fev, 2026 Colunistas

Aurora boreal e o mercado financeiro

Thales Inada Thales Inada

Nas minhas férias recentes, fui em busca de um sonho: ver in loco a aurora boreal.

Estou falando daquele fenômeno natural que cria cortinas de luzes coloridas (frequentemente verdes, rosadas ou violetas) no céu noturno, ocorrendo nas regiões polares do Hemisfério Norte.

O mais incrível é como ela é gerada: a partir da interação de partículas solares com o campo magnético da Terra e gases da atmosfera superior.

Porém, sua beleza só se compara à sua raridade, já que ela acontece em situações específicas – geralmente, noites claras no inverno em locais como Alasca, Canadá, Islândia e Noruega.

Foram dez meses de planejamento: desde estimar os custos para visitar a Noruega (um dos países mais caros do mundo para viajar), comprar as roupas de frio adequadas para enfrentar uma temperatura estimada de -15ºC, acompanhar os preços das passagens com pelo menos oito meses de antecedência, adquirir moeda estrangeira aos poucos durante esse período, pesquisar os hotéis e reservar os passeios.

Mesmo economizando em todas etapas, no final das contas, o custo total foi elevado – aproximadamente, R$ 35 mil para uma viagem de duas semanas.

E tudo isso sem ter a certeza de que, de fato, veria as tão esperadas northern lights.

Isso porque as erupções solares se intensificam a cada dez ou 11 anos, devido a um ciclo natural do Sol. Elas são responsáveis por liberar partículas no espaço que, ao atingirem a Terra, geram as auroras boreais no polo Norte e as auroras austrais no polo Sul.

E estamos justamente no atual ciclo, em que o aumento das explosões solares começou no final de 2024 e deve durar até meados de abril de 2026. Por isso, eu precisava decidir se iria agora ou esperaria mais dez anos para ter essa oportunidade novamente.

Por mais que este seja um período favorável, ver a aurora depende de três fatores no momento em que acontecem:

  • Atividade solar;
  • Localização geográfica;
  • Condições meteorológicas favoráveis (céu limpo e sem nuvens).

Em relação à atividade solar, encontrei condições favoráveis devido ao ciclo. Já o local foi a cidade de Tromso, no extremo norte da Noruega, a fim de ter minhas chances aumentadas.

Agora, o clima… este foi bem desafiador. Antes mesmo da viagem, já havia reservado pelo menos os quatro primeiros dias da viagem para as “caçadas” à aurora.

Apesar de as caçadas parecerem um passeio turístico como qualquer outro, já adianto: elas são bem desafiadoras. Um dia, enfrentamos mais de seis horas de deslocamento em busca da aurora, sendo que voltávamos as 3h da manhã – e com a frustração de não termos visto nada. Numa outra ocasião, ficamos expostos cerca de cinco horas a um frio de -16ºC e com vento congelante aguardando a aurora aparecer.

No primeiro dia, o tempo estava predominantemente fechado. Vimos somente uma pequena linha no céu e uma mancha no horizonte, que duraram apenas alguns minutos. O segundo dia foi marcado pelo céu completamente coberto a noite toda.

O terceiro dia trouxe a esperança de volta com condições um pouco mais favoráveis – o que me deixou feliz, mas não completamente satisfeito.

Mas todo o esforço foi recompensando no quarto e último dia. Finalmente, o tempo estava perfeito, sem nuvens, e pude ver a aurora “dançando” e cobrindo todo o céu por cerca de meia hora.

Um verdadeiro espetáculo da natureza. Imagem: arquivo pessoal.

Em suma, foi uma história com final feliz, mas poderia ser o oposto. Para reduzir as chances de frustração, até tinha feito um plano B, com mais cinco dias de estadia em Tromso para insistir nas caçadas. Eu tentaria até o último dia para ver a bendita aurora caso fosse necessário.

Pode não parecer, mas eu contei toda essa história porque ela tem tudo a ver com o mercado financeiro.

Esse ciclo de dez anos das erupções solares nos lembra os do mercado financeiro: as grandes crises que acontecem a cada dez anos aproximadamente, o ciclo de diversas commodities ditadas pela natureza, assim como o ciclo do Bitcoin, que dura cerca de quatro anos.

Da mesma forma, investir exige dedicação, paciência, controle da ansiedade e muito planejamento. Muitas vezes, pode demorar mais do que o esperado para dar retorno.

Por isso, alinhe suas expectativas. Se algo não estiver acontecendo como esperado, tenha um plano B, para ter mais uma chance de sucesso e evitar a frustração.

Mesmo assim, você precisa se preparar para o pior para não ser pego de surpresa. Por isso, mensure muito bem o risco. Assuma somente aqueles que são compatíveis com o seu perfil de investidor.

Para finalizar, a mensagem principal que eu quero passar é: o mercado recompensa quem é consistente e paciente, principalmente nos cenários mais desafiadores. Exemplo disso é justamente o inverno cripto pelo qual estamos passando neste exato momento.

Até a próxima,

Thales

Thales Inada
Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro de formação, com MBA em investimentos e Asset Allocation, iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance, Mercado Bitcoin e XDEX.
Assine grátis