fev, 2026 Fundos de Investimento

Fundos de renda fixa: quais os custos e como investir

Thiago Koguchi

O receio de assumir riscos ou a falta de tempo para se dedicar aos investimentos são suas desculpas para não ir além dos títulos tradicionais de renda fixa? Saiba então que existem opções com possibilidades de rendimentos maiores, que não exigem nenhum conhecimento técnico de sua parte, e que não são tão voláteis e arriscados quanto outros de renda variável, apesar de pertencerem à classe.

Bateu o interesse? Então, continue conosco, pois mostraremos tudo o que você precisa saber sobre os fundos de renda fixa, uma das opções mais acessíveis e práticas para quem busca diversificar o portfólio, mas que ainda não tem experiência ou muita confiança ao investir.

Vamos explicar em detalhes o que são fundos de renda fixa, como funcionam os fundos de renda fixa, os principais tipos, as vantagens e desvantagens de se investir nesse tipo de ativo, além de outros pontos importantes.

O que são fundos de renda fixa?

Fundos de renda fixa são fundos de investimento que aplicam a maior parte do patrimônio captado junto aos cotistas em ativos de renda fixa, ou seja, títulos nos quais as regras de remuneração são conhecidas no momento da aplicação ou seguem indicadores amplamente divulgados do mercado. 

Isso não significa que o rendimento seja sempre exatamente igual, mas sim que ele obedece a uma lógica mais previsível, ligada a juros, inflação ou índices de referência.

Para que um fundo seja classificado como fundo de renda fixa pela regulamentação brasileira, ele precisa manter no mínimo 80% do seu patrimônio investido em ativos ligados à variação da Selic, do CDI, do IPCA ou de outros índices de mercado. Olha só os principais exemplos:

Com esses fundos, você consegue ter acesso a uma carteira diversificada de ativos de baixo risco por meio de uma única aplicação, sem precisar escolher individualmente cada título, analisar emissores ou acompanhar vencimentos. Toda essa parte logística fica a cargo da gestora profissional do fundo.

É por isso, inclusive, que fundos de renda fixa costumam ser o primeiro passo de muitos investidores que querem sair da poupança, por exemplo, e buscar investimentos com maior potencial de retorno, mas ainda priorizam segurança, simplicidade e previsibilidade.

Como funcionam os fundos de renda fixa?

Os fundos de renda fixa funcionam como qualquer outro fundo de investimentos. Isto é, são aplicações coletivas, onde recursos de diferentes pessoas — sejam elas físicas ou jurídicas — são reunidos em um único montante e investidos, conjuntamente, por um profissional (a gestora) ou por uma instituição financeira.

A particularidade desses fundos está justamente na composição da carteira de investimentos que, como vimos, deve ter ao menos 80% de seu patrimônio investido em ativos de renda fixa. 

Como uma maneira de aumentar a rentabilidade do fundo, os 20% restantes podem ser alocados livremente, em ativos com maior risco de crédito e em derivativos.

A escolha desses produtos financeiros, contudo, não cabe aos cotistas. É tarefa exclusiva da gestora, que além das aplicações, tem a liberdade para definir as estratégias de aporte da forma que julgar necessário — incluindo a possibilidade de alavancagem, que é a prática de operar valores superiores aos que se tem em caixa. Sua atuação, contudo, é regida pelo regulamento interno e pelas políticas predefinidas do fundo.

Entre outros fatores, suas ações são delimitadas pela forma de gestão predeterminada, a qual pode ser:

  • Passiva: fundos com gestão passiva buscam acompanhar o desenvolvimento de um benchmark, ou seja, um indicador de mercado. Em vez de compor uma carteira personalizada, o gestor apenas faz aplicações em índices de investimento como IPCA e o CDI;
  • Ativa: fundos com gestão ativa, por outro lado, têm o objetivo de superar um indexador estabelecido. Nestes, além de ter o cuidado de acompanhar um índice, o gestor necessita trabalhar com estratégias e análises mais minuciosas, para rebalancear a carteira.

Ao fim, o rendimento obtido é distribuído entre os cotistas de maneira proporcional aos valores aportados por cada um — ou seja, quanto mais cotas você tiver, maior será a sua participação nos lucros.

Da mesma forma, as despesas de corretagem e custódia, incluindo as taxas administrativas e de performance (bônus pago ao gestor, em casos onde sua rentabilidade seja superior à do índice de referência seguido pelo fundo), também são divididas entre todos.

