fev, 2026 Criptomoedas

O que são as stablecoins e quais são as principais?

Thiago Koguchi

Criptomoedas, como as famosas Bitcoin e Ethereum, são verdadeiras montanhas-russas: podem, de uma hora para outra, subir de forma vertiginosa e, na sequência, despencar com a mesma rapidez. Essa volatilidade, inclusive, é o que afasta investidores mais conservadores. Afinal, as chances de ganhar muito dinheiro são proporcionais ao risco de perdas expressivas.

Mas nem todos os criptoativos exigem tanto estômago ou coração tão forte. Com um pezinho no mercado financeiro tradicional e outro no ecossistema cripto, as chamadas stablecoins — em tradução direta, “moedas estáveis” — são ativos digitais projetados, como o nome sugere, para manter um valor estável.

Com lastro em ativos de referência como o dólar ou o ouro, são amplamente usadas como meio de troca e reserva de valor dentro do próprio mercado cripto.

Quer entender melhor o que são e para que servem esses ativos digitais? Então, fique com a gente. Neste verdadeiro guia essencial sobre stablecoins, você verá:

  • O que são stablecoins?
  • Como funciona uma stablecoin?
  • Quais são as principais stablecoins?
  • Qual a diferença entre criptomoeda e stablecoin?
  • Quanto vale 1 stablecoin?
  • Como investir em stablecoins?
  • Como declarar stablecoins no Imposto de Renda?
  • Stablecoin vale a pena?

Vamos nessa? Aqui está tudo o que você precisa saber para entender as stablecoins.

O que são stablecoins?

As stablecoins podem ser entendidas como uma espécie de crossover entre os mercados financeiros tradicional e o de criptomoedas. São, em essência, criptoativos concebidos para manter estabilidade de valor em relação a ativos de referência, como moedas fiduciárias, commodities ou instrumentos financeiros. Uma stablecoin atrelada ao dólar americano, por exemplo, busca manter seu valor próximo de US$ 1

Mas qual a razão disso? Em termos práticos, as stablecoins surgiram para preencher uma lacuna no mercado cripto: a necessidade de um meio de troca mais consistente para o uso no dia a dia. Isso acontece porque a elevada volatilidade de criptomoedas, como Bitcoin e Ethereum, dificulta que esses ativos sejam usados de forma confiável em operações simples, como pagamentos e transferências.

Na prática, as stablecoins fornecem uma maneira simples e previsível, de usar, armazenar e enviar dinheiro online. Servem principalmente para:

  • Compra e venda de ativos;
  • Reserva de valor em momentos de instabilidade no mercado cripto;
  • Transferências e remessas internacionais.

Não é de se estranhar, portanto, que stablecoins populares como o USDT apresentem, muitas vezes, um volume de movimentação diária superior ao do Bitcoin

Observação: embora as stablecoins possam ser usadas para pagamentos, não devem ser confundidas com o dinheiro da sua conta bancária digital. Diferentemente das moedas tradicionais, não são emitidas por bancos centrais.

 Algumas são geridas por empresas privadas, que mantêm reservas em moedas ou outros ativos para garantir que cada stablecoin continue valendo o equivalente a um dólar (ou outra moeda de referência). Enquanto outras podem ser controladas por contratos inteligentes ou algoritmos, funcionando sem depender de uma autoridade central. 

Quais são os tipos de stablecoin?

Existem quatro tipos principais de stablecoins: fiat-collateralized, commodity-backed, crypto-collateralized e algorithmic.

O que as diferencia? Os métodos de lastro que cada uma delas utiliza para manter a estabilidade. Algumas mantêm a paridade por meio de algum tipo de reserva, seja em ativos tangíveis ou em criptomoedas, enquanto outras podem ser controladas por algoritmos ou fórmulas.

Isso fica mais fácil de entender quando explicamos essas categorias uma por uma. Olha só:

Fiat-collateralized (stablecoins de moeda fiduciária)

Este é o tipo mais comum de stablecoin, representando atualmente mais de 90% da oferta total em circulação. Trata-se de criptoativos que buscam manter paridade com moedas oficiais emitidas por governos, como o dólar norte-americano.

Na prática, cada stablecoin desse tipo é lastreada em uma quantidade equivalente da moeda fiduciária correspondente, mantida em reserva pelo emissor, geralmente em contas bancárias. Assim, para cada unidade em circulação, existe um valor equivalente fora da blockchain que sustenta o seu preço.

