Fundos de investimento são um único tipo de investimento, mas com versões para praticamente todos os perfis e objetivos.
Para você ter noção, existem fundos mais conservadores, focados em renda fixa e estabilidade, e outros mais arrojados, que investem em ações, imóveis ou ativos no exterior. Então, tanto quem busca segurança quanto quem aceita mais risco pode encontrar um fundo que faça sentido para a sua realidade.
Para saber qual escolher, dentre tantas alternativas, é preciso entender como cada um funciona, quais taxas existem, os impostos que são pagos e, muito importante, o grau de risco que cada um assume em busca de retornos.
Continue na leitura para entender de uma vez por todas tudo sobre fundos de investimento:
- O que são fundos de investimento?
- Como funcionam os fundos de investimento?
- Quais são os fundos de investimento?
- Quais são as vantagens dos fundos de investimento?
- Quais são os riscos dos fundos de investimento?
- Quais taxas existem nos fundos de investimento?
- Qual é o melhor fundo de investimento hoje?
- Como escolher o melhor fundo de investimento?
Vamos lá?
O que são fundos de investimento?
Fundos de investimento são uma forma coletiva de investir — uma espécie de carteira compartilhada. Ou seja, em vez de você decidir por conta própria onde aplicar seu dinheiro, várias pessoas colocam recursos em um mesmo fundo, e esse dinheiro é administrado de forma conjunta.
Cada cotista, portanto, possui uma parte desse patrimônio, chamada de cota, que também representa sua participação nos resultados do fundo.
Investir nesse tipo de produto é uma boa estratégia para acessar estratégias que seriam complexas ou caras demais para uma pessoa investir sozinha. Além disso, é claro, comprar cotas de um fundo de investimento traz diversificação para o portfólio, mesmo que você comece aplicando apenas um pouco de cada vez — afinal, quando compra uma cota, você está investindo em um cesto de ativos.
Importante: fundos de investimento não têm rentabilidade garantida, nem mesmo os de renda fixa. Isso acontece, pois o que se negocia no mercado são suas cotas, cujo valor varia diariamente de acordo com o preço dos ativos que compõem o fundo e com as condições do mercado.
Em outras palavras, mesmo que o fundo invista em títulos considerados mais estáveis, oscilações de juros, mudanças econômicas ou movimentos do mercado podem fazer o valor da cota subir ou cair ao longo do tempo.
Como funcionam os fundos de investimento?
Fundos de investimento funcionam como um condomínio de investidores. A lógica é a seguinte: várias pessoas aplicam dinheiro no mesmo fundo, e esse valor é reunido em um único patrimônio, que passa a ser investido de acordo com uma estratégia definida previamente.
Dessa maneira, em vez de escolher cada ativo por conta própria, você compra cotas do fundo e delega as decisões a uma gestora profissional, que decide onde e quando investir.
O dinheiro do fundo é aplicado em diferentes tipos de ativos (como títulos de renda fixa, ações, imóveis ou uma combinação deles), a depender de quais são as regras de distribuição e proporção do fundo — informação que você sempre encontrará nos documentos do produto.
Já em relação ao valor da cota, esse varia diariamente conforme o desempenho desses investimentos que compõem a carteira do fundo. Se os ativos se valorizarem, a cota sobe. Caso se desvalorizem, a cota cai. Inclusive, é por isso que não existe rentabilidade garantida, nem mesmo em fundos mais conservadores.
Para você entender melhor o funcionamento do preço das cotas, pense em um fundo imobiliário (FII). Quando você compra cotas de um FII, está adquirindo uma pequena parte de um conjunto de imóveis ou de títulos ligados ao mercado imobiliário. Se os imóveis geram bons aluguéis, os contratos são reajustados e a vacância permanece baixa, o patrimônio do fundo tende a se valorizar e, com isso, o preço da cota sobe.
Por outro lado, se alguns imóveis ficam vagos, os aluguéis caem ou o mercado imobiliário enfrenta um período mais difícil, o valor dos ativos do fundo diminui. Em um cenário assim, a cota tende a se desvalorizar, mesmo que o fundo continue existindo e operando normalmente.
O que é o come-cotas?
O come-cotas é basicamente uma forma de o governo cobrar o imposto antes de você sacar o dinheiro do fundo. Em vez de esperar você resgatar o investimento, o Imposto de Renda é cobrado automaticamente duas vezes por ano, normalmente em maio e novembro. Essa cobrança não tira dinheiro da sua conta, ela reduz um pouquinho a quantidade de cotas que você tem no fundo.