Qual a diferença entre renda fixa e fundo de renda fixa?

A renda fixa é uma classe de investimentos, enquanto um fundo de renda fixa é um produto financeiro que investe nessa classe. Ou seja, a renda fixa é o “tipo” de ativo, e o fundo é uma das formas possíveis de acessar esses ativos.

Quando falamos em renda fixa, estamos nos referindo a títulos específicos, como Tesouro Direto, CDBs, LCIs, LCAs e debêntures. Neles, você aplica diretamente em um ativo, conhece as regras de remuneração, o prazo e, em muitos casos, consegue estimar o retorno desde o início. É você que escolhe o título, decide quando aplicar e quando resgatar, e acompanha o investimento de forma individual.

Já o fundo de renda fixa é um produto coletivo. Você compra cotas do fundo, e o dinheiro é administrado por uma gestora profissional, que monta e ajusta uma carteira com diversos ativos de renda fixa. 

Nesse caso, os cotistas não escolhem os títulos individualmente, mas se beneficiam da diversificação e da gestão especializada. Em contrapartida, o fundo tem custos específicos, como taxa de administração e, às vezes, de performance. 

Além disso, o valor da cota pode variar diariamente, mesmo que o portfólio do fundo seja composto majoritariamente por ativos de renda fixa. Afinal, as cotas é que são negociadas no B3.

Quais são os tipos de fundos de renda fixa?

De acordo com os tipos de ativos aplicados e as políticas de investimento adotadas, fundos de renda fixa podem ser classificados como:

  • Simples;
  • Curto prazo;
  • Longo prazo;
  • Referenciado DI;
  • Dívida externa;
  • Crédito privado.

Entenda o que muda de um para o outro a seguir.

Simples

As carteiras de fundo simples devem aplicar ao menos 95% do seu patrimônio em títulos públicos emitidos pelo Governo Federal, por meio do Tesouro Direto, ou em papéis de instituições financeiras que tenham classificação de risco equivalente. São vedadas aplicações no exterior ou concentração de crédito privado.

Criado para ser uma opção segura, barata e simples de investimento, o fundo de renda fixa simples é considerado a opção mais previsível do mercado. É, portanto, o modelo ideal para investidores iniciantes ou com perfil estritamente conservador.

Curto prazo

Pelas regras da CVM, para um fundo ser classificado como curto prazo, o prazo médio da carteira deve ser inferior a 60 dias, e nenhum ativo pode ter vencimento superior a 365 dias. Logo, são portfólios compostos por títulos que podem ser convertidos em dinheiro rapidamente, o que faz com que o valor da cota seja mais estável em comparação a outros fundos de renda fixa.

Esse conjunto de restrições faz com que os fundos de curto prazo sejam usados principalmente para reserva de caixa, gestão de recursos no curto prazo ou estacionamento de capital, e não para buscar retornos mais elevados. O foco aqui não é ganhar muito, mas simplesmente preservar o capital, com risco mínimo de variações inesperadas.

Longo prazo

Fundos de longo prazo investem exclusivamente em ativos com vencimento superior a 365 dias, o que naturalmente reduz a liquidez em comparação aos fundos de curto prazo. 

É comum encontrar nesses fundos uma combinação de títulos públicos prefixados, pós-fixados e indexados à inflação, além de títulos privados de crédito, como debêntures e outros papéis corporativos.

São, portanto, fundos que fazem mais sentido para quem não precisa de liquidez imediata e aceita oscilações maiores no valor da cota em troca de um potencial de retorno superior ao dos fundos mais conservadores. Eles tendem a reagir mais às mudanças na taxa de juros, mas justamente por isso conseguem entregar resultados melhores ao longo do tempo quando bem geridos.

Referenciado DI

A estratégia dos Fundos referenciados DI é acompanhar, com o máximo de proximidade possível, a variação de um benchmark específico, normalmente o CDI. Pelas regras, ao menos 95% do patrimônio precisa estar aplicado em ativos que sigam diretamente esse índice, o que o torna bem previsível.

A carteira desses fundos é geralmente formada majoritariamente por títulos pós-fixados e de baixo risco, como Tesouro Selic e papéis bancários atrelados ao CDI. Como o objetivo não é “bater o mercado”, mas sim replicar o desempenho do índice, tendem a ter pouca volatilidade e variações bem controladas no valor da cota.

