Resultados Usiminas (USIM5) no 1T26: lucro dispara 596% com recuperação da siderurgia
A Usiminas (USIM5) reportou lucro líquido de R$ 896 milhões no 1T26, uma alta de 596% em relação ao 4T25 e de 166% na comparação anual. O resultado foi impulsionado pela forte recuperação operacional na siderurgia, resultado financeiro positivo e reconhecimento de créditos tributários diferidos. Os resultados Usiminas 1T26 mostram o melhor momento operacional da companhia desde meados de 2022.
O EBITDA ajustado consolidado atingiu R$ 653 milhões, crescimento de 56% frente ao 4T25, com margem EBITDA de 11% — avanço de 4,4 pontos percentuais trimestre a trimestre. A receita líquida ficou em R$ 5,871 bilhões, recuo de 5% na base trimestral, refletindo menores volumes de vendas tanto no aço quanto no minério.
Panorama geral: por que os resultados Usiminas 1T26 importam
O dado-chave: a Usiminas conseguiu mais que dobrar o EBITDA da siderurgia em um trimestre, mesmo com queda de volumes. Isso mostra que a recuperação de margens veio por eficiência e mix de produtos, não por aumento de vendas — um sinal de qualidade operacional.
Após um 2025 marcado por prejuízo contábil de R$ 2,9 bilhões (impactado por impairments relevantes no 3T25), a companhia inicia 2026 com indicadores financeiros saudáveis: caixa líquido positivo, dívida líquida negativa de R$ 391 milhões e alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA) de apenas -0,20x.
Desempenho consolidado — dados trimestrais
| Indicador (R$ milhões) | 1T26 | 4T25 | Δ t/t | 1T25 | Δ a/a |
|---|---|---|---|---|---|
| Volume de Vendas Aço (mil t) | 1.007 | 1.081 | -7% | 1.093 | -8% |
| Volume de Vendas Minério (mil t) | 1.946 | 2.463 | -21% | 2.218 | -12% |
| Receita Líquida | 5.871 | 6.175 | -5% | 6.858 | -14% |
| EBITDA Ajustado | 653 | 417 | 56% | 733 | -11% |
| Margem EBITDA Ajustado | 11% | 7% | +4,4 p.p. | 11% | +0,4 p.p. |
| Lucro (Prejuízo) Líquido | 896 | 129 | 596% | 337 | 166% |
| Investimentos (CAPEX) | 285 | 372 | -23% | 219 | 30% |
Siderurgia: margens dobram mesmo com queda de volumes
Na siderurgia, o volume de vendas recuou cerca de 7% na comparação trimestral (1.007 mil toneladas vs. 1.081 mil toneladas no 4T25), pressionado pela forte queda das exportações após um pico no trimestre anterior.
Por que isso importa: apesar de vender menos, a Usiminas conseguiu aumentar a receita líquida por tonelada, reflexo da melhora no mix de produtos e dos reajustes de preços implementados. O custo por tonelada continuou caindo, apoiado por ganhos de eficiência e efeito câmbio favorável, levando o EBITDA ajustado da siderurgia a mais que dobrar frente ao 4T25, com forte expansão de margem.
Mineração: trimestre sazonalmente mais fraco
O segmento de mineração teve um trimestre mais desafiador. O volume de vendas de minério recuou 21% frente ao 4T25, para 1.946 mil toneladas, em linha com menor produção em período sazonalmente mais fraco e impacto de chuvas intensas nas operações.
Os preços médios ficaram praticamente estáveis, mas o custo-caixa subiu pela menor diluição de custos fixos. Com isso, o EBITDA ajustado da mineração recuou de forma importante, com compressão de margem frente ao trimestre anterior.