Um exemplo conhecido é a Tether (USDT): para cada USDT emitido, sua emissora, a Tether Limited, mantém o equivalente a US$ 1 em reservas.

Commodity-backed (stablecoins de commodities)

Stablecoins dessa categoria têm seu valor lastreado em ativos físicos, como ouro, prata ou petróleo. Cada token representa a posse de uma quantidade determinada do ativo subjacente, que é mantido em custódia por uma instituição de confiança.

Um exemplo popular é a Paxos Gold (PAXG), stablecoin pareada ao ouro.

Crypto-collateralized (stablecoins de criptomoedas)

São stablecoins lastreadas em outros criptoativos, como as famosas Bitcoin e Ethereum, por exemplo. Para lidar com a alta volatilidade desses ativos, esse tipo de stablecoin costuma ser sobrecolateralizado, ou seja, a garantia bloqueada é maior do que o valor emitido.

Na prática, isso significa que, para emitir US$ 100 em uma stablecoin como o DAI, por exemplo, pode ser necessário bloquear cerca de US$ 200 em criptomoedas (como Ethereum). Esse valor “extra” funciona como uma margem de segurança, ajudando a stablecoin a se manter estável mesmo que o preço do ativo usado como lastro caia.

É importante destacar que, embora o lastro seja feito em criptomoedas, a paridade não é com outra criptomoeda, mas com uma moeda fiduciária. No caso do DAI, por exemplo, a referência é o dólar, de modo que 1 DAI busca valer próximo de US$ 1.

A diferença, portanto, está no tipo de reserva: em vez de dólares, a garantia é feita com criptomoedas, em valor superior ao emitido, justamente para compensar a volatilidade.

Algorithmic (stablecoins algorítmicas)

Muito menos comuns, esse tipo de stablecoin não tem lastro em nenhum tipo de ativo. A estabilidade é mantida por meio de contratos inteligentes, que respondem automaticamente a desequilíbrios entre oferta e demanda, emitindo (minting) ou queimando (burning) tokens.

Para entender melhor: quando uma stablecoin algorítmica passa a ser negociada acima do seu valor de referência, o protocolo emite novas unidades para pressionar o preço para baixo. Em sentido contrário, se o ativo passa a ser negociado abaixo da paridade, o protocolo reduz a quantidade de tokens em circulação, o que tende a elevar o preço.

Apesar da proposta automatizada e inovadora, as stablecoins algorítmicas inspiram cautela. Esse receio tem origem em um caso concreto: o colapso bilionário da TerraUSD (UST) em 2022, resultado da incapacidade do algoritmo de sustentar a paridade com o dólar diante de uma corrida de vendas, o que gerou perdas significativas para milhares de usuários.

Agora que você já conhece os quatro principais tipos de stablecoins, vamos resumir as diferenças em uma tabela comparativa para ficar mais fácil de visualizar:

Tipo de stablecoin Lastro Como mantém a paridade Exemplo Características principais
Fiat-collateralized (moeda fiduciária) Reservas em moeda oficial (geralmente dólar) mantidas fora da blockchain Para cada token emitido, existe valor equivalente em reserva bancária USDT (Tether), USDC Tipo mais comum; estrutura simples; depende da confiança no emissor e nas auditorias
Commodity-backed (commodities) Ativos físicos como ouro ou prata Cada token representa uma fração custodiada do ativo físico PAXG (ouro) Funciona como versão digital de commodities; valor ligado ao preço do ativo real
Crypto-collateralized (criptomoedas) Criptoativos bloqueados como garantia Sobrecolateralização compensa a volatilidade do lastro DAI Descentralizadas; exigem excesso de garantia; mais complexas, porém transparentes on-chain
Algorítmicas Não possuem lastro direto Algoritmos ajustam oferta e demanda automaticamente TerraUSD (UST, colapsada) Modelo experimental; maior risco estrutural. 

 

Como funciona o stablecoin?

O funcionamento das stablecoins lembra o do extinto padrão-ouro, sistema monetário internacional que limitava a emissão de dinheiro de um país à quantidade de ouro mantida em reserva. No caso das stablecoins, porém, o lastro pode ser feito com diferentes ativos, como moedas fiduciárias, commodities (incluindo o próprio ouro) ou até outras criptomoedas.

