Resultados Suzano 4T25: o que os números revelam sobre a maior produtora de celulose do mundo
Os resultados da Suzano no 4T25 mostraram uma empresa que atravessou o fundo do ciclo de preços da
celulose e encerrou 2025 com recordes operacionais. No trimestre, o EBITDA ajustado foi de
R$ 5,6 bilhões — queda de 14% frente ao 4T24, mas alta de 7% sobre o 3T25. O lucro
líquido ficou em R$ 116 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 6,7 bilhões registrado no
4T24.
No acumulado de 2025, a companhia atingiu receita líquida recorde de R$ 50,1 bilhões (+6% a/a) e
lucro líquido de R$ 13,43 bilhões, contra prejuízo de R$ 7,045 bilhões em 2024. O resultado reflete
volumes recordes de celulose e papel, com melhora de eficiência operacional que compensou parcialmente preços ainda
deprimidos e câmbio menos favorável.
Principais indicadores do 4T25
| Indicador | 4T25 | Var. vs 4T24 | Var. vs 3T25 |
|---|---|---|---|
| Vendas Líquidas | R$ 13,1 bilhões | -8% | — |
| EBITDA Ajustado | R$ 5,6 bilhões | -14% | +7% |
| Margem EBITDA | ~43% | — | — |
| Lucro Líquido | R$ 116 milhões | Reverteu prejuízo de R$ 6,7 bi | — |
| Geração de Caixa Operacional | R$ 3,7 bilhões | -24% | +7% |
Números consolidados de 2025
| Indicador | 2025 | 2024 | Variação |
|---|---|---|---|
| Vendas Líquidas | R$ 50,1 bilhões | — | +6% a/a |
| EBITDA Ajustado | R$ 21,7 bilhões | — | -9% |
| Lucro Líquido | R$ 13,43 bilhões | Prejuízo de R$ 7,045 bi | Reversão total |
| Geração de Caixa Operacional | R$ 13,9 bilhões | — | — |
| Vendas (Volume) | 14,2 milhões de toneladas | — | +15% a/a |
| Dívida Líquida / EBITDA (USD) | 3,2x | — | — |
O que impulsionou o EBITDA no 4T25
Mesmo com preços médios de celulose ainda menores que um ano antes, a Suzano conseguiu sustentar um EBITDA
robusto no trimestre por três fatores combinados: volumes recordes de vendas,
preço médio líquido maior (recuperação da fibra curta) e custo caixa de celulose no menor
nível desde o 4T21.
A planta de Ribas do Rio Pardo (MS) — o chamado Projeto Cerrado — completou sua
curva de aprendizado após a entrada em operação em julho de 2024, passando a contribuir de forma relevante para a
diluição de custos fixos e o aumento de escala. No segmento de papel, o EBITDA também cresceu,
sustentado por maior volume mesmo com preços menores.
Lucro modesto no trimestre, robusto no ano
O lucro líquido de R$ 116 milhões no 4T25 ficou bem abaixo do EBITDA, pressionado pelo
resultado financeiro. A alta alavancagem em dólar, com custo de dívida elevado, continua pesando
sobre a última linha do balanço no resultado trimestral. Porém, no acumulado de 2025, o lucro líquido de R$
13,43 bilhões representa uma reversão completa do prejuízo de R$ 7,045 bilhões registrado em 2024 —
quando efeitos cambiais e contábeis haviam distorcido o resultado.
Trajetória 2021–2025: do fundo do ciclo à recuperação
A trajetória da Suzano nos últimos cinco anos passou por fases bem definidas:
2021–2022: aprovação do Projeto Cerrado, elevando capex e alavancagem para preparar ganho de escala.
2023–2024: queda nos preços globais de celulose pressionou margens e lucros; o 4T24 marcou o fundo
contábil com prejuízo de R$ 6,7 bilhões. 2024–2025: o Projeto Cerrado impulsionou volumes e reduziu
custos, resultando em recordes operacionais — vendas de 14,2 milhões de toneladas (+15%), receita de R$ 50,1 bilhões
e EBITDA de R$ 21,7 bilhões.
A companhia encerrou 2025 mais eficiente, com maior escala e menor custo caixa, mostrando resiliência mesmo em
ambiente de preços ainda desafiador.
Movimentos estratégicos: Kimberly-Clark e papelcartão nos EUA
Dois movimentos estratégicos merecem atenção. O primeiro é o acordo para compra de 51% da joint venture
global com a Kimberly-Clark, que expande o negócio de tissue (papel para higiene) e deve ser concluído
por volta de meados de 2026. O segundo são os ativos de papelcartão nos EUA, que registraram seu
primeiro EBITDA positivo no segundo semestre de 2025 — um marco para a diversificação geográfica e
de produto.
Tese de investimento: o que considerar
A tese da Suzano hoje combina liderança global como maior produtora de celulose de eucalipto,
vantagem estrutural de custo (base florestal produtiva e logística integrada no Brasil) e uma
virada para forte geração de caixa.
Os cinco pilares que sustentam a tese são: (1) custo caixa estruturalmente inferior ao de concorrentes europeus e
norte-americanos; (2) preços em nível insustentável para produtores de alto custo, o que tende a forçar ajustes de
oferta global; (3) fase de redução de capex a partir de 2026, abrindo espaço para maior geração de
fluxo de caixa livre e desalavancagem; (4) disciplina de capital com foco em extrair valor dos investimentos já
realizados; e (5) expansão em produtos de maior valor agregado (tissue, embalagens, soluções de base florestal).
Principais riscos
O setor de papel e celulose é cíclico e volátil. A alta alavancagem (3,2x dívida
líquida/EBITDA em USD) é uma escolha deliberada da estratégia de expansão, mas representa risco em cenários de
deterioração. Outros fatores incluem: riscos de execução nos projetos, exposição a câmbio e juros (que afetam a
dívida denominada em dólar e o valuation), e riscos ambientais e climáticos que podem impactar
produtividade.
O que esperar da Suzano
Com a conclusão do grande ciclo de investimentos (Projeto Cerrado) e a entrada em fase de menor capex, a expectativa
é de desalavancagem gradual e aumento de retornos ao acionista nos próximos trimestres. A
alavancagem, hoje ao redor de 3x EBITDA em dólar, deve recuar com a melhora operacional. Em essência, trata-se de
uma tese de líder de baixo custo atravessando o fundo do ciclo, preparando a colheita de caixa na
retomada dos preços.
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Este material não é uma recomendação de investimentos, nem de compra e/ou venda de qualquer tipo de valores
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