No dia 11 de janeiro de 2026, o mundo acordou com uma notícia que parecia ter saído de um filme de ficção, mas que define perfeitamente o atual cenário geopolítico turbulento em que vivemos. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, publicou uma montagem em suas redes sociais declarando-se “presidente interino da Venezuela”. Não foi uma piada, nem um meme de apoiadores; foi uma declaração oficial de poder que ignorou completamente as leis internacionais. Quando questionado sobre o que limitava seu poder, Trump foi categórico ao afirmar que apenas sua própria moralidade o impedia, dispensando o direito internacional. Se você acha que isso é apenas ruído político, precisa entender que esses movimentos afetam diretamente o seu dinheiro.

O Plano de Três Etapas para a Venezuela

Muitos se perguntam por que, ao intervir na Venezuela, os EUA não colocaram no poder a oposição vencedora do Prêmio Nobel da Paz. A resposta, como quase sempre na história, é o petróleo. A estratégia americana no atual cenário geopolítico para a região foi desenhada friamente para controlar recursos, e não necessariamente para “salvar a democracia” da maneira que a mídia tradicional vende. Analisando as declarações e movimentos da Casa Branca, identificamos um plano claro de três etapas:

  1. Controle das Vendas: Os Estados Unidos assumem o controle total da comercialização do petróleo venezuelano por tempo indeterminado. O país produz, mas é o Tio Sam quem vende.
  2. Revitalização da Infraestrutura: Gigantes americanas como Chevron, ExxonMobil e ConocoPhillips retornam para modernizar a sucateada infraestrutura petrolífera com capital americano.
  3. Divisão de Lucros: A receita gerada é dividida entre EUA e Venezuela sob termos que, segundo o próprio Trump, serão definidos conforme a conveniência americana.

O Problema Chinês: A Mudança na Demanda Global

Existe, no entanto, uma peça nesse quebra-cabeça que poucos estão observando: para quem vender esse petróleo? Historicamente, a China comprava cerca de 70% do petróleo venezuelano. Mas a China de 2026 não é a mesma de dez anos atrás. O gigante asiático está atingindo seu pico de demanda de petróleo e migrando agressivamente para a eletrificação. Dados recentes da CNPC e relatórios de vendas de veículos mostram uma mudança estrutural brutal que impacta todo o mercado de energia.

Veja abaixo os dados que comprovam por que a China não será mais a “salvadora” das exportações de petróleo, forçando os EUA a repensarem suas estratégias comerciais:

Indicador Econômico Dados Históricos / Atuais
Crescimento da Demanda de Petróleo (China – 10 anos atrás) Entre 5% e 8% ao ano
Crescimento da Demanda de Petróleo (China – 2025) Apenas 0.9%
Vendas Globais de Carros Elétricos (2025) 18.5 milhões de unidades
Vendas de Carros Elétricos na China (2025) 11 milhões (60% do total global)

A Obsessão pela Groenlândia: Não é Só Gelo

Enquanto a poeira não baixa na América do Sul, Trump voltou seus olhos para o Norte, oferecendo comprar a Groenlândia por cerca de 700 bilhões de dólares ou, nas suas palavras, “tomá-la de um jeito ou de outro”. Isso gerou uma crise sem precedentes na OTAN, com Alemanha e França enviando tropas para proteger o território dinamarquês. Mas por que arriscar uma aliança histórica por uma ilha gelada? A resposta está no subsolo e é vital para a tecnologia do futuro.

A Groenlândia possui cerca de 31 bilhões de barris de petróleo, mas o verdadeiro tesouro são as terras raras. Estima-se que a ilha contenha 25% das reservas mundiais desses minerais essenciais para chips, mísseis e baterias. Hoje, a China domina esse mercado, processando 85% das terras raras do mundo. Para os EUA, controlar a Groenlândia não é um capricho imobiliário; é uma questão de segurança nacional para quebrar o monopólio chinês sobre a tecnologia moderna.

3 Lições para Proteger Seu Patrimônio Agora

Eu não estou aqui para fazer julgamentos morais sobre quem está certo ou errado, mas sim para te alertar. O mundo mudou, e a globalização pacífica acabou. O cenário geopolítico de 2026 exige que você, investidor, tome atitudes práticas para não ver seu patrimônio derreter junto com moedas fracas ou crises diplomáticas.

1. Recursos Naturais são o Novo Refúgio

Com a instabilidade das moedas fiduciárias e a guerra tecnológica, ativos reais como Ouro, Prata e commodities agrícolas ganham destaque. O ouro, por exemplo, valorizou mais de 180% desde que o recomendamos na carteira da Finclass em 2022. Em tempos de guerra e incerteza, o ouro não é apenas um investimento; é o seguro definitivo contra o caos.

2. A Globalização Acabou: Diversifique

Antigamente, países podiam divergir politicamente e continuar fazendo negócios. Hoje, o mundo está se dividindo em blocos. O Brasil, que depende da China e importa diesel da Rússia, fica em uma posição vulnerável. Você não pode manter 100% do seu patrimônio exposto ao “Risco Brasil”. É urgente dolarizar parte do seu capital. Se você ainda não sabe como fazer isso, recomendo fortemente que leia nosso guia sobre como investir no exterior, pois essa é a única forma de blindar seu dinheiro contra canetadas de Brasília ou sanções internacionais.

3. O Papel do Bitcoin como Reserva de Valor

Olhe para o Irã. Em meio a protestos e um colapso econômico onde o rial iraniano virou pó, o Bitcoin subiu mais de 2.000% no país em poucas semanas. A população encontrou na criptomoeda uma forma de sobreviver e manter a dignidade financeira. Ter uma pequena porcentagem do seu patrimônio em Bitcoin (entre 1% a 5%) não é aposta, é um seguro contra a irresponsabilidade governamental e o colapso do sistema financeiro tradicional.

Conhecido como O Primo Rico, é investidor, empresário e educador financeiro. Fundador da plataforma Grupo Primo e autor de livros, entre eles o best-seller “Do mil ao milhão: sem cortar o cafezinho”, tornou-se uma das vozes mais influentes da educação financeira no Brasil.