Funciona assim: o fundo calcula quanto de imposto você deve naquele momento e “come” algumas cotas para pagar o IR. A alíquota usada é a mínima prevista para aquele tipo de fundo — em geral, 15% nos fundos de longo prazo e 20% nos de curto prazo.
Importante: o come-cotas é cobrado em alguns tipos de fundo, como os de renda fixa, multimercado, cambiais e crédito privado. Os fundos de ações, previdências privadas e imobiliários são isentos dessa antecipação.
Quando você resgata o investimento no futuro, o imposto já foi pago em parte, e só acontece um acerto final se ainda houver diferença. Na prática, o imposto vai sendo pago aos poucos e acaba diminuindo um pouco o crescimento do investimento ao longo do tempo, porque menos cotas ficam rendendo.
Quais são os fundos de investimento?
Os fundos de investimento são classificados de acordo com o tipo de ativo em que aplicam ou com a estratégia adotada pela gestão.
Abaixo, listamos e explicamos os principais que você vai encontrar na hora de investir:
- Fundos de renda fixa: a maior parte do portfólio concentra títulos públicos e privados, como Tesouro Direto, CDBs e debêntures. São mais previsíveis que outras categorias, mas mesmo assim não têm rentabilidade garantida, já que podem oscilar com juros e marcação a mercado;
- Fundos multimercado: misturam diferentes classes de ativos, como renda fixa, câmbio, ações e derivativos. Aqui, a gestora tem mais liberdade para buscar retorno em vários cenários econômicos, então o grau de risco varia bastante conforme a estratégia do fundo;
- Fundos de ações: aplicam a maior parte do patrimônio em ações negociadas na bolsa – mínimo de 67%. O desempenho depende diretamente do mercado acionário e das empresas escolhidas, logo, naturalmente são fundos mais voláteis e indicados para quem tem alta tolerância ao risco e objetivos de longo prazo;
- Fundos imobiliários (FIIs): investem em imóveis físicos ou em títulos ligados ao setor imobiliário. Costumam distribuir rendimentos periódicos, geralmente mensais. Aqui, as cotas oscilam conforme o mercado imobiliário e as taxas de juros;
- Fundos cambiais: o foco deste está nos ativos atrelados a moedas estrangeiras, geralmente dólar ou euro. São usados principalmente para proteção contra a variação cambial. Vale lembrar que eles não servem como aposta direta, mas como instrumento de diversificação;
- Fundos de previdência (PGBL e VGBL): voltados para planejamento de longo prazo, especialmente aposentadoria. Podem investir em renda fixa, multimercado ou ações — vai depender do perfil. Além disso, possuem regras específicas de tributação e sucessão;
- Fundos de crédito privado: esses fundos aplicam em títulos de dívida emitidos por empresas, como debêntures e CRIs/CRAs. Podem pagar mais que a renda fixa tradicional, mas envolvem risco de crédito, então, o ideal é sempre avaliar a qualidade dos emissores antes de comprar cotas;
- Fundos indexados (ou passivos): buscam replicar o desempenho de um índice, como o CDI ou o Ibovespa. Têm gestão mais simples e custos menores, já que o objetivo não é “bater o mercado”, mas apenas acompanhar o índice escolhido;
- Fundos de fundos (FOFs): são fundos que investem em cotas de outros fundos, em vez de ativos diretamente. Para os investidores, facilitam a diversificação e, em contrapartida, costumam ter custos um pouco maiores que os demais;
- Fundos exclusivos: criados para uma única pessoa investidora, empresa ou família, geralmente com patrimônio elevado. Permitem estratégias personalizadas e planejamento tributário e, naturalmente, são menos acessíveis ao público em geral;
- Fundos estruturados: incluem fundos como FIPs, FIDCs e fundos imobiliários mais complexos. Costumam ter regras específicas, menor liquidez e maior risco, logo, são indicados para investidores mais experientes.
Dica: plataformas de investimento sempre separam todos esses fundos por categoria, então não precisa ter medo de se confundir ou de acabar investindo em um fundo de estratégia que não é compatível com o que deseja no momento.
