mar, 2026 Ações

Resultados Dexco 4T25: Receita de R$ 2,1 bi e Prejuízo Contábil

Luiz Guilherme Aboim

Resultados Dexco 4T25: Receita Estável e Madeira como Pilar de Rentabilidade

Os resultados Dexco 4T25 mostraram uma receita líquida recorrente de R$ 2,1 bilhões (+1,6% a/a), mas com desempenho heterogêneo entre as divisões. O EBITDA ajustado recorrente pró-forma (com LD Celulose) foi de R$ 588 milhões (-9,4% a/a), enquanto o EBITDA standalone ficou em R$ 416 milhões, com margem de 19,9%.

O resultado líquido contábil foi um prejuízo de R$ 48,3 milhões (contra lucro de R$ 22,3 milhões no 4T24), impactado por itens não recorrentes. Já o resultado líquido recorrente foi positivo: lucro de R$ 36,4 milhões (contra prejuízo de R$ 83,6 milhões no 4T24).

Panorama Consolidado do 4T25

Indicador 4T25 4T24 Variação
Receita Líquida Recorrente R$ 2,1 bi R$ 2,07 bi* +1,6%
EBITDA Ajust. Recorrente Pró-Forma R$ 588 mi R$ 649 mi* -9,4%
EBITDA Standalone R$ 416 mi
Margem EBITDA Standalone 19,9%
Resultado Líquido Contábil -R$ 48,3 mi R$ 22,3 mi
Resultado Líquido Recorrente R$ 36,4 mi -R$ 83,6 mi

* Valores calculados a partir das variações percentuais informadas no balanço.

Resultados Dexco 4T25: Desempenho por Divisão

Madeira

A divisão de Madeira foi o grande destaque do trimestre, com volumes recordes e boa rentabilidade. O segmento opera com alto nível de utilização de capacidade em painéis MDF/MDP, sustentado por oferta disciplinada no setor e poder de preço. O mix mais nobre (revestidos, soluções de marcenaria, DNF) amplia a margem e reduz volatilidade.

Em 2025, a Madeira registrou EBITDA ajustado e recorrente recorde de cerca de R$ 1,55 bilhão, com margens altas, consolidando-se como principal pilar de geração de resultado da companhia.

Metais e Louças (Deca)

O segmento Deca sofreu em 2023-2024 com curva de aprendizado industrial e custos, mas entra 2026 com plantas mais estabilizadas e agenda de eficiência. Ainda depende de recuperação da construção civil para retomar crescimento.

Revestimentos Cerâmicos

O segmento de revestimentos permanece como o elo mais fraco, pressionado por excesso de capacidade no setor, competição forte e preços deprimidos. A própria gestão fala em “ano desafiador à frente” com foco em mix, eficiência e geração de caixa.

Resultados Anuais de 2025

Indicador 2025 2024 Variação
Receita Líquida R$ 8,24 bi R$ 8,23 bi +0,2%
EBITDA Ajust. Recorrente R$ 1,65 bi Estável
EBITDA Pró-Forma (com LD Celulose) R$ 2,47 bi R$ 2,44 bi* +1,1%
Lucro Líquido Recorrente R$ 107 mi R$ 201 mi* -46,7%
Lucro Líquido Contábil R$ 63,06 mi

* Valores calculados a partir das variações percentuais informadas no balanço.

No acumulado de 2025, a Dexco manteve sua escala operacional com receita líquida de R$ 8,24 bilhões (+0,2% a/a) e EBITDA pró-forma de R$ 2,47 bilhões (+1,1%). No entanto, o lucro líquido recorrente caiu 46,7%, para R$ 107 milhões, pressionado por despesas financeiras elevadas, efeitos não recorrentes e fraqueza nos segmentos de Revestimentos e Deca.

Endividamento e Estrutura de Capital

A Dexco encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 5,5 bilhões e alavancagem de 3,35x EBITDA, patamar considerado alto no atual cenário de juros.

Ao longo de 2025, a empresa executou um relevante plano de liability management, com emissão de debêntures (cerca de R$ 1,5 bilhão) e captação via CPRs (cerca de R$ 1,6 bilhão). Essas operações permitiram o aumento do prazo médio da dívida em cerca de 1,4 ano e a redução da parcela de curto prazo de 27% para 8%, com duration média superior a 5 anos.