Por esse motivo, são muito usados como alternativa à poupança, reserva de liquidez ou alocação defensiva da carteira

Dívida externa

Essa categoria concentra pelo menos 80% do patrimônio em títulos da dívida externa brasileira, ou seja, papéis emitidos pelo Brasil no mercado internacional e denominados, em geral, em moeda estrangeira, como o dólar. Com ele, você se expõe tanto ao risco de crédito soberano quanto à variação cambial.

Fundos de dívida externa, aliás, costumam funcionar como uma forma de diversificação internacional dentro da renda fixa, já que servem como proteção em cenários de instabilidade doméstica ou desvalorização do real. 

Por outro lado, não são fundos de liquidez imediata e podem apresentar oscilações relevantes no curto prazo, justamente por estarem sujeitos ao câmbio e às condições do mercado global.

Crédito privado

Destacam-se pela maior flexibilidade de alocação, já que pelo menos 50% da carteira é composta por títulos privados. Ou seja, esses fundos investem principalmente em papéis emitidos por empresas e instituições financeiras, como debêntures, CDBs, LCIs e LCAs, o que amplia as possibilidades de retorno.

Naturalmente, essa estratégia envolve mais risco de crédito, pois o desempenho do fundo depende da saúde financeira dos emissores e da qualidade das escolhas do gestor. 

Em troca, você tende a receber uma rentabilidade superior à dos fundos mais conservadores, o que o torna mais adequado para quem topa passar por oscilações moderadas em busca de ganhos maiores ao longo do tempo.

Quais são as vantagens de investir em um fundo de renda fixa?

Se decidir investir em fundos de renda fixa, aproveitará de algumas vantagens, tais como:

  • Menor volatilidade em geral: em comparação com fundos de ações ou multimercados, fundos de renda fixa costumam oscilar menos no curto prazo, especialmente aqueles focados em títulos pós-fixados;
  • Diversificação automática: com uma única aplicação, você acessa uma carteira composta por vários títulos, emissores e prazos, o que reduz o impacto de um único ativo no resultado final;
  • Acesso a crédito privado: esses fundos permitem investir indiretamente em debêntures, CDBs, LCIs, LCAs e outros papéis privados que, muitas vezes, exigiriam valores mais altos ou análise técnica mais aprofundada no investimento direto;
  • Gestão profissional: a seleção dos ativos, o controle de risco e os ajustes da carteira ficam a cargo de uma gestora especializado, que acompanha o mercado e as condições econômicas continuamente;
  • Simplicidade operacional: você não precisa escolher título por título, acompanhar vencimentos ou reinvestir recursos manualmente. Tudo é feito dentro da própria estrutura do fundo;
  • Reinvestimento automático dos rendimentos: os ganhos obtidos pelos ativos da carteira são automaticamente reinvestidos, então, os efeitos dos juros compostos são potencializados sem que você precise manualmente fazer esse reinvestimento;
  • Flexibilidade para objetivos de curto e médio prazos: dependendo da estratégia e da liquidez do fundo, ele pode ser usado tanto para organização de caixa quanto para metas financeiras com horizonte definido;
  • Facilidade para compor reserva financeira: fundos com liquidez diária ou prazos curtos de resgate podem ser utilizados como parte da reserva, desde que você observe bem taxas, tributação e regras de resgate.

Quanto rende um fundo de renda fixa?

Um fundo de renda fixa rende de acordo com os ativos que compõem sua carteira e com o cenário de juros, portanto não existe um rendimento único nem fixo.

Fundos mais conservadores, como os referenciados DI ou de curto prazo, tendem a acompanhar de perto o CDI, com variações pequenas para cima ou para baixo por causa da taxa de administração. 

Já fundos de renda fixa mais ativos, por outro lado, que combinam títulos públicos de diferentes prazos e crédito privado, podem superar o CDI em determinados períodos, especialmente quando a gestora acerta o momento de compra e venda dos papéis ou assume um pouco mais de risco de crédito.

Para você entender melhor essa dinâmica, imagine um cenário bem simples: se o CDI estiver em torno de 10% ao ano, um fundo DI com taxa de administração baixa pode entregar algo próximo de 9,5% a 10% ao ano

Já um fundo de renda fixa que inclui crédito privado e prazos mais longos pode render, por exemplo, 11% ou 12% ao ano nesse mesmo período — mas com mais oscilações no valor da cota ao longo do caminho.