Estrutura de capital e endividamento
| Indicador (R$ milhões) | 1T26 | 4T25 | Δ t/t | 1T25 | Δ a/a |
|---|---|---|---|---|---|
| Capital de Giro | 6.128 | 6.008 | 2% | 7.624 | -20% |
| Caixa e Aplicações | 6.691 | 6.944 | -4% | 6.556 | 2% |
| Dívida Líquida | (391) | (444) | -12% | 1.371 | — |
| Dívida Líquida/EBITDA Ajustado | -0,20x | -0,22x | 0,02x | 0,71x | -0,92x |
A companhia manteve posição de caixa líquido, com dívida líquida negativa de R$ 391 milhões e alavancagem muito baixa (Dívida Líquida/EBITDA de -0,20x). Esse perfil financeiro dá espaço para enfrentar volatilidade de mercado e custos sem comprometer investimentos. O caixa e aplicações totalizaram R$ 6,691 bilhões, nível confortável que sustenta o plano de investimentos em andamento.
Perspectivas para o 2T26
Para o segundo trimestre de 2026, a administração da Usiminas indica expectativa de:
- Siderurgia: estabilidade de volumes, continuidade da recuperação de preço/mix e pressão de custos, especialmente em matérias-primas, energia e fretes (parte ligados ao conflito no Oriente Médio).
- Mineração: volumes maiores no 2T26, porém com custos mais elevados, influenciados pelo aumento de fretes marítimos.
- Defesa comercial: houve antecipação de importações antes da vigência das novas tarifas, mas a visão é de que, com a normalização de estoques, o ambiente tende a ficar mais equilibrado, favorecendo gradualmente volumes e margens da siderurgia doméstica.
Trajetória recente: do pico ao vale e a recuperação
A trajetória da Usiminas reflete claramente o ciclo do aço plano:
- 2021–2022: auge do ciclo, com preços recordes e margens elevadas, seguido de normalização com queda de preços e aumento de importados.
- 2023–2024: fase fraca, com excesso de oferta global e spreads apertados. Em 2024, a rentabilidade ficou praticamente nula.
- 2025: recuperação operacional (receita de R$ 26,3 bi e EBITDA de R$ 2,0 bi, alta de 24%), mas prejuízo líquido de R$ 2,9 bi por impairments contábeis relevantes no 3T25.
- 1T26: retomada forte, com lucro de R$ 896 mi e margem EBITDA no melhor nível desde 2022.
Tese de investimento e principais riscos
Pilares da tese
A tese de Usiminas é uma aposta no ciclo de aço plano no Brasil, apoiada por:
- Exposição a aço plano, com foco em automotivo, indústria e construção — setores com expectativa de crescimento em 2026.
- Recuperação operacional consistente no início de 2026.
- Possível upside com defesa comercial: se novas tarifas sobre HRC forem aprovadas, o EBITDA pode se expandir significativamente.
- Valuation descontado, com múltiplos abaixo da média histórica, sugerindo assimetria positiva caso o cenário melhore.
Principais riscos
- Dependência do ciclo doméstico de aço, com histórico recente de prejuízo líquido mesmo após melhora operacional.
- Incerteza sobre eficácia das medidas antidumping e risco político na imposição de tarifas.
- CAPEX elevado (cerca de R$ 1,5 bilhão/ano até 2029), pressionando geração de caixa e dividendos.
- Volatilidade de preços, câmbio e margens, dada a dinâmica global do setor siderúrgico.
Indicadores fundamentalistas — para ir mais fundo
Para entender melhor os múltiplos e métricas citados neste panorama, confira nossos guias detalhados:
- Margem EBITDA — como interpretar a eficiência operacional
- Dívida Líquida/EBITDA — o termômetro de alavancagem
- Preço/Valor Patrimonial (P/VPA) — ações com desconto?
- Preço/Lucro (P/L) — quanto o mercado paga pelo lucro
- ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido)
- Indicadores Fundamentalistas — guia completo
Confira também os resultados de outras empresas do setor: Resultados CSN 4T25.
Este material não é uma recomendação de investimentos, nem de compra e/ou venda de qualquer tipo de valores mobiliários.