abr, 2026 Investimentos

Debêntures: o que são, quais os tipos e como investir

Thiago Koguchi

À medida que você, investidor ou investidora, ganha mais conhecimento e confiança, é natural que o seu perfil vá mudando. A vontade de buscar uma renda maior e diversificar cresce, mas a transição nem sempre é imediata. Muitas pessoas acabam então em uma espécie de “limbo”: já não se sentem confortáveis apenas com aplicações que rendem próximo da Selic, mas ainda hesitam em dar o passo para a renda variável.

Se esse é o seu caso, as debêntures podem entrar no seu radar. São títulos de renda fixa emitidos por empresas, com prazo e remuneração definidos, e que costumam render mais do que os produtos mais tradicionais dessa categoria.

Não por acaso, são vistas como um ponto de transição entre o perfil conservador e o moderado. Dentro da renda fixa, estão entre os papéis com maior risco – e também com maior potencial de retorno.

Quer entender melhor se esse tipo de investimento faz sentido para você? Então veja só tudo o que vamos abordar neste artigo:

  • O que são debêntures?
  • Quais são as características das debêntures?
  • Quem pode emitir debêntures?
  • Como é a rentabilidade das debêntures?
  • Qual a diferença entre debênture e CDB?
  • Qual é a diferença entre debêntures e ações?
  • Quais são os tipos de debêntures?
  • Quais são as vantagens e desvantagens das debêntures?
  • É seguro investir em debêntures?
  • As debêntures são recomendadas para todos os tipos de investidores?
  • Qual o risco das debêntures?
  • Como investir em debêntures?

Vamos nessa? Vem conhecer tudo sobre esse tipo de investimento.

O que são debêntures?

Debêntures são títulos de dívida de médio ou longo prazo emitidos por empresas não financeiras, organizadas como sociedades anônimas (S.A.), de capital aberto ou fechado. Empresas podem emitir debêntures por diferentes razões, tais como: financiar novos projetos, expandir negócios ou mercado, ou mesmo para reorganizar suas dívidas, servindo como alternativa a empréstimos bancários mais caros.

É como se, ao investir em uma debênture, você fizesse as vezes de um banco: ele empresta recursos à empresa emissora, que se compromete a devolver o valor aplicado, em uma data futura previamente acordada, acrescido de juros. Em alguns casos, o título pode oferecer direitos adicionais além do pagamento do crédito – sobre isso, falaremos com mais detalhes à frente.

Por se tratar de um produto de renda fixa, informações como prazo, forma de remuneração, garantias e direitos do investidor são conhecidas desde a aplicação e constam na escritura de emissão, documento que pode trazer, inclusive, a destinação dos recursos captados.

Em geral, as debêntures oferecem rendimentos superiores aos títulos do governo ou a produtos bancários tradicionais, como os CDBs, o que as torna uma alternativa interessante para quem busca maior potencial de retorno dentro da renda fixa. Em contrapartida, envolvem mais risco e não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que exige maior atenção à saúde financeira da empresa emissora.

Quais são as características das debêntures?

As debêntures estão entre os produtos mais complexos da renda fixa. Para entendê-las bem – especialmente quem está começando –, é importante conhecer suas principais características. A lista abaixo reúne os principais elementos que definem como as debêntures funcionam:

  • Emissor: são emitidas por empresas não financeiras, organizadas como sociedades anônimas, de capital aberto ou fechado. A saúde financeira da empresa emissora influencia diretamente o nível de segurança do título;
  • Prazo: tratam-se, em geral, de investimentos de médio a longo prazos, com vencimentos que podem variar entre 5, 10 anos ou até mais;
  • Remuneração: pode ser prefixada, pós-fixada (atrelada ao CDI ou à inflação, como o IPCA) ou híbrida. Em alguns casos, a remuneração pode ocorrer por participação nos lucros, conforme definido na escritura;
  • Periodicidade dos pagamentos: algumas debêntures pagam juros periodicamente (os chamados cupons), enquanto outras concentram todo o rendimento no vencimento, como ocorre nas debêntures cupom zero;
  • Prioridade de pagamento: por serem títulos de dívida, as debêntures têm prioridade de recebimento em relação aos acionistas, em caso de dificuldades financeiras da empresa;
  • Liquidez: costuma ser limitada. A venda antes do vencimento depende do interesse do mercado secundário e pode não acontecer com facilidade;
  • Marcação a mercado: o preço da debênture pode oscilar ao longo do tempo, de acordo com as condições do mercado, o que pode gerar ganhos ou perdas em uma venda antecipada;
  • Tributação: os rendimentos estão sujeitos ao Imposto de Renda, seguindo a tabela regressiva da renda fixa, o que impacta o retorno líquido do investimento;
  • Direitos adicionais: algumas debêntures oferecem benefícios extras, como conversão em ações, participação nos lucros ou warrants, que podem alterar o perfil do título;
  • Ausência de FGC: debêntures não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, o que torna essencial compreender o papel do emissor.

