSE
Localiza RENT3 LZRFY OTC
JBS JBSS3 JBSAY OTC
Cielo CIEL3 CIOXY OTC
Ultrapar UGPA3 UGP NYSE
Sabesp SBSP3 SBS NYSE

Apesar de menos comum, vale citar que existem empresas brasileiras que lançam BDRs, os certificados de depósitos brasileiros, e não ADRs. Isso significa que elas abriram capital em Bolsas estrangeiras e depois emitiram certificados dessas ações na B3 (a Bolsa de Valores do Brasil).

Esse é o caso, por exemplo, do Banco Inter, que mudou sua listagem da Bolsa brasileira para a Nasdaq em 2022, mas manteve os BDRs na B3. Seu ticker na Nasdaq é INTR, enquanto seu BDR é negociado na B3 com o código INBR31.

Outras marcas conhecidas que seguiram esse “processo inverso” incluem:

  • PagSeguros: primeira empresa brasileira negociada na Bolsa de Valores de Nova Iorque a ter BDRs lançados na B3. Ela foi originalmente listada na NYSE com o ticker PAGS, e na Bolsa brasileira com o código PAGS34
  • Nubank: fintech brasileira que atualmente é negociada nos EUA como NU e no Brasil pela BDR NUBR33.

Quais são as diferenças entre ADRs e BDRs?

À primeira vista, ADRs e BDRs parecem a mesma coisa – de fato, têm várias semelhanças. Ambos são recibos que representam ações de empresas estrangeiras.

Contudo, há diferenças relevantes em relação a onde e como você investe. Veja os pontos principais:

Onde são negociados 

  • ADRs: negociados nas Bolsas dos Estados Unidos (como NYSE e Nasdaq); 
  • BDRs: negociados na Bolsa brasileira (B3).

Moeda de negociação

  • ADRs: negociados em dólar;
  • BDRs: negociados em reais.

Forma de acesso

  • ADRs: exigem conta em corretora internacional;
  • BDRs: podem ser comprados direto pelo home broker no Brasil.

Regulação

  • ADRs: seguem as regras do mercado norte-americano;
  • BDRs: seguem as regras da CVM.

Objetivo prático

  • ADRs: usados por quem investe diretamente no exterior;
  • BDRs: alternativa mais simples para o brasileiro investir fora sem sair do país.

Em resumo, você pode pensar dessa forma:

  • ADR: você leva seu dinheiro para fora e investe lá;
  • BDR: você investe no exterior sem sair do Brasil.

Os dois servem para internacionalizar a carteira. A escolha depende do seu objetivo e do nível de praticidade que você busca.

Vale a pena investir em ADRs?

Não existe uma resposta única para essa pergunta. Investir em ADRs pode fazer sentido ou não, dependendo do seu perfil e dos seus objetivos.

De forma geral, ADRs não são indicados para quem está começando ou tem perfil conservador. Isso porque são ativos de renda variável, com oscilações como ações, além de envolverem investimento no exterior e riscos extras, como o câmbio e fatores políticos.

Para quem quer investir fora, mas ainda busca mais simplicidade, pode ser melhor começar por alternativas no Brasil, como BDRs ou ETFs internacionais. Eles permitem a exposição ao exterior sem precisar abrir conta fora ou lidar com envio de dinheiro.

Por outro lado, quem já investe no exterior e entende melhor o funcionamento da renda variável pode usar ADRs como uma forma prática de diversificar a carteira. Eles dão acesso a empresas de diferentes países, tudo dentro do mercado americano.

Mas é importante ter atenção a alguns pontos:

  • Nem todas as empresas pagam dividendos, como acontece no Brasil;
  • Existem custos com câmbio, envio de dinheiro e possíveis impostos;
  • O desempenho do ADR depende da empresa e também da economia do país de origem.

Ou seja, além de acompanhar a empresa, você também precisa ficar de olho no cenário econômico e político desse país.

No fim, ADRs podem ser uma boa ferramenta de diversificação, desde que façam sentido para sua estratégia e você entenda bem os riscos envolvidos.

Conclusão

Os ADRs são uma forma prática de investir em empresas de diferentes países usando o mercado dos Estados Unidos.

Eles facilitam a internacionalização da carteira, permitem ganhos em dólar e ampliam as opções de investimento. Por outro lado, também envolvem riscos, como variação cambial, cenário externo e volatilidade.

No fim, vale a pena para quem já entende renda variável e busca diversificação global. Mas, como qualquer investimento, a decisão deve estar alinhada ao seu perfil e aos seus objetivos.

Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br
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