A lógica é simples: para cada stablecoin em circulação, a entidade responsável pela emissão mantém uma reserva de igual valor do ativo subjacente, sob custódia própria ou de instituições financeiras parceiras. Em tokens atrelados ao dólar, como a USDC, por exemplo, a emissora — neste caso, a Circle — mantém uma reserva real de US$ 1 para cada unidade emitida. É assim que a paridade e a estabilidade são preservadas.

Além do lastro em ativos, algumas stablecoins também tentam manter a estabilidade por meio de mecanismos algorítmicos automatizados, que ajustam a oferta conforme a demanda. Essa abordagem, no entanto, é bem menos comum.

Quais são as principais stablecoins?

Estima-se que existam hoje mais de 200 stablecoins em circulação. Somadas, elas representam cerca de 8% do valor total do mercado cripto, algo em torno de US$ 300 bilhões.

Para quem está começando nesse mercado, porém, não é necessário conhecer todas elas. Afinal, assim como acontece com as criptomoedas em geral, a grande maioria é formada por projetos emergentes ou de menor relevância. Na prática, são poucas as stablecoins que realmente concentram liquidez, adoção e confiança do mercado. Abaixo, apresentamos a você as mais importantes entre elas.

Tether (USDT)

Assim como o Bitcoin é o manda-chuva das criptomoedas, a Tether (USDT) é a soberana em seu mercado. Trata-se da stablecoin mais antiga em circulação e também a mais conhecida e utilizada do mundo, representando sozinha mais de 60% da capitalização de todas as stablecoins combinadas.

A Tether é uma moeda centralizada, pareada ao dólar norte-americano. Cada USDT vale, portanto, cerca de US$ 1. É emitida pela Tether Limited, que mantém reservas formadas por dólares, títulos públicos, papéis comerciais e outros instrumentos financeiros para assegurar a paridade da moeda.

USD Coin (USDC)

Se, proporcionalmente, a Tether (USDT) é o equivalente ao Bitcoin entre as stablecoins, a USD Coin (USDC) poderia ser comparada ao Ethereum: é a segunda maior, amplamente utilizada e bastante respeitada pelo mercado.

Assim como a Tether, a USDC é uma moeda centralizada pareada ao dólar americano. Criada em parceria pela Circle e Coinbase em 2018, é lastreada em dólares e em títulos de curta duração do Tesouro dos EUA, o que a torna uma das stablecoins mais confiáveis do mercado.

Dai (DAI)

A Dai é uma stablecoin descentralizada, pareada ao dólar, mas com lastro em criptomoedas, como o Ethereum. Cada unidade vale aproximadamente US$ 1, mas a paridade não é garantida por dólares, e sim por uma reserva de criptomoedas, sempre maior do que o total de DAI em circulação para compensar a volatilidade.

Diferentemente da Tether ou da USD Coin, a DAI não depende de uma autoridade central. Ela é criada e gerenciada pela comunidade MakerDAO, totalmente na blockchain Ethereum.

Para gerar DAI, os usuários depositam criptomoedas como garantia em contratos inteligentes da MakerDAO. O valor depositado é sempre maior que o DAI emitido. Por exemplo, US$ 200 em Ethereum podem gerar US$100 em DAI. Se o valor do colateral cair demais, o sistema ajusta automaticamente para manter a paridade com o dólar.

Paxos Gold (PAXG)

A Paxos Gold (PAXG) é um dos exemplos mais conhecidos de stablecoin de commodity. Como o nome sugere, é uma moeda com lastro em ouro.

Cada unidade de PAXG equivale a uma onça-troy de ouro físico (aproximadamente 31,1 gramas), guardada em cofres de alta segurança. É uma stablecoin centralizada, controlada pela Paxos Trust Company.

Outros exemplos 

Para não ficar só nos exemplos mais óbvios, cabe ainda listar, mesmo que brevemente, algumas outras stablecoins relevantes:

  • Binance USD (BUSD): stablecoin atrelada ao dólar, emitida com respaldo regulatório e reservas 1:1, frequentemente usada na plataforma Binance;
  • Frax (FRAX): modelo híbrido de stablecoin que combina mecanismos algorítmicos com garantias colaterais para manter a paridade com o dólar;
  • PayPal USD (PYUSD): stablecoin emitida em parceria com a PayPal, lastreada 1:1 em dólares e integrada a soluções de pagamento digital.

Qual a diferença entre criptomoeda e stablecoin?