O principal ponto de pressão permanece o custo financeiro: a despesa financeira líquida em 2025 foi de R$ 828 milhões (+40% a/a). A cobertura de juros (EBIT/Despesa financeira) ficou em 0,8x, indicando que grande parte do fluxo operacional é consumida por juros.

Resultados Dexco 4T25: Visão Histórica (5 Anos)

2020-2021: Ciclo de boom de materiais de construção (pandemia), com alta demanda por painéis, louças e revestimentos, margens elevadas e avanço em investimentos.

2022: Receita líquida ainda cresce cerca de 4% vs. 2021, mas já com normalização de demanda e início de deterioração de margens.

2023: Ambiente de juros altos e construção mais fraca. Fitch projeta alavancagem acima de 3x, culminando no rebaixamento do rating para BB.

2024: Receita consolidada sobe 11,5% (R$ 8,23 bilhões), com melhora operacional especialmente em Metais e Louças e contribuição relevante da LD Celulose. Margem EBITDA ajustada recorrente no ano em torno de 28,3%.

2025: Resultados mistos — divisão Madeira com EBITDA recorde de cerca de R$ 1,55 bilhão, mas Revestimentos e Deca sob pressão. O 4T25 fecha com prejuízo contábil de R$ 48 milhões.

Tese de Investimento

A tese da Dexco gira em torno da divisão de Madeira como pilar de rentabilidade, combinada com a agenda de desalavancagem e geração de caixa. Os vetores positivos incluem: alto nível de utilização de capacidade em painéis, oferta disciplinada no setor, mix mais nobre e ativo florestal monetizável via parcerias e alienação parcial. A empresa tem estratégia de fortalecer marcas premium (Deca, Portinari, Duratex, Ceusa) e capturar valor via formatos como Casa Dexco (franquias).

Principais Riscos

Alavancagem elevada: Com dívida líquida de R$ 5,5 bilhões e alavancagem de 3,35x EBITDA, o balanço da Dexco permanece pressionado, especialmente com a despesa financeira de R$ 828 milhões em 2025 e cobertura de juros de apenas 0,8x.

Revestimentos sob pressão: Excesso de capacidade no setor, competição forte e preços deprimidos tornam esse segmento o elo mais fraco, com perspectiva de “ano desafiador à frente”.

Dependência do mercado doméstico: Forte concentração no mercado brasileiro e elevada sensibilidade a indicadores macroeconômicos, especialmente taxa de juros e ritmo da construção civil.

Lucro comprimido: Apesar da resiliência operacional, os juros elevados pressionam o lucro líquido, limitando a desalavancagem orgânica via geração de caixa.

Perguntas Frequentes sobre os Resultados Dexco 4T25

Qual foi o resultado da Dexco no 4T25?

A Dexco registrou receita líquida recorrente de R$ 2,1 bilhões (+1,6% a/a) e prejuízo contábil de R$ 48,3 milhões no 4T25. O lucro recorrente foi positivo: R$ 36,4 milhões.

Qual a dívida líquida da Dexco em 2025?

No final de 2025, a dívida líquida da Dexco era de R$ 5,5 bilhões, com alavancagem de 3,35x EBITDA.

Qual divisão da Dexco teve melhor desempenho?

A divisão de Madeira foi o destaque, com EBITDA recorde de cerca de R$ 1,55 bilhão em 2025, volumes recordes e margens altas.

Por que o lucro da Dexco caiu em 2025?

O lucro líquido recorrente caiu 46,7% em 2025, pressionado por despesas financeiras de R$ 828 milhões (+40% a/a), itens não recorrentes e fraqueza em Revestimentos e Deca.

Qual a cobertura de juros da Dexco?

A cobertura de juros (EBIT/Despesa financeira) ficou em 0,8x em 2025, indicando que grande parte do fluxo operacional é consumida por juros.

Este material não é uma recomendação de investimentos, nem de compra e/ou venda de qualquer tipo de valores mobiliários.

Economista, especialista em valuation. Professor convidado do Coppead/UFRJ, FGV e Faculdade HUB. É sócio-fundador da ConfianceTec e da Escola de Finanças Aboim.
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