Mesmo assim, lembramos que é extremamente importante ler os documentos de um fundo antes de comprar suas cotas. Nesse momento, dê uma olhada em:
- Objetivo e estratégia do fundo (em que ele investe e como busca retorno);
- Nível de risco e tipo de ativos da carteira;
- Taxa de administração e outras taxas cobradas;
- Histórico de rentabilidade;
- Prazo de resgate e regras de liquidez;
- Política de distribuição de rendimentos (se houver);
- Gestora e instituição responsável pelo fundo.
Quais são as vantagens dos fundos de investimento?
Para começar, fundos de investimento são uma boa alternativa para quem deseja investir com mais organização e menos complexidade. Além disso, você pode se beneficiar de diversificação, gestão profissional e acesso facilitado a diferentes mercados.
Vamos dar uma olhada com mais cuidado em cada uma dessas vantagens?
Diversificação do patrimônio
Quando você compra cotas de um fundo, o seu dinheiro é distribuído entre vários ativos ao mesmo tempo. Em outras palavras, isso basicamente significa que você obtém uma diversificação automática para o seu portfólio.
Mesmo que aplique somente uma quantia pequena de dinheiro, ainda assim vai investir em títulos de renda fixa, imóveis, crédito privado ou ações — tudo depende da estratégia do fundo em questão, é claro.
Mas atenção: embora isso reduza o risco de concentrar todo o seu patrimônio em um único investimento, ainda assim não é recomendado aplicar tudo o que você tem apenas em fundos de investimentos.
Voltando à vantagem, essa diversificação também significa que um problema pontual em um ativo específico tende a ter impacto menor no resultado final. Além disso, para uma pessoa investidora, montar essa mesma diversificação por conta própria muitas vezes exigiria mais dinheiro, mais tempo e mais conhecimento técnico do que investir em um fundo já estruturado.
Gestão profissional
Os fundos são administrados por equipes especializadas que acompanham o mercado diariamente, analisam cenários econômicos, avaliam riscos e tomam decisões de compra e venda de ativos de forma contínua – tarefas que você, em tese, precisa fazer por conta própria quando investe diretamente nos títulos e ativos que deseja.
Para quem não tem tempo, experiência ou interesse em acompanhar o mercado de perto, essa gestão profissional traz praticidade e segurança. Assim, em vez de tomar decisões isoladas, você vai delegar essa responsabilidade a profissionais que seguem as regras e estratégias definidas nos documentos do fundo.
Inclusive, sabia que existem dois tipos de gestão nos fundos de investimento? Olha só a diferença:
- Gestão passiva: o fundo busca apenas acompanhar um índice de referência, como o CDI ou o Ibovespa, sem tentar superá-lo. As decisões são mais automáticas, há menos movimentações na carteira e, por isso, as taxas costumam ser mais baixas;
- Gestão ativa: a gestora toma decisões frequentes de compra e venda para tentar obter um desempenho melhor que o índice de referência. Como esse modelo exige análises constantes do mercado, as taxas tendem a ser mais altas.
Acesso a mercados e estratégias mais complexas
Com um fundo de investimento no portfólio, você provavelmente vai ter acesso a ativos e estratégias que, muitas vezes, seriam difíceis ou até inviáveis de investir por conta própria. Isso inclui investimentos no exterior, crédito privado, operações estruturadas ou até setores específicos da economia.
Alguns ativos, por exemplo, são restritos a investidores institucionais. No caso, grandes participantes do mercado, como bancos, seguradoras, fundos de pensão e grandes gestoras, que aplicam volumes elevados de recursos e têm acesso a operações exclusivas, com valores mínimos altos e estruturas mais complexas.
Ao investir por meio de um fundo, você, enquanto pessoa física comum, consegue indiretamente participar dessas operações, mesmo com aportes baixos.
Quais são os riscos dos fundos de investimento?
Riscos de mercado, de mercado e de liquidez estão entre os principais fatores que podem tornar um fundo de investimento incompatível para o seu perfil ou objetivos.
Por isso, recomendamos que entenda cada um deles antes de tomar qualquer decisão.
Risco de mercado
O risco de mercado está relacionado às oscilações naturais dos preços dos ativos que compõem o fundo. Juros, inflação, cenário econômico, decisões do Banco Central e eventos políticos são fatores que podem influenciar diretamente o valor desses ativos — e, consequentemente, o valor da cota do fundo também.
