jan, 2026 Investimentos

JURO11: o que é, qual a rentabilidade e como investir?

Thiago Koguchi

Se você já ouviu falar em fundos de infraestrutura, já deve saber que o JURO11 é um exemplo que chama atenção. Afinal, ele combina a segurança relativa da renda fixa com a oportunidade de retorno acima da inflação, além de pagar dividendos mensais isentos de imposto de renda.

Mas, como todo investimento, o JURO11 requer análise: é preciso entender riscos, acompanhar o mercado e decidir se faz sentido para o seu perfil e seus objetivos financeiros.

Quer saber mais sobre esse ativo? Siga com a gente para descobrir as respostas para estas perguntas:

  • O que é o JURO11?
  • O que está acontecendo com o JURO11?
  • Qual é o P/VP do JURO11?
  • Quais são as principais vantagens do JURO11?
  • Quais são os riscos de investir no JURO11?
  • JURO11 paga dividendos?
  • Qual é a diferença entre JURO11 e Tesouro IPCA+?
  • Como investir no JURO11?
  • Vale a pena ter JURO11 na carteira de investimentos?

Atenção: este é um conteúdo meramente informativo e não se trata de uma recomendação de investimento.

Vamos lá?

O que é o JURO11?

O JURO11 é o ticker do Sparta Infra FIC FI-Infra Renda Fixa Crédito Privado, um fundo de investimento gerido pela Sparta que aplica recursos em títulos de renda fixa do setor de infraestrutura (especialmente debêntures incentivadas).

Temos aqui um fundo de fundos que investe em ativos ligados a projetos de infraestrutura, que segue o modelo de condomínio fechado e com prazo indeterminado. Por ser um investimento de renda fixa incentivada, seus rendimentos são isentos de Imposto de Renda para o cotista.

O que está acontecendo com o JURO11?

O momento atual tem sido positivo para investimentos de renda fixa, algo que ajuda diretamente o JURO11. Com os juros no Brasil ainda muito altos (perto de 15% ao ano) e a inflação acumulando níveis relevantes, os títulos que fazem parte do fundo seguem rendendo bem.

Em outras palavras, isso significa que o JURO11 tem conseguido entregar ganhos acima dos objetivos que ele mesmo definiu. De acordo com análises recentes do mercado, o fundo chegou a apresentar retornos próximos de inflação de curto prazo + 4% a 5% ao ano — um resultado bem acima do esperado inicialmente.

Além disso, o JURO11 se destaca pela liquidez: ele movimenta cerca de R$ 4 milhões por dia na Bolsa. Esse fato, inclusive, o coloca entre os fundos mais negociados da B3.

Outro ponto importante é a regularidade dos rendimentos pagos aos investidores. No fim de 2025, por exemplo, o fundo anunciou a distribuição de R$ 1,00 por cota, totalizando aproximadamente R$ 20,6 milhões, com pagamento previsto para janeiro de 2026.

Esse é um valor que segue o mesmo padrão observado em meses anteriores, como setembro e outubro de 2025. Ou seja, esses pagamentos frequentes mostram que o JURO11 tem conseguido manter uma renda mensal relativamente estável.

Qual é o P/VP do JURO11?

O P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) do JURO11 tem ficado próximo de 1,0, isto é, a cota de mercado tem negociado praticamente no seu valor patrimonial.

Em data recente, por exemplo, o valor patrimonial do fundo estava em torno de R$ 101,67 por cota, com cotação de mercado em cerca de R$ 103,15 — o que resulta em um P/VP de aproximadamente 1,01. Isso indica que o preço de mercado da cota estava apenas ~1% acima do valor contábil.

Atenção: o P/VP é um índice que varia conforme oscilações de mercado e fluxo de compra e venda. Em momentos de maior procura pode subir acima de 1, e em momentos de aversão pode ficar abaixo de 1. Então, o ideal é que, a cada data, você cheque o P/VP atual.

Qual a rentabilidade do JURO11?