Importante: o rendimento não é linear nem garantido mês a mês. Além disso, o valor da cota pode oscilar por marcação a mercado, principalmente em fundos de prazo mais longo. 

Por isso, na hora de avaliar quanto um fundo rende, nossa recomendação é que olhe o histórico de desempenho do fundo em questão em janelas maiores, como 12, 24 ou 36 meses, sempre comparando com o CDI e analisando se o retorno faz sentido diante do risco e da liquidez oferecida.

Quem pode investir em fundos de renda fixa?

Qualquer pessoa pode investir em fundos de renda fixa, desde que tenha conta em uma corretora ou banco que ofereça esse tipo de produto. Aliás, eles são acessíveis tanto em termos de funcionamento quanto de valor inicial (aplicações iniciais vão de 1 centavo a 100 reais), por isso acabam sendo uma de entrada natural para quem está começando a investir e quer mesclar segurança relativa e bons retornos.

Falando agora da adequação para diferentes perfis, para investidores iniciantes e conservadores, por exemplo, os fundos de renda fixa costumam funcionar bem porque oferecem gestão profissional, diversificação automática e, em geral, menor volatilidade do que fundos de ações ou multimercado

Já para investidores moderados e mais experientes, os fundos de renda fixa também têm espaço estratégico no portfólio. Para esses perfis, podem ser usados para compor a parte defensiva da carteira, equilibrar riscos, aproveitar oportunidades em crédito privado ou em juros mais longos — e até para melhorar a eficiência operacional do portfólio como um todo. 

Como escolher o melhor fundo de renda fixa para sua carteira?

Para ter certeza de que determinado fundo de renda fixa vai funcionar bem no seu portfólio, recomendamos que avalie estes aspectos antes de comprar uma cota:

  • Defina seu objetivo financeiro: antes de escolher qualquer fundo, deixe claro para que esse dinheiro serve — reserva, curto, médio ou longo prazo. Lembre-se de que objetivos mais imediatos pedem liquidez alta e baixo risco. Já metas mais longas permitem prazos maiores e estratégias um pouco mais eficientes em retorno;
  • Conheça seu perfil de risco: mesmo dentro da renda fixa, o risco varia bastante. Há fundos quase colados ao CDI e outros que assumem crédito privado e prazos longos. Saber se seu perfil é conservador ou moderado evita sustos com oscilações inesperadas e decisões precipitadas;
  • Identifique o tipo de fundo: entenda se o fundo é referenciado DI, curto prazo, longo prazo ou crédito, pois cada tipo reage de forma diferente aos juros e ao mercado. Essa informação você encontra nos documentos do fundo, na hora de investir;
  • Analise o histórico de desempenho: observe como o fundo se comportou ao longo do tempo, especialmente em diferentes cenários de juros. Mais importante que um pico de rentabilidade é a consistência, além disso, um bom histórico mostra como a gestora lida com ciclos bons e ruins;
  • Avalie as taxas cobradas: taxa de administração pesa no retorno, principalmente em renda fixa. Fundos parecidos com taxas muito diferentes entregam resultados bem distintos no longo prazo, então, sempre compare o quanto o fundo rende líquido de taxas, não só o número bruto;
  • Confira a liquidez: a liquidez define quando o dinheiro volta para sua conta após o pedido de resgate. Alguns fundos são D+0 ou D+1, enquanto outros exigem semanas ou meses. A liquidez precisa estar alinhada ao uso do dinheiro, para evitar resgates abruptos e desfavoráveis;
  • Observe a estratégia do gestor: veja se o fundo é mais passivo ou se assume decisões ativas, como crédito privado ou apostas em juros — isso vai te ajudar a entender os riscos envolvidos. Na dúvida, casas de análise podem ser bem úteis nessa missão;

Dica extra: sempre combine o fundo com a sua carteira, ou seja, jamais escolha um apenas pela sua rentabilidade. 

A gente entende que o retorno é importante, mas um fundo (assim como qualquer outro investimento) também precisa cumprir um papel no seu portfólio, seja de estabilidade, reserva ou diversificação. Pensar no papel do produto dentro da carteira evita concentração e ainda melhora o equilíbrio do investimento.