Todas as stablecoins são criptomoedas, mas nem todas as criptomoedas são stablecoins — na verdade, a maioria não é. Mas o que diferencia uma stablecoin de um Bitcoin, por exemplo? Basicamente, a existência de lastro — e, consequentemente, de estabilidade.

As stablecoins, vale recapitular, são criptoativos programados para manter o preço estável, com lastro em ativos como moedas fiduciárias, commodities ou outras criptomoedas

Por exemplo, para cada stablecoin pareada ao dólar em circulação, existe US$ 1 em moeda real custodiado. É esse lastro que garante a estabilidade e torna as stablecoins úteis para transações do dia a dia, como compras de outras criptomoedas ou remessas online.

Já criptomoedas como Bitcoin ou Ethereum não possuem lastro em outros ativos. Essa falta de âncora é o que torna seu preço volátil. De modo geral, esses criptoativos são usados para investimento, especulação e reserva de valor.

Quanto vale 1 stablecoin?

Stablecoins tem como principal característica a paridade com outro ativo. Isso significa que o valor de uma stablecoin é sempre igual ou muito próximo do ativo subjacente. Por exemplo, aquelas pareadas ao dólar norte-americano — o modelo mais comum — valem US$ 1 cada. 

Já as stablecoins lastreadas em commodities geralmente valem o preço de uma quantidade específica da matéria-prima correspondente. No caso do ouro, por exemplo, cada token equivale a uma onça-troy de ouro físico.

Observação: em casos excepcionais, o preço de uma stablecoin pode se afastar ligeiramente do valor do ativo de referência, seja por alta demanda, liquidez limitada ou instabilidade temporária do mercado. Isso, contudo, é algo raro em moedas já consolidadas.

Como investir em stablecoins?

Existem diferentes maneiras para compras stablecoins. As mais práticas e seguras, principalmente para quem tem pouca ou nenhuma familiaridade com o mercado de criptoativos são: exchanges, wallets e os aplicativos de pagamentos. 

A seguir explicamos cada uma dessas opções:

Exchange

Esse, talvez, seja o meio mais prático para quem já se habituou a investimentos tradicionais e quer começar a comprar stablecoins. As exchanges nada mais são do que um tipo de corretora especializada em criptoativos.

O processo aqui é muito parecido — para não dizer igual — ao de abrir conta e investir em uma corretora tradicional. Olha só:

  • Faça seu cadastro: escolha a exchange, preencha seus dados pessoais e envie os documentos solicitados. Entre as plataformas mais conhecidas estão Binance, NovaDAX, Coinbase e Mercado Bitcoin;
  • Depósito: transfira dinheiro para sua conta na exchange. Pode ser via cartão de crédito/débito ou transferência bancária. A maioria das exchanges já aceita Pix;
  • Compra: escolha a stablecoin desejada, defina a quantidade e siga as instruções da plataforma para concluir a transação.

Simples, não? Mas existem ainda duas outras opções que você precisa conhecer, principalmente se já investe em criptoativos ou procura mais segurança.

Wallets e aplicativos

As wallets são carteiras digitais que permitem guardar suas criptomoedas com segurança, sem depender de uma exchange. Algumas delas, como MetaMask, Trust Wallet e Coinomi, também permitem comprar stablecoins diretamente dentro do app, usando cartão de crédito, débito ou Pix.

Além disso, certos aplicativos de pagamento e fintechs, como Nubank e Revolut, permitem adquirir e usar stablecoins de forma simples, sem precisar lidar com transferências complexas ou chaves privadas. Basta criar uma conta, adicionar fundos e escolher a stablecoin desejada.

Como declarar stablecoins no Imposto de Renda?

A Receita Federal considera as stablecoins como criptoativos para fins de Imposto de Renda e exige que sejam declaradas quando você as possui ou negocia.

Vendas de criptoativos — incluindo stablecoins — de até R$ 35 mil por mês são isentas de IR sobre o ganho de capital. Contudo, mesmo que não haja lucro algum, a declaração de posse é obrigatória sempre que o valor do ativo for igual ou superior a R$ 5 mil (em cripto/movimentação no ano).

Declaração de posse 

As stablecoins devem ser declaradas como um bem — assim como uma casa, um carro ou aplicações financeiras. O caminho é o seguinte:

  • Abra o programa da Declaração de Ajuste Anual do IRPF.
  • Vá para a ficha “Bens e Direitos” → clique em “Novo”.
  • Selecione o grupo “08 – Criptoativos”.
  • Escolha o código 3, usado para indicar as stablecoins;
  • Em Discriminação, informe:
    • Nome da stablecoin (USDT, USDC, etc.);
    • Nome da exchange ou carteira utilizada;
    • Quantidade de moedas;
  • Em Situação em 31/12/ano anterior: coloque o valor em reais na data da compra (ou 0 se for primeira declaração);
  • Em Situação em 31/12/ano atual: coloque o valor em reais atualizado.