O JURO11 gera retorno para quem investe principalmente de duas formas:

  1. Pelos juros pagos pelos títulos ligados à inflação;
  2. Pelo ganho adicional com crédito.

Ao longo do tempo, isso tem resultado em uma rentabilidade total relevante, que soma a valorização da cota com os rendimentos distribuídos. Em um relatório oficial divulgado pela gestora Sparta em maio de 2024, foi informado que, nos 12 meses anteriores, o índice IMA-B 5 — que acompanha títulos públicos atrelados à inflação de curto prazo — rendeu cerca de 8,9%, enquanto o JURO11 acumulou aproximadamente 17,8% no mesmo período. Ou seja, um desempenho bem acima da inflação.

Atenção: a rentabilidade do JURO11 não é fixa e pode mudar conforme o cenário econômico. Quando as taxas pagas pelas debêntures caem, o valor desses títulos tende a subir, o que ajuda na valorização do fundo. Já quando essas taxas sobem, pode haver quedas temporárias no valor da cota.

Dá uma olhada em alguns outros fatores que interferem na rentabilidade do JURO11:

  • Taxas de juros e inflação: o rendimento dos títulos pós-fixados acompanha índices como CDI e IPCA. Juros altos (como o CDI em 15%) tendem a aumentar o “carrego” real do fundo. Se a inflação subir, os papéis indexados ao IPCA também rendem mais;
  • Spreads de crédito: a rentabilidade depende dos títulos adquiridos. Se a demanda por debêntures incentivadas aumenta, seus preços sobem e os spreads caem, elevando ganhos para os atuais cotistas. Se as condições se inverterem, há impacto negativo no valor dos ativos;
  • Gestão ativa: a estratégia da gestora – substituir papéis, mudar prazos e setores – afeta os retornos. Uma boa gestão busca capturar ganhos de marcação a mercado sempre que possível, o que pode aumentar a rentabilidade;
  • Condições econômicas e regulatórias: mudanças na economia (recessão ou elevação de juros) ou em regras de tributação também podem influenciar. Ajustes regulatórios que estimulem ou desestimulem emissão de debêntures, por exemplo, afetam a oferta de ativos para o fundo;
  • Prazo e duration: embora o JURO11 tenha duração média moderada, oscilações de juros de longo prazo ainda podem causar variações em seu valor de mercado.

Quais são as principais vantagens do JURO11?

O JURO11 oferece várias vantagens potenciais para investidores interessados em renda fixa e infraestrutura. Confira alguns dos principais benefícios:

  • Isenção de Imposto de Renda: por ser um fundo incentivado de infraestrutura, os rendimentos distribuídos pelo JURO11 são isentos de IR para pessoas físicas. Logo, o ganho líquido do cotista maior em comparação com investimentos semelhantes tributados;
  • Acesso a infraestrutura com baixo aporte: ao investir em JURO11 via Bolsa, mesmo investidores com quantias relativamente pequenas podem acessar o setor de infraestrutura;
  • Rentabilidade acima de índices de referência: a meta de longo prazo do fundo foi definida como IMA-B 5 + 2% ao ano (cerca de IPCA + um prêmio real). Na prática, o fundo tem conseguido superar esse objetivo recente, embora ainda fique o alerta de que ganhos passados não garantem sucesso futuro;
  • Liquidez em Bolsa: diferentemente de um título de crédito privado exclusivo, o JURO11 tem negociação diária em Bolsa. Ou seja, é possível comprar e vender cotas com certa facilidade no pregão;
  • Distribuições regulares: o fundo costuma distribuir proventos mensalmente. Historicamente, como visto nos comunicados ao mercado, o JURO11 tem pagado cerca de R$ 1,00 por cota a cada mês;
  • Gestão profissional e diversificação de ativos: a carteira do fundo é composta por dezenas de debêntures de diferentes projetos e empresas de infraestrutura. Isso oferece ao investidor diversificação de crédito com profissionais dedicados.