Como investir em fundos de renda fixa?

Para investir em fundos de renda fixa, o passo a passo é o seguinte:

  • Abra conta em uma corretora de valores: você também pode usar a plataforma de investimentos do seu banco, se houver. Lembre-se sempre de checar a idoneidade dessas empresas antes de começar a utilizá-las;
  • Adicione saldo na conta recém aberta: você pode fazer isso via transferência bancária ou PIX. Se estiver usando a plataforma de investimentos do seu banco, basta usar o saldo da conta corrente;
  • Explore os fundos de renda fixa disponíveis: plataformas de investimento categorizam os produtos para facilitar a sua vida. Então, esses fundos estarão na aba de “fundos de investimento”;
  • Indique a quantidade de cotas que deseja comprar: lembre-se que cada fundo terá seu próprio preço de cota e aplicação mínima. Alguns são bem acessíveis e começam em centavos, outros ultrapassam R$ 1 mil;
  • Finalize a ordem de compra: pode levar um tempinho para as suas cotas aparecerem no seu portfólio. Se um fundo for D+1, por exemplo, elas devem aparecer no próximo dia útil.

Dica: todas as informações que você precisa saber sobre um fundo estão disponíveis em seus documentos e lâminas — é possível encontrá-los na própria plataforma que está usando para investir. 

Antes de comprar cotas, dedique um tempinho para entender em quais títulos o fundo investe, quais taxas se aplicam, rentabilidade histórica e grau de liquidez. Tudo isso reduz as chances de você tomar uma decisão equivocada e que não está alinhada aos seus objetivos financeiros.

Quais os custos e taxas para investir em fundos de renda fixa?

Algumas das taxas que podem aparecer em um fundo de renda fixa são:

  • IOF;
  • Imposto de Renda;
  • Taxa de administração;
  • Taxa de performance.

Entendê-las te ajuda a ter uma noção mais precisa de quais podem ser seus ganhos líquidos com esse tipo de aplicação. Bora entender melhor?

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)

O IOF é um imposto federal que incide apenas sobre resgates feitos em menos de 30 dias após a aplicação. A cobrança aqui é regressiva: começa em 96% no 1º dia após aplicação e vai diminuindo até zerar no 30º dia. Depois disso, o IOF deixa de ser uma preocupação.

É por isso que reforçamos tanto que você precisa saber quais são os seus objetivos financeiros antes de investir. Imagine só: se comprar cotas de um fundo de renda fixa para resgatá-las apenas alguns dias após a compra, seu ganho pode ser quase zerado.

Imposto de Renda (IR)

O Imposto de Renda nos fundos de renda fixa incide sobre os rendimentos, e não sobre o valor total investido. A alíquota segue essa tabela regressiva:

Prazo da aplicação Alíquota de IR sobre o rendimento
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

Esse imposto impacta apenas o retorno líquido do fundo, não o valor total (aplicação + rendimentos). 

Note que dois fundos que rendem o mesmo percentual bruto, por exemplo, podem entregar resultados bem diferentes dependendo do prazo do investimento, justamente por causa dos efeitos da alíquota. É por isso que fundos de renda fixa tendem a ser mais eficientes quando usados com horizonte de médio e longo prazos. Assim, você aproveita a menor alíquota da tabela.

Taxa de administração

A taxa de administração é um custo fixo cobrado para manter o fundo funcionando: gestão, análise dos ativos, controles, custódia e estrutura operacional. Ela é expressa ao ano e já é descontada diariamente do patrimônio do fundo, sem aparecer como um débito separado.

Em fundos de renda fixa, essa taxa tem um peso grande porque o retorno esperado costuma ser mais previsível. Uma taxa aparentemente pequena pode corroer uma parcela relevante do ganho ao longo do tempo. 

Fundos mais simples e conservadores tendem a cobrar taxas menores, no entanto, na hora de tomar uma decisão, não pense somente no que é “mais barato”. Lembre-se de que o fundo precisa fazer sentido para a sua estratégia em vários aspectos: liquidez, retorno, composição do portfólio e horizonte de investimento. 

Taxa de performance

A taxa de performance é cobrada apenas quando o fundo rende acima de um índice de referência, normalmente o CDI. Quando existe, ela incide sobre o ganho que exceder esse benchmark e costuma aparecer em fundos com gestão ativa, que são os que buscam entregar retornos acima do padrão do mercado.