Quando a taxa de juros sobe, por exemplo, um fundo de renda fixa pode sofrer alguma perda temporária. Isso acontece porque os títulos que fazem parte do seu portfólio passam a valer menos no mercado. Já em fundos de ações, quedas na Bolsa afetam diretamente o patrimônio do fundo. Então, lembre-se: mesmo fundos considerados conservadores podem oscilar, especialmente no curto prazo.
Dica: se o fundo de investimento que você investiu estiver passando por um mau momento, não o venda por impulso, sem antes fazer uma boa análise da situação. Oscilações acontecem, e a sua resistência a elas precisa ser ainda maior se seus objetivos forem de longo prazo. Caso venda suas cotas por emoção em um momento de baixa, pode acabar perdendo rentabilidade, ou vendendo por um preço abaixo daquele pago inicialmente.
Risco de crédito
O risco de crédito ocorre quando algum emissor dos ativos do fundo não cumpre suas obrigações, como atrasar ou deixar de pagar juros ou principal. Isso é mais comum em fundos que investem em crédito privado, ou seja, aqueles que têm debêntures, CRIs, CRAs ou FIDCs no portfólio.
Aqui, a lógica é esta: se uma empresa enfrenta dificuldades financeiras e deixa de honrar seus compromissos, o valor daquele título cai, então a sua cota vai ser impactada também. Inclusive, é por isso que fundos desse tipo dependem muito da qualidade da análise feita pelo gestor e da diversificação da carteira para reduzir esse risco.
Dica: casas de análise elaboram relatórios que se debruçam sobre a qualidade de um fundo de investimento e seu grau de risco, bem como sobre a qualidade e grau de risco dos ativos em seu portfólio. Ler esses documentos pode te ajudar a tomar uma decisão melhor fundamentada antes de comprar cotas.
Risco de liquidez
O risco de liquidez se trata da dificuldade de transformar os ativos do fundo em dinheiro no momento desejado. Ou seja, de conseguir vender suas cotas no momento que desejar, e de não sair no prejuízo com a operação. Alguns fundos investem em ativos que não são negociados com facilidade, então isso pode atrasar ou impactar o valor do resgate.
Um exemplo comum são fundos imobiliários ou fundos de crédito privado com prazos longos. Se muitos cotistas pedirem resgate ao mesmo tempo, o fundo pode ter dificuldade para vender os ativos rapidamente sem aceitar preços piores.
Dica: nos documentos do fundo, você vai encontrar termos como D+0, D+1, D+5, D+30 e semelhantes. O dinheiro não fica disponível imediatamente, como acontece em aplicações de liquidez diária.
Funciona assim: o prazo de cotização (D+) indica quando o fundo vai apurar o valor da sua cota após o pedido de resgate. Já o prazo de liquidação mostra quando o valor será efetivamente depositado na sua conta. Quanto mais longos esses prazos, maior é o risco de liquidez, porque você fica mais tempo sem acesso ao dinheiro.
Se um fundo tem cotização em D+2 e liquidação em D+3, ao pedir o resgate hoje, o valor da cota só será definido em dois dias úteis e o dinheiro só cairá na conta três dias úteis depois disso.
Na dúvida, sempre cheque esses prazos e veja se são compatíveis com a sua necessidade de acesso ao dinheiro, especialmente em fundos de crédito privado ou estratégias mais complexas, onde o risco de liquidez tende a ser maior.
Quais taxas existem nos fundos de investimento?
Nos fundos de investimento, você vai encontrar taxas que servem para pagar a gestão, a administração e os custos operacionais do fundo. Como elas impactam diretamente a sua rentabilidade final, é importante levá-las em consideração antes de comprar cotas.
Veja só as taxas que você vai encontrar:
Taxa de administração
Essa taxa existe para manter o fundo funcionando. Ou seja, ela é cobrada, pois remunera a gestão, a administração, a custódia, a controladoria e outros serviços obrigatórios.
Nos documentos de um fundo, você vai encontrá-la expressa em percentual ao ano. Quanto à aplicação, ela é descontada diariamente do valor da sua cota, então não é necessário pagar nada “à parte”, embora definitivamente sinta seu efeito no rendimento ao longo do tempo.
Taxa de gestão
Alguns fundos separam a taxa de gestão da taxa de administração. Nesse caso, a taxa de gestão remunera exclusivamente a gestora — a parte responsável por decidir onde e quando investir.
Ela costuma aparecer em fundos com estratégias mais ativas ou sofisticadas e, assim como a taxa de administração, é descontada diretamente do patrimônio do fundo e sempre é apresentada de forma clara no documento do fundo.
