abr, 2026 Ações

Resultados Usiminas (USIM5) 1T26: Lucro de R$ 896 Mi

Luiz Guilherme Aboim

Resultados Usiminas (USIM5) no 1T26: lucro dispara 596% com recuperação da siderurgia

A Usiminas (USIM5) reportou lucro líquido de R$ 896 milhões no 1T26, uma alta de 596% em relação ao 4T25 e de 166% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pela forte recuperação operacional na siderurgia, resultado financeiro positivo e reconhecimento de créditos tributários diferidos. Os resultados Usiminas 1T26 mostram o melhor momento operacional da companhia desde meados de 2022.

O EBITDA ajustado consolidado atingiu R$ 653 milhões, crescimento de 56% frente ao 4T25, com margem EBITDA de 11% — avanço de 4,4 pontos percentuais trimestre a trimestre. A receita líquida ficou em R$ 5,871 bilhões, recuo de 5% na base trimestral, refletindo menores volumes de vendas tanto no aço quanto no minério.

Panorama geral: por que os resultados Usiminas 1T26 importam

O dado-chave: a Usiminas conseguiu mais que dobrar o EBITDA da siderurgia em um trimestre, mesmo com queda de volumes. Isso mostra que a recuperação de margens veio por eficiência e mix de produtos, não por aumento de vendas — um sinal de qualidade operacional.

Após um 2025 marcado por prejuízo contábil de R$ 2,9 bilhões (impactado por impairments relevantes no 3T25), a companhia inicia 2026 com indicadores financeiros saudáveis: caixa líquido positivo, dívida líquida negativa de R$ 391 milhões e alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA) de apenas -0,20x.

Desempenho consolidado — dados trimestrais

Indicador (R$ milhões) 1T26 4T25 Δ t/t 1T25 Δ a/a
Volume de Vendas Aço (mil t) 1.007 1.081 -7% 1.093 -8%
Volume de Vendas Minério (mil t) 1.946 2.463 -21% 2.218 -12%
Receita Líquida 5.871 6.175 -5% 6.858 -14%
EBITDA Ajustado 653 417 56% 733 -11%
Margem EBITDA Ajustado 11% 7% +4,4 p.p. 11% +0,4 p.p.
Lucro (Prejuízo) Líquido 896 129 596% 337 166%
Investimentos (CAPEX) 285 372 -23% 219 30%

Siderurgia: margens dobram mesmo com queda de volumes

Na siderurgia, o volume de vendas recuou cerca de 7% na comparação trimestral (1.007 mil toneladas vs. 1.081 mil toneladas no 4T25), pressionado pela forte queda das exportações após um pico no trimestre anterior.

Por que isso importa: apesar de vender menos, a Usiminas conseguiu aumentar a receita líquida por tonelada, reflexo da melhora no mix de produtos e dos reajustes de preços implementados. O custo por tonelada continuou caindo, apoiado por ganhos de eficiência e efeito câmbio favorável, levando o EBITDA ajustado da siderurgia a mais que dobrar frente ao 4T25, com forte expansão de margem.

Mineração: trimestre sazonalmente mais fraco

O segmento de mineração teve um trimestre mais desafiador. O volume de vendas de minério recuou 21% frente ao 4T25, para 1.946 mil toneladas, em linha com menor produção em período sazonalmente mais fraco e impacto de chuvas intensas nas operações.

Os preços médios ficaram praticamente estáveis, mas o custo-caixa subiu pela menor diluição de custos fixos. Com isso, o EBITDA ajustado da mineração recuou de forma importante, com compressão de margem frente ao trimestre anterior.

Estrutura de capital e endividamento

Indicador (R$ milhões) 1T26 4T25 Δ t/t 1T25 Δ a/a
Capital de Giro 6.128 6.008 2% 7.624 -20%
Caixa e Aplicações 6.691 6.944 -4% 6.556 2%
Dívida Líquida (391) (444) -12% 1.371
Dívida Líquida/EBITDA Ajustado -0,20x -0,22x 0,02x 0,71x -0,92x

A companhia manteve posição de caixa líquido, com dívida líquida negativa de R$ 391 milhões e alavancagem muito baixa (Dívida Líquida/EBITDA de -0,20x). Esse perfil financeiro dá espaço para enfrentar volatilidade de mercado e custos sem comprometer investimentos. O caixa e aplicações totalizaram R$ 6,691 bilhões, nível confortável que sustenta o plano de investimentos em andamento.

Perspectivas para o 2T26

Para o segundo trimestre de 2026, a administração da Usiminas indica expectativa de:

  • Siderurgia: estabilidade de volumes, continuidade da recuperação de preço/mix e pressão de custos, especialmente em matérias-primas, energia e fretes (parte ligados ao conflito no Oriente Médio).
  • Mineração: volumes maiores no 2T26, porém com custos mais elevados, influenciados pelo aumento de fretes marítimos.
  • Defesa comercial: houve antecipação de importações antes da vigência das novas tarifas, mas a visão é de que, com a normalização de estoques, o ambiente tende a ficar mais equilibrado, favorecendo gradualmente volumes e margens da siderurgia doméstica.

Trajetória recente: do pico ao vale e a recuperação

A trajetória da Usiminas reflete claramente o ciclo do aço plano:

  • 2021–2022: auge do ciclo, com preços recordes e margens elevadas, seguido de normalização com queda de preços e aumento de importados.
  • 2023–2024: fase fraca, com excesso de oferta global e spreads apertados. Em 2024, a rentabilidade ficou praticamente nula.
  • 2025: recuperação operacional (receita de R$ 26,3 bi e EBITDA de R$ 2,0 bi, alta de 24%), mas prejuízo líquido de R$ 2,9 bi por impairments contábeis relevantes no 3T25.
  • 1T26: retomada forte, com lucro de R$ 896 mi e margem EBITDA no melhor nível desde 2022.

Tese de investimento e principais riscos

Pilares da tese

A tese de Usiminas é uma aposta no ciclo de aço plano no Brasil, apoiada por:

  • Exposição a aço plano, com foco em automotivo, indústria e construção — setores com expectativa de crescimento em 2026.
  • Recuperação operacional consistente no início de 2026.
  • Possível upside com defesa comercial: se novas tarifas sobre HRC forem aprovadas, o EBITDA pode se expandir significativamente.
  • Valuation descontado, com múltiplos abaixo da média histórica, sugerindo assimetria positiva caso o cenário melhore.

Principais riscos

  • Dependência do ciclo doméstico de aço, com histórico recente de prejuízo líquido mesmo após melhora operacional.
  • Incerteza sobre eficácia das medidas antidumping e risco político na imposição de tarifas.
  • CAPEX elevado (cerca de R$ 1,5 bilhão/ano até 2029), pressionando geração de caixa e dividendos.
  • Volatilidade de preços, câmbio e margens, dada a dinâmica global do setor siderúrgico.

Indicadores fundamentalistas — para ir mais fundo

Para entender melhor os múltiplos e métricas citados neste panorama, confira nossos guias detalhados:

Confira também os resultados de outras empresas do setor: Resultados CSN 4T25.

Este material não é uma recomendação de investimentos, nem de compra e/ou venda de qualquer tipo de valores mobiliários.

Economista, especialista em valuation. Professor convidado do Coppead/UFRJ, FGV e Faculdade HUB. É sócio-fundador da ConfianceTec e da Escola de Finanças Aboim.
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