Para saber se a taxa de performance é cobrada, basta verificar os documentos do fundo. Em geral, a porcentagem praticada no mercado é de 20%.

Recapitulando os pontos mais importantes…

Fundos de renda fixa são instrumentos bem versáteis dentro de uma carteira. Afinal, permitem acessar, de forma simples, uma combinação de títulos públicos e privados, com gestão profissional e regras claras de funcionamento. 

Lembre-se de que eles não são todos iguais: variam bastante em risco, liquidez, estratégia e custos. Por isso, entender a composição do fundo, as taxas envolvidas e a forma de tributação é o que realmente vai fazer diferença na hora de escolher qual faz mais sentido para o seu portfólio.

Quando bem utilizado, um fundos de renda fixa pode cumprir papéis distintos, como reserva financeira, equilíbrio de carteira e base para objetivos de curto e médio prazos.

Mas atenção: fundos de renda fixa não são produtos para quem busca ganhos substanciais, e sim para quem deseja construir previsibilidade e eficiência a longo prazo — algo compatível não somente com investidores iniciantes, mas também com experientes.

Perguntas frequentes sobre fundos de renda fixa

Tire todas as suas dúvidas sobre fundos de renda fixa! Respondemos a algumas das perguntas mais frequentes sobre o assunto para te ajudar a tomar decisões de investimento mais informadas.

O que é melhor, CDB ou fundo de renda fixa?

Depende do objetivo e do perfil da pessoa investidora. O CDB é um investimento direto: você sabe exatamente em que está aplicando, qual a taxa e por quanto tempo o dinheiro ficará preso. Já o fundo de renda fixa é um produto coletivo, com gestão profissional e diversificação automática, mas com custos e tributação próprios.

Na prática, CDBs costumam fazer mais sentido para objetivos específicos e prazos definidos, enquanto fundos de renda fixa funcionam melhor para quem quer praticidade, diversificação e gestão ativa, especialmente quando não quer escolher título por título. Além disso, nada te impede de ter os dois no portfólio, ocupando papéis distintos na estratégia.

Um fundo de renda fixa pode ser agressivo?

Pode, sim. Alguns fundos de renda fixa assumem mais risco ao investir pesado em crédito privado, títulos de empresas menores ou papéis com prazos longos, o que aumenta o potencial de retorno, mas também o risco de perdas e oscilações. Esses fundos não chegam a ser agressivos como fundos de ações, mas podem ser bem mais voláteis do que um fundo conservador atrelado ao CDI. 

Existe cobrança de imposto nos fundos de renda fixa?

Sim. Fundos de renda fixa sofrem Imposto de Renda sobre os rendimentos, seguindo a tabela regressiva (de 22,5% a 15%), além de IOF se o resgate ocorrer antes de 30 dias. O imposto incide apenas sobre o lucro, nunca sobre o valor investido. Inclusive, o recolhimento do IR é feito automaticamente pelo fundo.

Quanto rende R$ 1.000 em um fundo de renda fixa?

Vai depender da rentabilidade do fundo, das taxas cobradas e do prazo da aplicação. Como referência, um fundo que renda próximo a 100% do CDI pode gerar algo em torno de R$ 10 a R$ 13 por mês (com um CDI em 15% ao ano), em cenários de juros mais altos, antes do desconto de impostos.

Quanto rende R$ 5.000 em renda fixa?

Uma quantia de R$ 5 mil aplicada em renda fixa pode render algo entre R$ 50 e R$ 65 por mês (com um CDI em 15% ao ano), dependendo da taxa do investimento e do cenário de juros. Esse valor é bruto e ainda sofre desconto de IR conforme o prazo. Vale lembrar que essa faixa é apenas uma estimativa geral, afinal, cada fundo tem sua própria estratégia e histórico de rentabilidade. Além disso, oscilações econômicas podem fazer esses valores variarem para cima ou para baixo.

Quanto rende R$ 10.000 no CDB por mês?

Em um CDB que pague 100% do CDI (e esteja em 15% ao ano), por exemplo, R$ 10 mil podem render algo em torno de R$ 100 a R$ 130 por mês, considerando um cenário de juros elevados. CDBs com percentuais maiores do CDI podem render mais, mas geralmente exigem prazos maiores ou menor liquidez.

Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br
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