Taxa de performance
É uma taxa cobrada apenas quando o fundo supera um determinado índice de referência, chamado de benchmark (como CDI ou Ibovespa). Por isso, você só vai encontrá-la em fundos de gestão ativa.
Por exemplo, se um fundo cobra 20% de performance sobre o que exceder o CDI, a gestora só recebe essa taxa se entregar um resultado acima do índice, e somente sobre a quantia excedente, não sobre todo o valor que você investiu no fundo.
Importante: analisar essas taxas não é sobre optar pelos fundos mais caros ou mais baratos. É importante que você avalie esses valores com base em médias de mercado, complexidade da estratégia e, é claro, seus objetivos e expectativas com o investimento também.
Qual é o melhor fundo de investimento hoje?
Não existe um “melhor fundo de investimento” que sirva para todos os investidores, já que a escolha depende do seu perfil, dos seus seus objetivos, de quanto risco aceita e do tempo que pretende investir. O que funciona bem para uma pessoa pode não fazer sentido para outra, especialmente quando falamos de perfis diferentes.
No entanto, podemos dizer de forma geral que há categorias de fundos que tendem a fazer mais sentido para cada tipo de investidor:
- Para quem busca segurança e previsibilidade: fundos de renda fixa e fundos de curto prazo costumam ser mais adequados. Afinal, investem principalmente em títulos públicos ou privados de baixo risco, possuem menor oscilação e são ideais para quem quer preservar capital e evitar sustos com quedas bruscas do mercado;
- Para quem quer equilíbrio entre risco e retorno: fundos multimercado moderados são uma opção interessante, pois combinam diferentes classes de ativos, busca por retorno consistente e volatilidade controlada. Ou seja, uma boa alternativa para quem aceita um pouco de variação em troca de rentabilidade potencialmente maior;
- Para quem busca crescimento de longo prazo: fundos de ações ou fundos indexados normalmente fazem mais sentido. Eles são mais voláteis e mais sensíveis às oscilações do mercado de capitais, por isso são mais indicados para quem tem um horizonte de investimento mais longo e tolera variações no curto prazo;
- Para renda recorrente: fundos imobiliários (FIIs) podem ser considerados por quem quer gerar renda mensal, especialmente em cenários de juros mais estáveis. Eles investem em imóveis ou títulos ligados ao setor imobiliário e costumam distribuir rendimentos periodicamente, embora também apresentem oscilações no valor das cotas.
Como escolher o melhor fundo de investimento?
O melhor fundo de investimento é, na verdade, o fundo que faz mais sentido para o seu perfil e sua estratégia. Com isso em mente, é importante que avalie os seguintes pontos antes de escolher o mais adequado para você:
- Objetivo do fundo: para começar, veja se a estratégia do fundo combina com o que você quer — renda no curto prazo, mais ou menos oscilação, crescimento no longo prazo e por aí vai;
- Tipo de fundo: confirme se é renda fixa, multimercado, ações, imobiliário ou outro. Cada tipo tem riscos e comportamentos bem diferentes, e nem todos serão adequados para o seu perfil e momento atual;
- Perfil de risco: cheque o nível de volatilidade esperado. Se você não aguenta ver o valor oscilar, fundos mais arrojados não são uma boa escolha, já que podem te levar a tomar decisões por impulso e consequentes perdas de rentabilidade;
- Prazo recomendado de investimento: muitos fundos indicam um prazo mínimo. Se você precisar do dinheiro antes, isso já é um alerta. Nesse caso, talvez o ideal seja buscar por conta própria ativos com mais liquidez;
- Liquidez (D+0, D+1, D+30…): veja em quantos dias o dinheiro cai na conta após o resgate. Não se esqueça de que fundos de prazo longo não servem para emergências;
- Histórico e consistência: analise o desempenho ao longo do tempo, não só em um ano bom. Regularidade costuma importar mais que picos de rentabilidade. Além disso, não se esqueça de que ganhos passados não garantem sucessos futuros;
- Gestor e casa de gestão: pesquise quem toma as decisões relacionadas ao fundo. Gestores experientes e casas consolidadas tendem a ter processos mais sólidos, e é bastante fácil encontrar avaliações de casas de análise e demais investidores por aí;
- Taxa de administração: compare com outros fundos da mesma categoria. Uma taxa alta demais, por exemplo, pode corroer boa parte do retorno, ao passo que também pode refletir o uso de uma estratégia mais sofisticada por parte da gestora;
- Taxa de performance: veja se existe, como é cobrada e qual o benchmark usado. Sua presença em um fundo não é um problema, mas é inegável que ela precisa fazer sentido para a suas necessidades;
- Composição da carteira: vá além do tipo de fundo e entenda de fato quais títulos e ativos fazem parte do seu portfólio. Jamais aplique sem saber onde exatamente o seu dinheiro está sendo alocado;
- Regras de resgate e tributação: confira se o fundo desejado tem come-cotas, carência ou impostos diferentes, que podem surgir a depender do tipo escolhido. Tudo isso conta nos documentos do fundo e pode impactar a sua rentabilidade final.
