Resultados CSN 4T25: Receita de R$ 11,4 Bilhões e Prejuízo Ampliado
Os resultados CSN 4T25 revelaram uma receita líquida de R$ 11,4 bilhões, queda de 5,2% em relação ao 4T24, e um prejuízo líquido de R$ 721 milhões — uma piora de 748% frente ao prejuízo de R$ 85 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. O EBITDA ajustado ficou praticamente estável em R$ 3,325 bilhões (-0,3% a/a), com margem EBITDA de 27,8%.
Apesar do desempenho fraco na última linha do balanço, o resultado operacional mostrou resiliência, sustentado sobretudo pela mineração e pela estratégia de margens nos cimentos. Já a siderurgia segue pressionada por importações elevadas e sazonalidade desfavorável.
Panorama Consolidado do 4T25
| Indicador | 4T25 | 4T24 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 11,4 bi | R$ 12,0 bi* | -5,2% |
| EBITDA Ajustado | R$ 3,325 bi | R$ 3,335 bi* | -0,3% |
| Margem EBITDA | 27,8% | — | — |
| Prejuízo Líquido | R$ 721 mi | R$ 85 mi | -748% |
* Valores calculados a partir das variações percentuais informadas no balanço.
Resultados CSN 4T25: Desempenho por Segmento
Siderurgia
O segmento siderúrgico da CSN enfrentou um trimestre desafiador. As vendas no mercado interno caíram 2,9% em relação ao 3T25, impactadas por sazonalidade fraca, estoques altos nas distribuidoras e importações elevadas. Já no mercado externo, a queda foi de 14,3% t/t, reflexo de barreiras tarifárias e ausência de exportações diretas — apenas via subsidiárias.
Um efeito não recorrente positivo de R$ 314 milhões, ligado ao menor uso de capacidade com a parada do Alto-Forno 2, inflou o EBITDA ajustado para R$ 700 milhões (+63,5% t/t). Sem esse efeito, o EBITDA seria de R$ 386 milhões (-9,8% t/t), com margem de apenas 7,4%.
CSN Mineração
A mineração teve mais um trimestre operacionalmente forte, apesar da sazonalidade, com alta produção, bom volume de vendas e preços de minério ainda favoráveis. O EBITDA ajustado foi de R$ 1,8 bilhão (-11,6% t/t), enquanto o lucro líquido alcançou R$ 1,2 bilhão (+72% t/t), mesmo com pressão de custo caixa C1 e fretes marítimos.
CSN Cimentos
A CSN Cimentos viu o volume de vendas cair 14,4% t/t por sazonalidade fraca (chuvas e menos dias úteis) e pela estratégia de priorizar margem em vez de volume. Reajustes de preço continuaram, apoiados por demanda resiliente, mas custos seguiram pressionados por insumos.
O EBITDA ajustado recuou 5,1% em relação ao recorde do 3T25, para R$ 368 milhões, com margem praticamente estável em 29,2%.
Resultados Anuais de 2025
| Indicador | 2025 | 2024 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 44,8 bi | R$ 43,7 bi* | +2,5% |
| EBITDA Ajustado | R$ 11,8 bi | R$ 10,2 bi* | +15,3% |
| Margem EBITDA Estimada | ~26% | ~23% | +3 p.p. |
| Prejuízo Líquido | ~R$ 1,5 bi | ~R$ 1,53 bi* | -2% |
* Valores calculados a partir das variações percentuais informadas no balanço.
No acumulado de 2025, a CSN teve receita líquida de R$ 44,8 bilhões, alta de 2,5% sobre 2024, e EBITDA ajustado de R$ 11,8 bilhões, crescimento de 15,3% a/a. A margem EBITDA expandiu de cerca de 23% para aproximadamente 26%. Ainda assim, o prejuízo líquido foi de cerca de R$ 1,5 bilhão, 2% menor que no ano anterior.
Endividamento e Estrutura de Capital
A CSN opera com endividamento elevado, mantendo indicadores de alavancagem bem acima da média do setor. No final de 2025, a dívida líquida era de R$ 41,2 bilhões (contra R$ 37,5 bilhões no 3T25), com alavancagem de 3,14x EBITDA ajustado.