Em conjunto, esses pontos podem servir como um guia prático: se você compreende cada um deles, já entende como as debêntures funcionam.

Quem pode emitir debêntures?

As debêntures podem ser emitidas por empresas organizadas como sociedades anônimas (S.A.), sejam elas de capital aberto ou fechado, sempre que precisarem captar recursos no mercado para financiar projetos, expandir operações ou reorganizar dívidas.

Essas empresas não podem pertencer ao setor financeiro, como bancos, financeiras ou instituições de crédito. Isso acontece porque essas instituições já possuem instrumentos próprios de captação (como CDBs, LCIs e LCAs) e seguem regras específicas do Sistema Financeiro Nacional (SFN). As debêntures, por sua vez, foram criadas justamente como uma forma de financiamento direto para empresas não financeiras.

Vale destacar que apenas companhias abertas, registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), podem realizar ofertas públicas de debêntures, acessíveis ao público em geral. Empresas de capital fechado até podem emitir esses títulos, mas apenas por meio de ofertas restritas, destinadas a investidores qualificados.

A decisão de emitir debêntures, bem como a definição de prazos, taxas, garantias e demais cláusulas, deve ser aprovada pela assembleia geral de acionistas ou pelo Conselho de Administração, conforme previsto no estatuto da companhia.

Contudo, antes de convocar a reunião ou a assembleia, a empresa precisa estar munida de uma análise minuciosa acerca das necessidades de caixa. Esse estudo deve ser capaz de demonstrar, entre outras coisas, que a companhia terá como honrar com suas obrigações junto aos debenturistas no momento do resgate.

Como é a rentabilidade das debêntures?

A rentabilidade de uma debênture depende do tipo de taxa de juros atrelada ao título. Ela pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida

 A seguir, explicamos o que é e como funciona cada uma delas:

Debêntures prefixadas

Nas debêntures prefixadas, a taxa de juros é definida no momento da aplicação. Isso significa que você já sabe, desde o início, qual será a remuneração do título se mantiver o investimento até o vencimento.

Uma debênture prefixada pode, por exemplo, pagar uma taxa fixa e imutável de 10% ao ano, permitindo que você calcule exatamente quanto o dinheiro renderá no período. A atenção aqui fica por conta da inflação: se ela subir muito, o ganho real pode ser menor do que o esperado.

Debêntures pós-fixadas

Já nas debêntures pós-fixadas, a remuneração acompanha um índice de mercado, como o CDI ou a taxa Selic, definidos na emissão do título.

Um exemplo comum é uma debênture que paga 100% do CDI. Nesse caso, o rendimento final dependerá do desempenho deste indicador ao longo do tempo. Por isso, o retorno exato só é conhecido no vencimento.

Debêntures híbridas

São títulos que misturam remunerações pré e pós-fixadas. Parte do rendimento é 

atrelado a um índice de mercado, e a outra é uma taxa de renda fixa definida na emissão.

O exemplo mais comum são as debêntures atreladas ao IPCA + taxa fixa, como IPCA + 5% ao ano. Nesse modelo, você garante a correção pela inflação e ainda recebe um ganho real acima dela (a taxa fixa).

Ao combinar essas duas modalidades de rendimento, as debêntures híbridas blindam a rentabilidade contra a inflação, além de garantir um valor extra ao debenturista.

Qual a diferença entre debênture e CDB?

As principais diferenças entre debêntures e Certificados de Depósito Bancário (CDBs) estão no emissor, na garantia e no risco.

 CDBs são emitidos por bancos e contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição em caso de falência do banco. Por isso, são considerados mais seguros e indicados para investidores conservadores.