Dica: se você não entende como o fundo ganha dinheiro, o risco que corre e quando pode sacar, é melhor não investir ainda. Um bom fundo não é simplesmente aquele que renda bem, mas um que se encaixe em todos os seus requisitos de investimento também, como prazo e nível de oscilação.
Recapitulando os pontos mais importantes…
No fim das contas, fundos de investimento são uma forma prática de investir sem necessariamente precisar entender, acompanhar ou escolher cada ativo individualmente.
Você entra com o seu dinheiro, uma equipe profissional toma as decisões e tudo funciona dentro de uma estratégia já definida. Isso claramente facilita muito a vida de quem quer diversificar, ganhar tempo e acessar investimentos que, por conta, talvez nem fosse possível. Mas é claro que essa praticidade também vem acompanhada de regras, taxas e riscos que precisam ser entendidos antes de investir.
Por isso, não economize tempo na hora de avaliar o tipo de fundo, o nível de risco, as taxas, a liquidez e até os efeitos do come-cotas.
Naturalmente, fundos não são bons nem ruins por si só — o que acontece é que eles precisam fazer sentido para o seu momento de vida, seus objetivos e sua tolerância a oscilações. Quando usados do jeito certo, podem ser ótimos aliados na construção do patrimônio. Quando usados sem entendimento, podem gerar frustração.
Perguntas frequentes sobre fundos de investimento
Ainda tem dúvidas sobre o assunto? Respondemos a algumas das principais perguntas sobre fundos de investimentos para te ajudar.
É seguro aplicar em fundos de investimento?
Depende do tipo de fundo. Fundos de investimento são regulados pela CVM e seguem regras rígidas de funcionamento, o que traz um bom nível de segurança jurídica. No entanto, eles não são livres de risco: o nível de segurança varia conforme a estratégia usada, os ativos que ele compra e o perfil de risco (renda fixa, multimercado, ações, imobiliário etc.).
Fundos de investimento possuem garantia do FGC?
Não. Fundos de investimento não contam com a garantia do FGC, independentemente do tipo. O que o FGC protege são aplicações como CDB, LCI, LCA e poupança. Ao investir em um fundo, o patrimônio é separado do da gestora e do banco, mas o risco de mercado continua existindo e deve ser avaliado antes da aplicação.
Qual o valor mínimo para entrar em um fundo de investimento?
O valor mínimo varia bastante. Existem fundos que aceitam aplicações iniciais a partir de R$ 100 ou R$ 500, enquanto outros exigem R$ 10 mil, R$ 50 mil ou mais, especialmente aqueles exclusivos ou voltados a investidores qualificados. Se tiver dúvidas, saiba que essa informação pode sempre ser encontrada no regulamento ou na ficha do fundo.
Quanto rende 1.000 reais em fundos de investimento?
O rendimento depende totalmente do tipo de fundo. Em um fundo de renda fixa conservador, R$1 mil podem render algo próximo ao CDI, com ganhos modestos e menor risco. Já em fundos multimercado ou de ações, o rendimento pode ser maior — ou até negativo — dependendo do mercado. Por isso, não existe um valor fixo de rendimento.
Quanto rende R$ 10.000 em fundos imobiliários por mês?
Fundos imobiliários costumam distribuir rendimentos mensais, mas o valor varia conforme o fundo, o tipo de imóvel e o cenário econômico. Em média, muitos FIIs pagam algo entre 0,6% e 1% ao mês, o que poderia representar algo entre R$ 60 e R$ 100 por mês para um investimento de R$ 10 mil. No entanto, esse valor não é garantido e pode oscilar ao longo do tempo.