fev, 2026 Ações

Resultados Ambev 4T25: Panorama Completo e Perspectivas para 2026

Luiz Guilherme Aboim

A Ambev (ABEV3) divulgou os resultados Ambev 4T25 com um cenário misto para investidores. Enquanto o lucro líquido ajustado recuou cerca de 8% para aproximadamente R$ 4,6 bilhões no trimestre, a estratégia de premiumização garantiu expansão de margem EBITDA pelo terceiro ano consecutivo. Neste artigo, você vai entender os principais indicadores, o valuation atual e o que esperar da maior cervejaria da América Latina.

Destaques dos Resultados Ambev 4T25

O quarto trimestre de 2025 apresentou pressão nos custos para a Ambev. As vendas líquidas totalizaram cerca de R$ 24,8 bilhões, com crescimento orgânico de aproximadamente 4,8% na comparação anual — impulsionado pelo reposicionamento do portfólio em direção a categorias de maior valor agregado. No entanto, o EBITDA ajustado ficou em torno de R$ 8,85 bilhões, queda de cerca de 8% versus o 4T24, com margem próxima de 35,7%. O lucro líquido ajustado recuou na mesma proporção, fechando em aproximadamente R$ 4,6 bilhões.

Principais Indicadores Financeiros — 4T25

Indicador 4T25 Variação vs 4T24
Vendas Líquidas ~R$ 24,8 bi +4,8% orgânico
EBITDA Ajustado ~R$ 8,85 bi -8%
Margem EBITDA ~35,7% Contração vs 4T24
Lucro Líquido Ajustado ~R$ 4,6 bi -8%

Resultados Acumulados de 2025

Se o 4T25 isolado foi fraco, o ano de 2025 como um todo conta uma história diferente. O EBITDA ajustado anual ficou em torno de R$ 29,5 bilhões, com alta de cerca de 5,6% em base orgânica. A margem EBITDA expandiu aproximadamente 50 pontos-base, marcando o terceiro ano consecutivo de melhora — reflexo direto da estratégia de premiumização da companhia. O lucro líquido ajustado anual alcançou por volta de R$ 15,1 bilhões, crescimento de cerca de 1,6% versus 2024.

Indicador 2025 Variação vs 2024
EBITDA Ajustado ~R$ 29,5 bi +5,6% orgânico
Margem EBITDA Expansão ~50 bps 3º ano seguido ↑
Lucro Líquido Ajustado ~R$ 15,1 bi +1,6%

Estratégia de Premiumização

Um dos pilares da tese de investimento em Ambev é o reposicionamento do portfólio. A companhia tem migrado volumes para categorias de maior valor agregado, fortalecendo marcas internacionais e avançando no portfólio não alcoólico. Essa estratégia compensa a desaceleração nos volumes com maior receita por hectolitro, protegendo margens mesmo em cenários de custo pressionado. No 4T25, o crescimento orgânico de 4,8% nas vendas líquidas veio majoritariamente do efeito preço/mix — não de aumento de volume.

Indicadores de Valuation

A Ambev negocia com múltiplos típicos de um negócio maduro, gerador de caixa e defensivo. O P/L de aproximadamente 16x reflete a previsibilidade do negócio, enquanto o P/VP de cerca de 3,0x é consistente com empresas de alto retorno sobre capital investido. Para quem busca entender os indicadores fundamentalistas, cabe notar que a Ambev opera com dívida líquida negativa — ou seja, tem mais caixa do que dívidas.

Múltiplo Valor Atual
P/L ~16x
P/VP ~3,0x
EV/EBITDA 9-10x
Dividend Yield ~7%

Rentabilidade e Balanço

O ROE (Retorno sobre o Patrimônio) da Ambev é de cerca de 17% ao ano, enquanto o ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) está próximo de 20%. Esses patamares são consistentes com empresas de qualidade superior no setor de consumo. Além disso, a empresa opera com dívida líquida negativa, o que posiciona o balanço como um dos mais sólidos da B3. O CAGR de receita nos últimos 5 anos ficou em aproximadamente 11%, enquanto o CAGR de lucro veio na faixa de 6 a 7%.

Indicador Valor
ROE ~17%
ROIC ~20%
Dívida Líquida/EBITDA Negativa (caixa líquido)
CAGR Receita (5 anos) ~11%
CAGR Lucro (5 anos) 6-7%

O que Esperar para 2026

Os resultados Ambev 4T25 trazem pontos de atenção e oportunidades para o investidor. A seguir, um resumo dos principais fatores a monitorar:

Pontos de Atenção

  • Volumes estagnados: O crescimento veio de preço/mix, não de volume — a aceleração de volumes é o principal catalisador que falta
  • Custos pressionados: Pressões históricas em alumínio, embalagens, logística e câmbio continuam afetando margens
  • Competição acirrada: Concorrência de players como Heineken segue pressionando volumes e limitando repasses de preço

Oportunidades

  • Premiumização contínua: Gestão ativa de preço e mix com marcas de maior valor agregado sustenta expansão de margem
  • Dividend Yield de ~7%: Atrativo para estratégias de renda passiva
  • Balanço fortaleza: Dívida líquida negativa e elevada capacidade de geração e distribuição de caixa
  • Re-rating possível: Se volumes acelerarem e margens continuarem expandindo, há espaço para reprecificação dos múltiplos atuais

Conclusão

Os resultados Ambev 4T25 mostram um trimestre pressionado, mas um ano de 2025 sólido. A Ambev não é uma empresa de crescimento explosivo, mas entrega consistência: margens em expansão há três anos, caixa líquido positivo e retorno sobre capital acima de 17%. Para o investidor de longo prazo, o dividend yield de ~7% e o balanço blindado fazem da ABEV3 uma posição defensiva de qualidade. O re-rating depende de aceleração de volumes e continuidade da expansão de margens — fatores que merecem acompanhamento trimestral.

Este material não é uma recomendação de investimentos, nem de compra e/ou venda de qualquer tipo de valores mobiliários.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição institucional da Investimentos.com.br ou de suas partes relacionadas.

Economista, especialista em valuation. Professor convidado do Coppead/UFRJ, FGV e Faculdade HUB. É sócio-fundador da ConfianceTec e da Escola de Finanças Aboim.
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