A despesa financeira líquida em 2025 foi de R$ 1,3 bilhão, evidenciando que a estrutura de capital continua pesada. O prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão no ano, mesmo com melhora operacional em alguns negócios, reflete o custo dessa alavancagem.
Plano de Desinvestimentos
A CSN reforçou o foco em seu plano de desinvestimentos, estruturado em duas frentes principais:
1. Venda do controle da CSN Cimentos: O processo competitivo já atraiu diversos potenciais compradores internacionais. A expectativa é de assinatura até o 3T26.
2. Alienação de ativos da CSN Infraestrutura: Operação mais complexa, pois exige a criação de uma nova estrutura societária e a transferência de ativos condicionados a aprovações regulatórias. A meta de conclusão também é o 3T26.
No total, a empresa estima uma potencial monetização de até R$ 18 bilhões, o que pode viabilizar uma redução relevante do endividamento. A CSN também indicou que avalia outras alternativas para reforço de liquidez, com possibilidade de anúncio no curto prazo.
Rating Rebaixado pela S&P Global
A S&P Global rebaixou a nota de crédito global da CSN de BB- para B+, mantendo perspectiva negativa. Segundo a agência, a alavancagem ajustada deve permanecer acima de 5x em 2026 caso não haja venda de ativos.
A perspectiva negativa reflete a possibilidade de novo rebaixamento se as condições de negócios se deteriorarem, com preços da mineração abaixo do esperado, margens do aço sob pressão persistente e ausência de desinvestimentos. A S&P avalia que esse cenário pode pressionar ainda mais a alavancagem e a liquidez da companhia.
Tese de Investimento
A CSN é uma empresa cíclica e diversificada, com exposição a siderurgia, mineração, cimentos e infraestrutura. A tese construtiva depende de três pilares: (1) execução do plano de desinvestimentos de até R$ 18 bilhões para desalavancar o balanço; (2) continuidade da melhora operacional na mineração e cimentos; e (3) recuperação das margens na siderurgia, hoje pressionada por importações elevadas e fraca demanda interna.
Principais Riscos
Endividamento elevado: A dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,14x EBITDA colocam a CSN em posição vulnerável a ciclos adversos. O rebaixamento pela S&P Global para B+ reforça esse risco.
Dependência dos desinvestimentos: Sem a materialização das vendas de ativos (cimentos e infraestrutura), a empresa não consegue reduzir sua alavancagem de forma relevante.
Pressão na siderurgia: Importações elevadas, barreiras tarifárias e sazonalidade fraca limitam o potencial de recuperação do segmento no curto prazo.
Risco de novo rebaixamento: A perspectiva negativa da S&P indica que um novo corte na nota é possível se os desinvestimentos não avançarem.
Perguntas Frequentes sobre os Resultados CSN 4T25
Qual foi o prejuízo da CSN no 4T25?
A CSN registrou prejuízo líquido de R$ 721 milhões no 4T25, uma piora de 748% frente ao prejuízo de R$ 85 milhões no 4T24.
Quanto foi a receita líquida da CSN no 4T25?
A receita líquida da CSN no 4T25 foi de R$ 11,4 bilhões, queda de 5,2% na comparação anual.
Qual a dívida líquida da CSN em 2025?
No final de 2025, a dívida líquida da CSN era de R$ 41,2 bilhões, com alavancagem de 3,14x EBITDA ajustado.
O que é o plano de desinvestimentos da CSN?
A CSN planeja vender o controle da CSN Cimentos e ativos da CSN Infraestrutura, com potencial de monetização de até R$ 18 bilhões, visando reduzir o endividamento.
Por que a S&P rebaixou a nota da CSN?
A S&P Global rebaixou a CSN de BB- para B+, citando riscos de execução e prazo prolongado para redução da alavancagem, que pode ficar acima de 5x em 2026 sem vendas de ativos.
Este material não é uma recomendação de investimentos, nem de compra e/ou venda de qualquer tipo de valores mobiliários.