Debêntures, por sua vez, são emitidas por empresas não financeiras e não têm proteção do FGC. Como o risco de crédito é maior, elas costumam oferecer retornos mais altos para compensar quem investe nelas. Por esse motivo, são mais indicadas para quem já possui alguma experiência e tolera riscos moderados.

Qual é a diferença entre debêntures e ações?

Debêntures e ações costumam gerar confusão porque ambos são títulos emitidos por sociedades anônimas. Existem, contudo, duas diferenças entre esses dois tipos de investimento. 

A primeira grande diferença está na forma de remuneração

  • Ações são investimentos de renda variável, seu retorno é imprevisível e depende do desempenho da empresa e das oscilações do mercado;
  • Debêntures são títulos de renda fixa, com regras de pagamento e remuneração definidas no momento da aplicação.  

Por isso, ações costumam ser mais indicadas para investidores arrojados, enquanto debêntures podem ser um investimento de transição do perfil conservador para o moderado.

Além disso, esses dois investimentos também diferem na relação dos investidores com a empresa. Ao comprar uma ação, você se torna sócio ou sócia do negócio e passa a participar dos seus resultados – positivos ou negativos. Ao investir em uma debênture, por sua vez, você atua como credor ou credora, emprestando recursos à empresa em troca de juros.

Por fim, nas empresas que recorrem simultaneamente à emissão de ações e de debêntures, existe ainda uma diferença relevante na ordem de pagamento

As dívidas são quitadas antes da distribuição de lucros, o que dá aos debenturistas prioridade em relação aos acionistas, trazendo maior previsibilidade e segurança. Em contrapartida, se os recursos captados impulsionarem o crescimento da empresa, os acionistas tendem a ser os mais beneficiados, com a possível valorização das ações.

Quais são os tipos de debêntures?

As debêntures são categorizadas de acordo com as cláusulas de resgate e de remuneração definidas na sua emissão. Algumas remuneram você por meio de uma taxa de juros sobre o valor aplicado, enquanto outras vão além e oferecem direitos adicionais. 

Os tipos mais comuns são:

  • Debêntures conversíveis;
  • Debêntures incentivadas;
  • Debêntures simples;
  • Debêntures permutáveis;
  • Debêntures perpétuas;
  • Debêntures participativas;
  • Debêntures com warrants;
  • Debêntures cupom zero.

Compreender essas diferenças é essencial para que você escolha o título mais alinhado aos seus objetivos. A seguir, explicamos as principais categorias de debêntures e o que distingue cada uma delas.

Debêntures conversíveis

As debêntures conversíveis recebem esse nome porque permitem que você, na data de vencimento, troque o valor aplicado (ou os juros a receber) por ações da empresa emissora, conforme as condições definidas na emissão.

Essa possibilidade dá a você duas saídas no fim do prazo: converter o título em ações, se isso for mais vantajoso, ou receber o valor investido com os juros previstos. Por isso, esse tipo de debênture costuma ser visto como uma das alternativas com maior potencial de retorno – e também com mais flexibilidade – dentro da renda fixa.

Debêntures incentivadas

As debêntures incentivadas, Ttambém conhecidas como debêntures de infraestrutura, são títulos emitidos para financiar projetos voltados ao desenvolvimento do país, como obras de transporte, energia e saneamento. 

Sua principal característica e vantagem   está no tratamento tributário: pela Lei nº 12.431/2011, os rendimentos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, um incentivo criado para atrair capital privado a projetos considerados prioritários.

Na prática, esse benefício faz dessas debêntures uma opção especialmente vantajosa para investidores que buscam renda fixa com retorno líquido maior, já que a isenção de Imposto de Renda permite que você fique com praticamente todo o rendimento do título.

É importante ressaltar que a emissão de debêntures incentivadas é restrita a empresas que atuam em setores definidos como estratégicos pelo governo. Esse grupo foi ampliado em 2023, como forma de incentivar o avanço de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Atualmente, estão entre os principais segmentos autorizados:

  • Educação;
  • Energia;
  • Habitação;
  • Irrigação;
  • Logística;
  • Mineração;
  • Saneamento básico;
  • Saúde;
  • Segurança pública;
  • Telecomunicação;
  • Transporte.

Debêntures simples

A mais comum e popular entre todas as categorias, a debênture simples (também chamada de “comum” ou “ordinária”) funciona como um título normal de renda fixa, sem direitos extras ou benefícios fiscais especiais.