Quais são os riscos de investir no JURO11?

Investir no JURO11 também envolve riscos que devem ser considerados cuidadosamente. Veja só:

  • Risco de crédito: o fundo aplica em debêntures privadas de infraestrutura. Embora muitas sejam de empresas sólidas, há sempre o risco de calote ou atraso em pagamentos por parte dos emissores. Se algum projeto enfrentar dificuldade financeira, isso pode afetar o retorno do fundo;
  • Risco de mercado (juros): como qualquer ativo de renda fixa, o valor de mercado das cotas oscila com as mudanças nas taxas de juros. Se os juros subirem forte, o valor patrimonial da cota tende a cair (ao contrário, pode subir se os juros caírem);
  • Risco de liquidez pontual: apesar da alta liquidez média, situações extraordinárias de mercado poderiam dificultar a venda imediata de grandes volumes de cotas pelo valor de mercado. Em cenários de crise, o desconto no P/VP pode aumentar;
  • Risco regulatório: mudanças na legislação dos fundos incentivados ou de tributação podem impactar a atratividade do investimento. Por exemplo, alteração nas regras de isenção ou nos requisitos de distribuição podem afetar os rendimentos líquidos;
  • Risco de concentração setorial: o JURO11 é focado em infraestrutura. Então, eventuais choques severos nesse setor específico (mudanças políticas, ambientais ou tecnológicas) podem impactar simultaneamente vários títulos da carteira;
  • Variação do “carrego” futuro: caso o ambiente de juros e inflação mude muito (forte queda do IPCA ou corte de juros), o potencial de carrego (juros acima do indexador) do fundo pode diminuir.

JURO11 paga dividendos?

Sim, o JURO11 distribui rendimentos aos cotistas regularmente. Os juros recebidos das debêntures da carteira são repassados como proventos, sem cobrança de imposto de renda na fonte.

Segundo comunicados oficiais, os pagamentos costumam ficar em torno de R$ 1,00 por cota por mês, como anunciado em 12/09/2025 e 15/01/2026 — esses valores seguem o resultado acumulado do período.

Lembre-se: o fundo distribui o caixa gerado pela carteira (o que inclui juros e amortizações) como rendimentos aos investidores. Além disso, a legislação exige que fundos de infraestrutura repassem a maior parte do lucro líquido periodicamente. Quando o valor patrimonial da cota está acima de 100, os gestores mantêm os dividendos. Se cair, podem reduzir pagamentos ou amortizar parte do capital até a normalização.

Qual é a diferença entre JURO11 e Tesouro IPCA+?

O Tesouro IPCA+ é um título público que paga ao investidor a inflação (IPCA) mais uma taxa fixa definida na hora da compra. Já o JURO11 é um fundo de infraestrutura que aplica em debêntures de empresas privadas.

Temos no Tesouro IPCA+ um título considerado muito seguro, já que o seu pagamento é garantido pelo governo e é ideal para quem quer proteger o dinheiro da inflação no longo prazo.

O JURO11, por outro lado, oferece potencial de retorno acima da inflação, mas envolve risco de crédito e oscilações de mercado. Além disso, os rendimentos do JURO11 são isentos de imposto de renda, enquanto o Tesouro IPCA+ sofre tributação conforme tabela regressiva.

Observe melhor as diferenças na tabela comparativa a seguir:

Característica Tesouro IPCA+ JURO11
Tipo de investimento Título público de renda fixa Fundo de investimento em infraestrutura
Rentabilidade IPCA + taxa prefixada (fixa) IPCA + prêmio de crédito (potencial maior de retorno)
Risco de crédito Muito baixo (garantido pelo governo) Médio a alto (depende das empresas emissoras)
Tributação Come-cotas semestral ou no resgate (IR) Isento de IR para o investidor
Frequência de pagamento Semestral Mensal
Liquidez Média (recompra via Tesouro Direto) Alta (cotas negociadas na B3 diariamente)
Acesso Qualquer investidor com pequena quantia Negociável em Bolsa para todos os investidores

Como investir no JURO11?

