E se eu te disser que existe uma forma de você enriquecer, relativamente rápido e com quase zero esforço, apenas estando certo sobre um cenário econômico? Provavelmente você diria que é mentira ou algo impossível. Mas e se eu te disser que eu mesmo estou fazendo isso neste exato momento, com meu próprio dinheiro e de forma pública? O nome dessa “mágica” de multiplicação de dinheiro se chama marcação a mercado. Hoje, vou te mostrar na prática como você pode usar essa estratégia para buscar retornos expressivos ou, se não tomar cuidado, perder dinheiro.
Entendendo a Lógica da Renda Fixa
Para dominar a marcação a mercado, primeiro precisamos alinhar o básico. Quando você investe em Renda Fixa, você está essencialmente emprestando dinheiro para alguém. No caso do Tesouro Direto, você empresta para o governo federal. Em troca, o governo promete te devolver o dinheiro acrescido de juros. Existem três formas principais de remuneração nesses títulos: os pós-fixados (como o Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros), os prefixados (onde a taxa é definida na compra, ex: 13% ao ano) e os híbridos (que pagam a inflação mais uma taxa fixa, como o Tesouro IPCA). A grande oportunidade de lucro explosivo não está no Tesouro Selic, que é estável, mas sim nos títulos que sofrem alta volatilidade: os prefixados e os atrelados à inflação.
Como Funciona a Marcação a Mercado na Prática
A mágica acontece porque o preço dos títulos muda todos os dias com base na expectativa dos juros futuros. Vamos a um exemplo prático. Imagine um título prefixado que promete pagar R$ 1.000 no vencimento em 2032. Se você comprá-lo hoje com uma taxa de 13,7%, você pagaria cerca de R$ 407. Se você segurar até 2032, receberá os R$ 1.000 contratados. Porém, se daqui a dois anos a economia melhorar e a taxa de juros cair para 10%, o preço do seu título sobe drasticamente antecipadamente. Nessa simulação, o título passaria a valer cerca de R$ 621. Isso representaria um retorno de 52% em apenas dois anos. Eu mesmo já vivi isso: há mais de 10 anos, investi cerca de R$ 5.800 e, em menos de 200 dias, o valor saltou para mais de R$ 6.500, um retorno anualizado de 43%.
Uma Janela de Oportunidade Histórica
Você pode estar se perguntando: “Mas qual a chance das taxas caírem ou subirem?”. Ninguém prevê o futuro, mas podemos olhar para o passado. Analisando os dados desde 2010, percebemos que estamos vivendo uma janela única. As taxas atuais dos títulos prefixados e IPCA+ estão em patamares extremamente raros. Para provar isso, compilei a frequência das taxas históricas na tabela abaixo:
| Taxa do Tesouro Prefixado | Frequência Histórica (desde 2010) | Cenário |
|---|---|---|
| Abaixo de 6% | 3% das vezes | Raro (Ocorreu na Pandemia) |
| Entre 6% e 9% | 19% das vezes | Pouco Frequente |
| Entre 9% e 13% | 65% das vezes | Cenário Mais Comum |
| Acima de 13,7% (Hoje) | Apenas 9% das vezes | Oportunidade Atual |
Como você pode ver, estamos em um momento que acontece em menos de 10% do tempo histórico. A economia já dá sinais de desaceleração da inflação e o próprio Boletim Focus projeta queda de juros para os próximos anos.
O Segredo da Multiplicação: Duration e Renda Mais
Embora o Tesouro Prefixado ofereça bons ganhos, a maior oportunidade da marcação a mercado está nos títulos com vencimentos longos, devido ao conceito de “Duration”. Quanto maior o prazo, maior o efeito da queda de juros no preço do título. É aqui que entra o Tesouro Renda Mais e o IPCA+ com vencimentos longos (como 2050 ou 2065). Fizemos uma simulação do potencial de retorno caso as taxas voltem para patamares mais “normais” de mercado:
| Cenário da Taxa Futura (IPCA+) | Retorno Estimado no Preço do Título | Multiplicação de Capital |
|---|---|---|
| Cair para IPCA + 5% | 300% de Retorno | Multiplica por 4x |
| Cair para IPCA + 4% | 490% de Retorno | Multiplica por quase 6x |
Se a taxa cair para IPCA + 4% (o que é historicamente mais comum do que os atuais IPCA + 7%), você poderia multiplicar seu patrimônio por quase seis vezes. É por isso que, na minha carteira pública “Rumo ao Trilhão”, tenho uma posição relevante nesses ativos.
Riscos: Você tem Estômago?
Apesar do potencial, é preciso ter cautela. Para esse cenário se concretizar, a inflação e os juros precisam cair. Além disso, a volatilidade no meio do caminho é brutal. Para você ter uma ideia, calculamos o desvio padrão (que mede a oscilação de preço) do Bitcoin e do Tesouro Renda Mais nos últimos três anos:
- Desvio Padrão Bitcoin: 2,86%
- Desvio Padrão Renda Mais: 3,06%
Isso significa que o Tesouro Renda Mais tem sido mais volátil que o Bitcoin. Portanto, ter apenas esses títulos na carteira seria loucura. A chave para aproveitar a marcação a mercado sem perder o sono é a diversificação. Você precisa proteger seu dinheiro do país e, principalmente, de você mesmo, evitando vender na hora errada caso o mercado oscile contra você no curto prazo.