O retorno acontece na data do resgate e corresponde ao valor aplicado mais uma taxa de juros previamente definida. Os rendimentos, por sua vez, são tributados de acordo com a tabela regressiva do Imposto de Renda.

Debêntures permutáveis

Bastante singulares, as debêntures permutáveis permitem que você, no momento do resgate, converta seus títulos em ações de uma empresa distinta da emissora.

Por mais que possa parecer confuso, o funcionamento desses contratos é, na realidade, bem simples. Ao emitir esses papéis, a companhia acrescenta uma cláusula onde oferece ações de outras empresas que tenham em caixa como uma alternativa de pagamento.

Na prática, essa opção dá mais flexibilidade tanto para vpocê quanto para a companhia. O/a debenturista pode receber o resgate total em dinheiro, total em ações, ou uma combinação de ambos, por exemplo, os juros em dinheiro e o valor investido em ações.

Debêntures perpétuas

Bem incomuns, as debêntures perpétuas são títulos de dívida sem prazo definido de vencimento

Uma vez que não possuem data para resgate, esse tipo de papel não devolve o valor inicial aplicado. Em compensação, os juros ou participações acordados na emissão são pagos de forma contínua, enquanto a empresa tiver recursos.

Um exemplo clássico são os papéis emitidos pela Vale em 1997, que deram aos investidores da época o direito de receber participação nos lucros das jazidas da mineradora. Esses pagamentos seguem até hoje e só terminarão quando os recursos explorados forem esgotados, o que está previsto para ocorrer entre 2054 e 2096, dependendo da região.

Debêntures participativas

A singularidade das debêntures participativas está na forma com que as empresas emissoras remuneram seus debenturistas: por meio de participação de lucros. Isso é bastante curioso, já que essa forma de pagamento as posiciona em um limiar entre a renda fixa e a variável. 

Por um lado, assim como outros produtos de renda fixa, essas debêntures têm regras específicas de pagamento, geralmente semestrais. Por outro, mais se assemelham aos produtos de renda variável, já que seu retorno é imprevisível: varia de acordo com diferentes fatores, como a flutuação de preços, taxas de câmbio, desempenho produtivo, demanda de mercado, entre outros.

Um bom exemplo de debêntures participativas são os títulos emitidos pela Vale, em 1997. E não, isso não é um déjà vu de sua parte, e tampouco uma mera repetição ou contradição da nossa. É que essas debêntures podem ser consideradas tanto perpétuas (se considerado o prazo de resgate), quanto participativas (se considerada a remuneração).

Debêntures com warrants

As debêntures com warrants concedem aos debenturistas o direito prioritário de comprar ações da empresa emissora em uma data futura e por um preço previamente definido, conforme a escritura de emissão.

Além da possibilidade de adquirir ações de companhias com grande potencial de valorização por valores abaixo do que esses papéis podem chegar a atingir, o direito sobre warrants também apresenta outra grande vantagem: eles são destacáveis da debênture. Ou seja, você pode manter o título e vender o direito de compra das ações no mercado secundário.

Em contrapartida, por oferecer esses benefícios, as debêntures com warrants costumam pagar taxas de juros inferiores às oferecidas por outras categorias.

Debêntures cupom zero

O cupom é como é chamado o pagamento periódico de juros a você que possui um título de dívidas. Assim, por dedução, as debêntures com cupom zero são aquelas que não oferecem remunerações constantes a seus titulares.

O lucro é conhecido desde o momento da aplicação e é pago integralmente e de uma só vez, na data de vencimento. Como compensação, o valor cobrado para adquirir esse tipo de papel é normalmente bem inferior ao seu valor nominal.

Ao aplicar em debêntures com cupom zero, você deve ter ciência de que não terá nenhum retorno até a data estimada. Além disso, é necessário ter o cuidado de calcular o impacto da inflação no período, dado que o retorno já está acertado desde o princípio.

Quais são as vantagens e desvantagens das debêntures?