Para investir no JURO11, o passo a passo é este:

  1. Abra uma conta em uma corretora de valores ou banco: escolha uma instituição financeira ou corretora autorizada e cadastre-se para operar na bolsa (B3). Será necessário ter conta em corretora que ofereça acesso a esse tipo de ativo;
  2. Habilite seu perfil de investidor: verifique se você atende aos requisitos para investir em fundos (pode ser exigido comprovante de investidor qualificado para subscrições primárias);
  3. Deposite recursos: transfira dinheiro para sua conta na corretora ou banco;
  4. Busque o ticker do fundo: no sistema de negociação da corretora (home broker), procure pelo código JURO11. Este é o código de negociação do Sparta Infra FIC na B3;
  5. Analise o preço: verifique o valor da cota de mercado e o valor patrimonial divulgado (para ter ideia do P/VP);
  6. Envie uma ordem de compra: insira a quantidade de cotas que deseja comprar e defina o preço (pode usar ordem limitada ou a mercado);
  7. Acompanhe sua posição: após executada a compra, as cotas aparecerão em sua carteira. Você passará a receber os rendimentos mensais pagos pelo fundo (creditados automaticamente em sua conta, sem IR).
  8. Mantenha-se informado: para acompanhar a performance e distribuição do fundo, consulte comunicados da administração, relatórios mensais e demonstrativos em canais oficiais (B3, site da Sparta, CVM, etc.).

Atenção: essa não é uma recomendação de investimento. O passo a passo acima meramente descreve o caminho a ser feito por aqueles que desejam investir no JURO11.

Vale a pena ter JURO11 na carteira de investimentos?

Não há resposta única se o JURO11 vale a pena para todas as carteiras, afinal, essa decisão depende do perfil de cada pessoa investidora e do contexto econômico. De modo geral, o JURO11 pode ser interessante para quem busca renda fixa indexada à inflação com isenção fiscal e exposição ao setor de infraestrutura.

É uma alternativa ao Tesouro IPCA+, por exemplo, para quem aceita um pouco mais de risco em troca de um potencial de rentabilidade maior.

Para decidir se deve incluí-lo na carteira, porém, o ideal é que você compare o retorno histórico do fundo, o P/VP atual e as perspectivas de spreads de crédito com outras opções (como títulos públicos, CDBs, fundos de debêntures ou outros FIIs).

Também é bem importante considerar os riscos desse investimento — lembre-se: a rentabilidade do JURO11 pode variar. Antes de investir, o ideal é analisar métricas como a performance de suas debêntures, as características da carteira (duration e qualidade dos emissores) e fatores macro (cenário de juros e inflação), além de conferir como o fundo se comporta em diferentes cenários.

Recapitulando os pontos mais importantes…

No fim das contas, o JURO11 desponta como uma opção interessante para quem busca renda fixa com potencial de retorno acima da inflação.

Seu foco em debêntures de infraestrutura permite a você acessar projetos corporativos e receber juros atrelados à inflação e ao crédito das empresas. Além disso, historicamente, o fundo tem conseguido entregar retornos consistentes, superando índices de referência como o IMA-B 5 — mas sempre sujeito a oscilações de mercado e ao risco de crédito corporativo, é claro.

Inclusive, esse é um lembrete que precisa ser reforçado: o JURO11 não é um investimento sem risco.

Embora ofereça liquidez em Bolsa e pagamentos regulares, fatores como variação nos spreads de crédito, condições macroeconômicas e desempenho das empresas emissoras podem afetar a rentabilidade.

Assim, antes de incluir JURO11 na carteira, fica a dica: analise seu perfil, horizonte de investimento e objetivos financeiros, considerando esse fundo como parte de uma estratégia diversificada, ao lado de ativos de menor risco e outros investimentos que complementem o portfólio.

Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br
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