jan, 2026 CDB

Investir em CDB ainda vale a pena ou há opções melhores?

Thiago Koguchi

Os CDBs são daqueles títulos versáteis, que fazem parte não somente da estratégia dos perfis mais conservadores, mas também de investidores mais experientes.

Afinal, embora pertençam à classe da renda fixa, são produtos de investimento que apresentam boa variedade de formatos de remuneração, prazos e taxas de retorno.

Se a sua dúvida é se ainda vale a pena concentrar parte do seu capital em CDBs em 2026, siga na leitura. Aqui, vamos responder a todas estas perguntas:

  • O que é CDB e como funciona?
  • Qual é a diferença entre CDB e CDI?
  • Quais são as desvantagens de investir em CDB?
  • Quais são os tipos de CDBs?
  • É bom investir em CDB hoje?
  • Tem chance de perder dinheiro no CDB?
  • Como investir em CDBs?
  • Afinal, vale a pena investir em CDBs?

Vamos lá?

O que é CDB e como funciona?

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos.

Quando você investe em um CDB, está “emprestando” dinheiro ao banco por um prazo determinado. Em troca, se mantiver o investimento até o final do prazo combinado, recebe os juros acordados no momento da aplicação.

O funcionamento do CDB envolve três elementos centrais:

  • Valor investido;
  • Prazo;
  • Taxa de rentabilidade.

O prazo define quando o dinheiro poderá ser resgatado — um CDB pode ter liquidez diária ou apenas no vencimento. Já a taxa determina quanto o capital vai render, e pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida.

Além disso, o CDBs conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre perdas de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, dentro de um limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Qual é a diferença entre CDB e CDI?

O CDB é um produto de investimento. Já o CDI é uma taxa de referência do mercado financeiro.

Para você entender melhor: enquanto o CDB representa o título que uma pessoa investidora compra, o CDI reflete a taxa média das operações de empréstimos de curtíssimo prazo realizadas entre bancos, geralmente com vencimento de um dia.

Inclusive, grande parte dos CDBs pós-fixados utiliza o CDI como base de remuneração. Quando um CDB paga, por exemplo, 100% do CDI, isso significa que ele vai render exatamente a variação dessa taxa ao longo do período da aplicação. Já os percentuais maiores ou menores indicam rentabilidade acima ou abaixo da taxa de referência.

E tem mais: o CDI acompanha de perto a taxa Selic, que é definida pelo Banco Central. Por isso, quando os juros básicos da economia sobem, os CDBs atrelados ao CDI tendem a se tornar mais atrativos. Agora, quando a Selic cai, a rentabilidade desses títulos também diminui, o que afeta diretamente o retorno de quem tem CDBs no portfólio.

Quais são as desvantagens de investir em CDB?

Embora sejam considerados investimentos conservadores e, portanto, relativamente seguros, os CDBs apresentam limitações que precisam ser avaliadas antes da aplicação:

  • Liquidez limitada em alguns casos: muitos CDBs só permitem resgate no vencimento. Isso pode ser um problema se você precisar do dinheiro antes do prazo, já que não há garantia de venda antecipada;
  • Imposto de Renda regressivo: os rendimentos dos CDBs sofrem tributação conforme o prazo da aplicação, começando em 22,5% e chegando a 15%. Logo, resgates antecipados reduzem o retorno líquido;
  • Rentabilidade inferior a ativos de maior risco: em horizontes mais longos, o CDB tende a render menos do que investimentos em renda variável. Se o seu perfil for compatível, vale mesclar as duas classes no portfólio.

Quais são os tipos de CDBs?

Os CDBs podem ser classificados de acordo com a forma como a rentabilidade é definida. Naturalmente, essa escolha impacta diretamente o risco e o retorno do investimento. Veja só quais tipos existem:

  • CDB prefixado: oferece uma taxa fixa conhecida no momento da aplicação. Ele é mais previsível, pois se sabe exatamente quanto receberá no vencimento, mas perde competitividade se os juros da economia subirem durante o período;
  • CDB pós-fixado: tem sua rentabilidade atrelada a um indexador, geralmente o CDI. Esse tipo acompanha as variações da taxa de juros e tende a ser mais flexível em cenários de incerteza ou de alta da Selic;
  • CDB híbrido: combina uma taxa fixa com um indexador, como a inflação. Ele é utilizado por quem busca proteger o poder de compra ao longo do tempo e conquistar um ganho real acima da variação dos preços.