Declaração de venda e lucro

Se você vendeu stablecoins, é preciso declarar o ganho de capital:

  • Abra o programa GCAP (Ganho de Capital) da Receita Federal;
  • Clique em Novo e selecione Criptoativos / Stablecoins;
  • Informe os detalhes da operação:
    • Data da venda;
    • Quantidade de moedas vendidas;
    • Valor recebido em reais na venda;
    • Valor de aquisição em reais (o que você pagou na compra).
  • O GCAP calculará automaticamente o lucro ou prejuízo e o imposto devido;
  • Se houver prejuízo, registre no GCAP para compensar ganhos futuros com criptoativos;
  • Depois, no programa IRPF:
    • Vá para a ficha Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva e selecione Ganho de capital na alienação de bens e direitos;
    • Importe os dados do GCAP ou informe manualmente.

Importante: cada stablecoin diferente que você possui deve ser declarada em uma ficha separada. Por exemplo, caso tenha USDT e USDC, é preciso criar uma ficha para USDT e outra para USDC, cada uma com suas quantidades e valores.

Da mesma forma, cada operação de venda de stablecoin precisa ser lançada individualmente no GCAP, porque o cálculo do lucro/prejuízo é feito para cada ativo.

Stablecoin vale a pena?

Depende muito dos seus objetivos. Antes de mais nada, é preciso entender que stablecoins não são exatamente um investimento ou instrumento especulativo.

Para deixar claro, veja duas definições de dicionário:

  • Estável: sem variações ou alterações; inalterável;
  • Investimento: aplicação de capital com objetivo de gerar lucro.

Ora, só podemos falar em investimento se a ideia for multiplicar o capital aplicado — não mantê-lo estável, certo?

Então, o que elas são? Um meio de pagamento e reserva de valor estável. Para quem quer crescimento rápido do dinheiro, outras criptomoedas ou investimentos tradicionais ainda são a opção.

Mesmo assim, comprar stablecoins pode ser interessante por diferentes motivos:

  • Proteção contra volatilidade: manter fundos em stablecoins é uma maneira de se resguardar contra grandes oscilações de preço de outras criptomoedas, como Bitcoin ou Ethereum;
  • Transações rápidas: enviar ou receber dinheiro de forma ágil, entre pessoas ou exchanges, sem depender de bancos;
  • Facilidade de acesso: comprar outros criptoativos ou participar de serviços financeiros descentralizados (DeFi);
  • Acesso ao dólar ou reserva digital: manter valor em dólar de forma prática, sem precisar de conta nos EUA — útil para comércio internacional ou proteção contra a volatilidade do real.

Mas atenção: mesmo que algum desses motivos faça sentido para você, tenha cautela antes de sair por aí comprando stablecoins. Lembre-se de que a segurança desses criptoativos depende principalmente de como são lastreados. 

Moedas ancoradas em ativos reais e emitidos por empresas confiáveis costumam ser mais seguros. Stablecoins algorítmicas podem ser mais arriscadas, já que dependem totalmente de códigos e algoritmos que podem falhar

A dica de ouro é: pesquise sempre o emissor e entenda o que sustenta a moeda antes de usar.

Recapitulando os pontos mais importantes…

Stablecoins são tokens programados para manter a estabilidade por meio da paridade com um ativo subjacente. Na maioria dos casos, elas buscam acompanhar o preço do dólar, funcionando como uma alternativa mais previsível para operações do dia a dia do que criptomoedas mais voláteis, como o Bitcoin.

No entanto, ainda assim esses criptoativos não são recomendados para perfis iniciantes e com pouca experiência no mercado. Afinal, assim como acontece com criptomoedas em geral, as stablecoins têm origem em projetos emergentes. Em termos mais simples, são pouquíssimas que vão lhe trazer liquidez e confiança do mercado ao mesmo tempo.

Na dúvida, o ideal é seguir estudando o assunto, assim como você fez com este artigo, para reduzir os riscos de investir em um ativo do qual não sabe muito a respeito, ou apenas para seguir modismos e tendências do momento.

Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br
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