Antes de investir em debêntures, é importante avaliar suas vantagens e desvantagens para ter certeza de que está fazendo uma boa escolha. A seguir, detalhamos os principais benefícios e riscos desse tipo de investimento:

Vantagens das debêntures

Ponto de transição entre a renda fixa e a renda variável, as debêntures oferecem benefícios de ambas as categorias. Confira:

  • Rendimento superior: costumam pagar juros maiores do que a média dos investimentos de renda fixa;
  • Previsibilidade: por ser um produto de renda fixa, você sabe antes da aplicação como será remunerado, incluindo valores e prazos de pagamento. Isso permite planejar estratégias e metas com maior precisão;
  • Diversificação: a variedade de debêntures disponíveis possibilita combinar diferentes papéis para diferentes objetivos, potencializando os rendimentos;
  • Benefícios extras: algumas debêntures oferecem direitos especiais, como a possibilidade de converter o valor do resgate em ações da empresa emissora ou de uma terceira companhia.

Desvantagens das debêntures

As debêntures oferecem rendimentos geralmente maiores do que títulos do governo ou de instituições financeiras e mais segurança do que ativos de renda variável. Ainda assim, estão longe de ser investimentos perfeitos. Entre suas principais desvantagens estão:

  • Sem proteção do FGC: diferentemente de outros investimentos de renda fixa, como CDBs, LCIs, LCAs ou a carteira de poupança, as debêntures não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos;
  • Dependência da saúde financeira da empresa: o pagamento dos juros e do valor principal está diretamente ligado à capacidade financeira da companhia emissora;
  • Relação risco–retorno: em alguns casos, o retorno oferecido pode não compensar o nível de exposição, fazendo com que você assuma um grau de incerteza parecido com o da renda variável, mas com ganhos limitados aos da renda fixa;
  • Prazos longos: muitas debêntures possuem vencimentos extensos, o que exige do investidor disponibilidade para manter o capital aplicado por vários anos;
  • Liquidez e marcação a mercado: caso enfrente alguma urgência e tenha que vender o título antes do vencimento, você pode encontrar pouca demanda e ser obrigado a negociar o título por um preço abaixo do seu valor justo;
  • Sensibilidade a juros e inflação: mudanças no cenário econômico podem afetar tanto o valor do título quanto o retorno real do investimento;
  • Complexidade de certos produtos: debêntures com características especiais, como participativas, perpétuas ou com warrants, exigem maior atenção na análise;
  • Tributação: os rendimentos das debêntures estão sujeitos ao Imposto de Renda, o que pode reduzir o ganho líquido do investidor e representar uma desvantagem em comparação a produtos de renda fixa, como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e a poupança.

É seguro investir em debêntures?

Debêntures são investimentos de renda fixa indicados, em geral, para perfis conservadores ou moderados, o que pode dar a impressão de que são totalmente “seguros”. Isso, porém, nem sempre é o caso.

Pense conosco: é 100% seguro emprestar o seu dinheiro?  É mais seguro emprestar para alguém endividado e com histórico de atrasos ou para uma pessoa de confiança da sua família, responsável e com boa reputação financeira?

A mesma lógica vale para as debêntures. Ao comprar um desses títulos, você está emprestando dinheiro à empresa emissora. Quanto mais sólida e confiável for essa empresa, maiores são as chances de que os pagamentos ocorram conforme o combinado.

Uma forma de avaliar essa confiabilidade é por meio do rating de crédito, nota atribuída por agências especializadas que mede a capacidade de empresas e governos honrarem suas obrigações. Essa classificação vai de AAA (mais alta) a D (mais baixa).

Outro ponto importante é o prazo. Debêntures costumam ter vencimentos longos, e ninguém pode prever o futuro. Caso surja uma emergência, você pode ter dificuldade para vender o título antes do vencimento e, no mercado secundário, acabar negociando por um valor inferior ao esperado.

Além disso, mesmo empresas bem avaliadas podem enfrentar dificuldades ao longo do tempo. Por isso, é importante acompanhar periodicamente a saúde financeira da emissora e reavaliar o investimento quando necessário ainda que isso implique vender o título antes do vencimento.

A dica de ouro é: não se deixe levar cegamente apenas por promessas de rentabilidade elevada. As taxas oferecidas refletem o perfil de crédito da empresa, o risco do projeto financiado e o prazo do título. Quanto maior a incerteza envolvida, maior tende a ser o retorno exigido pelo mercado.

Qual o risco das debêntures?

Debêntures são reconhecidos como o produto de investimento mais arriscado dentro da renda fixa. Isso não é ao acaso. A começar, diferentemente de muitos produtos de renda fixa, esse tipo de investimento não conta com proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). 