Não se esqueça: você recebe o retorno combinado na hora da aplicação apenas se mantiver o seu CDB até o fim do prazo indicado. Se resgatar o valor antes disso, pode ter que arcar com uma tributação maior do Imposto de Renda e perder parte da rentabilidade. Antes de investir, certifique-se de ter certeza que não vai precisar do dinheiro no curto prazo.

É bom investir em CDB hoje?

Investir em CDBs hoje ainda faz sentido quando comparado a outras opções de renda fixa porque as taxas de juros no Brasil estão em patamares historicamente altos.

Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, um dos níveis mais elevados nas últimas décadas, e sinalizou a possibilidade de manter esse patamar por um período prolongado, apesar de pressões por cortes no futuro próximo devido à desaceleração econômica e a uma inflação que ainda está acima da meta.

Com os juros elevados, os CDBs atrelados ao CDI continuam a oferecer retornos competitivos.

Por exemplo, um CDB que esteja pagando 100% do CDI com Selic em torno de 15% apresenta rentabilidade anual líquida acima de 12%, superando a poupança e outros produtos menos arriscados, especialmente se contratado com bancos mais competitivos.

E não é só isso: CDBs que pagam acima de 105% do CDI podem entregar retorno anual líquido na faixa de 11% a 12% ao longo de 2026. Aqui, temos um desempenho que muitos especialistas de renda fixa consideram bem atrativo no atual ciclo de juros altos.

Por outro lado, é claro, é importante considerar que as projeções de juros futuros refletem expectativas de possíveis cortes na Selic em 2026, especialmente se a economia brasileira desacelerar e a inflação convergir mais rapidamente à meta.

Isso pode reduzir gradualmente os retornos dos CDBs atrelados ao CDI. Nesse caso, seria necessário avaliar bem o prazo do título e o cenário de juros antes de investir.

Na dúvida, uma estratégia comum é combinar diferentes vencimentos e percentuais do CDI para aproveitar altos juros agora e ainda proteger parte do capital caso o mercado de juros caia no futuro.

Tem chance de perder dinheiro no CDB?

O risco de perda em CDBs existe, mas é limitado. O principal risco é o de crédito, ou seja, a possibilidade de o banco emissor não honrar o pagamento. No entanto, esse risco é mitigado pelo FGC, dentro dos limites estabelecidos — de R$ 250 mil de reembolso por CPF e por instituição.

Também há risco de perda relativa de rentabilidade. Em CDBs prefixados, por exemplo, você pode acabar ficando preso a uma taxa inferior às novas condições do mercado caso os juros subam após a aplicação, o que te faria perder uma oportunidade de retorno maior.

Além disso, resgates antecipados podem gerar perdas indiretas. Se você resgatar o investimento antes do prazo combinado, vai pagar mais imposto e, provavelmente, abrir mão de parte da rentabilidade contratada — tudo isso impacta o seu ganho final.

Como investir em CDBs?

Para investir em CDBs, você pode seguir este passo a passo:

  1. Abrir conta em um banco de investimentos ou corretora autorizada pelo Banco Central;
  2. Acessar a área de investimentos e filtrar os CDBs disponíveis;
  3. Avaliar prazo, rentabilidade, formato de remuneração e liquidez de cada um;
  4. Definir o valor a ser investido e confirmar a aplicação;
  5. Acompanhar o rendimento até o vencimento ou data de resgate.

Lembre-se: embora os CDBs sejam investimentos de renda fixa, eles podem apresentar graus variados de risco. Então, não economize tempo no passo 3 — verifique a solidez da instituição emissora e tenha certeza de que as demais condições se encaixam nas suas expectativas e objetivos com o investimento.

Afinal, vale a pena investir em CDBs?

O CDB ainda é uma ferramenta eficiente para quem busca previsibilidade, segurança e organização financeira. Afinal, se encaixa bem em objetivos de curto e médio prazo, como reserva de emergência, compra planejada ou proteção do capital.