Mas isso não é tudo. Existe uma série de riscos aos quais esses títulos podem estar sujeitos. Os principais são:

  • Risco de crédito: o popular “calote”, é a chance da empresa emissora não pagar juros ou o valor principal conforme o combinado;
  • Risco de liquidez: é a dificuldade para vender a debênture por seu preço justo antes do vencimento, especialmente quando o título é pouco negociado ou oferece retorno menos atrativo;
  • Risco de estrutura: características como subordinação, conversibilidade ou participação nos lucros podem reduzir a prioridade de pagamento e aumentar a exposição a perdas em caso de problemas financeiros da empresa;
  • Risco de mercado (marcação a mercado): oscilações no preço do título causadas por mudanças nas condições de mercado, que podem gerar perdas em vendas antecipadas;
  • Risco da taxa de juros: altas nas taxas de juros tendem a desvalorizar debêntures com cupom inferior ao praticado pelo mercado;
  • Risco de prazo: quanto mais longo o vencimento, maior a incerteza quanto ao cenário econômico e à capacidade futura de pagamento da empresa;
  • Risco de inflação: em debêntures que não acompanham a inflação, o poder de compra do retorno pode ser reduzido ao longo do tempo.

Assustou? Então, deixe-nos fazer uma ressalva importante: esses papéis são, em geral, bem menos arriscados do que uma lista como a apresentada acima pode dar a entender.

 Isso porque a emissão de debêntures exige o cumprimento de uma série de requisitos legais e regulatórios. Na prática, isso faz com que apenas empresas com estrutura, histórico e capacidade financeira adequados consigam emitir e negociar títulos de dívida no mercado.

As debêntures são recomendadas para todos os tipos de investidores?

Para sermos bem objetivos: não. Embora sejam produtos de renda fixa ou seja, com regras, prazos e rendimentos conhecidos desde a aplicação , às debêntures não são um produto de investimento indicado para perfis estritamente conservadores ou para investidores de primeira viagem.

O motivo é simples: elas são, a priori, títulos consideravelmente mais arriscados do que outros produtos tradicionais de renda fixa, como os títulos do Tesouro ou os Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Por isso, exigem um cuidado maior na avaliação da qualidade de crédito do emissor, algo que pode pesar para quem ainda tem pouca experiência.

Além disso, existem diferentes tipos de debêntures, com características e benefícios distintos. Para quem ainda não tem muita familiaridade com investimentos, entender essas diferenças e avaliar qual delas faz mais sentido para o próprio perfil e objetivos pode ser desafiador.

Por outro lado, as debêntures podem funcionar muito bem como um investimento de transição entre o perfil conservador e o moderado. Elas tendem a fazer mais sentido para quem já entende como a renda fixa funciona e busca retornos maiores, sem precisar se expor à volatilidade típica da renda variável.

Além disso, também podem ser uma alternativa interessante para diversificar o portfólio de investidores moderados e arrojados, ajudando a equilibrar risco e retorno dentro da carteira.

Como investir em debêntures?

Se entender as debêntures pode demandar algum esforço, a boa notícia é que para investir não há nenhum mistério. Basta seguir este simples passo a passo:

1. Abra conta em uma corretora

Antes de mais nada, é preciso abrir sua conta em uma corretora de valores, que será a responsável por intermediar suas compras. Ao escolher a instituição, verifique se ela oferece debêntures e avalie fatores como: taxas cobradas, facilidade de uso da plataforma, qualidade das informações e atendimento ao cliente.

2. Defina seu perfil

Após abrir a conta, a corretora aplicará o teste de suitability. Esse questionário serve para identificar seu perfil de investidor e indicar quais tipos de ativos são mais adequados para você, considerando seu nível de tolerância a risco e seus objetivos financeiros. 

3. Transfira os recursos: 

Com o cadastro aprovado, transfira o valor que pretende investir da sua conta bancária para a conta da corretora. Só após essa etapa o dinheiro ficará disponível para aplicação.

4. Escolha as debêntures

Com o dinheiro já na conta da corretora, acesse a plataforma e procure pelas opções de renda fixa. Ao analisar uma debênture, vale ter uma coisa bem clara em mente: o melhor título não é, necessariamente, o que promete o maior retorno, mas aquele que faz sentido para o seu perfil, seus objetivos e seu prazo.