Para aqueles investidores iniciantes, o CDB funciona como uma porta de entrada para o mercado financeiro. Isso porque, com um CDB, é mais fácil compreender conceitos básicos como juros, prazos e tributação sem se expor a riscos muito elevados.

Nesse caso, porém, vale ter um pouco de cuidado. Na hora de investir, você notará que as taxas de juros pagas por alguns desses títulos são bem altas. Em geral, essa expectativa de maior retorno não é à toa: servem para compensar o risco maior atrelado ao CDB em questão. Na dúvida, dê uma olhada na solidez da instituição emissora — você pode fazer isso buscando por avaliações de casas de análise.

Já para investidores mais experientes, um CDB pode cumprir um papel estratégico de diversificação dentro de um portfólio. Nesse caso, poderia, por exemplo, fazer parte da base de renda fixa da carteira. Ou seja, estar entre um conjunto de títulos dessa classe para fins de proteção, enquanto ativos mais arriscados, como as ações, estão ali com o objetivo de maximizar retornos.

Isso posto, fica um alerta: um CDB um CDB não deve ser analisado isoladamente como solução para todos os objetivos financeiros.

Com isso, queremos dizer que, muito embora ele normalmente entregue estabilidade e proteção, não substitui investimentos voltados ao crescimento de longo prazo. Uma carteira de investimentos, afinal, precisa ser diversificada para ser sustentável e mais segura.

Então, vale a pena, sim, quando usado de forma consciente, alinhado ao cenário econômico e ao planejamento financeiro de cada pessoa.

Novamente, vale o reforço: apesar de ser um investimento de renda fixa, o CDB não é isento de risco. Inclusive, esse risco tende a ser maior em CDBs emitidos por bancos menores ou menos conhecidos, que costumam oferecer taxas mais altas justamente para compensar essa percepção de maior risco.

Recapitulando os pontos mais importantes…

O CDB é um instrumento de renda fixa versátil, que combina previsibilidade, variedade de prazos e diferentes formas de rentabilidade. Ele funciona bem tanto para quem busca segurança quanto para quem deseja aproveitar momentos de juros elevados, como o atual, em que os títulos atrelados ao CDI se tornam mais competitivos..

Ao mesmo tempo, lembre-se que o CDB não deve ser tratado como uma solução universal. Afinal, existem limitações claras, como liquidez restrita em alguns casos, tributação regressiva e retorno potencialmente menor em comparação a ativos de maior risco no longo prazo.

Além disso, embora o risco seja reduzido pelo FGC, ele não desaparece por completo, especialmente em aplicações acima do limite garantido ou em títulos emitidos por bancos menores, que exigem atenção redobrada ao emissor.

Fica a dica: quando escolhido com critério e combinado com outros ativos, o CDB deixa de ser apenas um investimento conservador e passa a ser uma peça importante na construção de um portfólio equilibrado.

Perguntas frequentes sobre investir em CDB

Ainda tem dúvidas sobre os CDBs? Respondemos a algumas das perguntas mais frequentes sobre o assunto!

É seguro investir em CDBs?

Em geral, sim. CDBs são considerados investimentos de risco baixo porque contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição, dentro do limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Ainda assim, existe risco de crédito do banco emissor, especialmente em CDBs de bancos menores, o que exige atenção ao emissor e ao valor aplicado.

Quanto rende R$ 1.000 no CDB?

Depende da taxa, do prazo e do tipo de CDB. Como referência, um CDB pós-fixado pagando 100% do CDI com juros em torno de 15% ao ano rende algo próximo de R$ 120 líquidos em um ano (já descontado o Imposto de Renda para prazos acima de dois anos). Em prazos menores, o rendimento líquido é um pouco menor por causa da tributação maior.

Quanto rende R$ 10.000 no CDB por mês?

Em um CDB a 100% do CDI, o rendimento mensal bruto gira em torno de 1,1% a 1,2% ao mês com juros elevados, o que dá cerca de R$ 110 a R$ 120 por mês antes de impostos. Após o desconto do Imposto de Renda, o valor líquido mensal tende a ficar um pouco abaixo disso. Lembre-se que esta é apenas uma simulação, já que o rendimento varia de acordo com taxa, prazo e tipo de CDB.

Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br
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