Existe uma série de detalhes práticos que você pode observar para tomar essa decisão de forma estratégica:

  • Prazo de vencimento: debêntures costumam ter prazos longos. Antes de investir, verifique se a data de vencimento está alinhada aos seus planos, já que a venda antecipada no mercado secundário pode ser difícil ou ocorrer a um preço desfavorável;
  • Solidez do emissor: como não contam com proteção do FGC, é essencial avaliar a saúde financeira da empresa emissora. Um bom ponto de partida é consultar o rating de crédito, que indica a capacidade de pagamento do emissor;
  • Riscos envolvidos: além do risco de crédito, considere fatores como liquidez, prazo e sensibilidade às taxas de juros e à inflação, que podem impactar o valor do título ao longo do tempo;
  • Tributação e custos: não deixe de incluir o Imposto de Renda e eventuais taxas no cálculo do retorno líquido. Vale lembrar que existem títulos isentos de IR, o que pode fazer diferença no resultado final;
  • Direitos complementares: algumas debêntures oferecem benefícios adicionais, como  isenção de IR, participação nos lucros ou conversão em ações, o que pode aumentar o potencial de retorno ou ajudar na diversificação;
  • Rendimento: após avaliar prazo, riscos, tributos e direitos, o retorno passa a ser o fator decisivo. Se a dúvida persistir, compare as condições e o tipo de rentabilidade (prefixada, pós-fixada ou híbrida).

5. Faça a aplicação

Escolhida a debênture, basta informar o valor que deseja investir e confirmar a operação. A partir daí, o título passa a fazer parte da sua carteira.

Dica: se você se interessa pela rentabilidade e pelas vantagens das debêntures, mas ainda não se sente seguro para escolher entre os diferentes tipos de títulos, existe um caminho mais simples: investir por meio de fundos de investimento que aplicam em debêntures.

Ao fazer isso, você delega a gestão do dinheiro a um profissional, que fica responsável por selecionar os títulos, realizar as aplicações e acompanhar o desempenho do fundo ao longo do tempo. Bem mais prático, não é mesmo?

Conclusão

Existem diversos tipos de investimentos, pensados para diferentes perfis e objetivos. Se você busca rendimentos maiores do que os da caderneta de poupança, mas ainda não se sente confortável em assumir os riscos da renda variável, as debêntures podem ser uma alternativa interessante – embora não sejam a única.

Caso tenha interesse em investir em debêntures, faça uma pesquisa para entender se o emissor, os prazos e as condições se adequam à sua estratégia. Afinal, o mais importante é que você sinta segurança ao fazer seu investimento, não importa o tipo de ativo.

Perguntas frequentes sobre debêntures

Ainda tem dúvidas sobre as debêntures? Respondemos a algumas das principais perguntas sobre o tema para te ajudar.

Debêntures pagam Imposto de Renda?

Com exceção das debêntures incentivadas, todas as demais são tributadas pela Tabela Regressiva do Imposto de Renda, com alíquotas entre 22,5% e 15%, conforme o prazo do investimento. Como esses títulos costumam ter vencimento longo, a tributação mais comum é de 15%, a menor alíquota da tabela.

Já nos casos em que há pagamento periódico de juros, o IR incide no momento do recebimento, geralmente à alíquota de 22,5%.

Debêntures são indicadas para investidores iniciantes?

Não. Apesar de fazerem parte da renda fixa, as debêntures apresentam riscos maiores do que outros investimentos dessa categoria e possuem características mais complexas, o que torna o seu funcionamento menos intuitivo para quem está  começando a investir.

Quanto rende 10 mil em debêntures?

Depende da taxa da debênture, do prazo e do tipo de remuneração. Em uma debênture com remuneração próxima de IPCA + 6% ao ano e prazo de cerca de 5 anos,um investimento de R$ 10 mil pode se transformar em algo entre R$ 14 mil e R$ 16 mil no vencimento, a depender da inflação do período e da incidência (ou não) de Imposto de Renda. Debêntures incentivadas tendem a ficar mais próximas do topo dessa faixa, já que não sofrem desconto de IR.

Como vender uma debênture antes do prazo?

É possível vender uma debênture antes do vencimento pela própria corretora, no mercado secundário, que é o ambiente onde investidores negociam títulos entre si. Porém, essa venda pode não acontecer rapidamente e o preço pode ser maior ou menor do que o valor pago na compra, a depender das condições do mercado no momento.

Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br
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