fev, 2026 Fundos Imobiliários

KNCR11: o que é, como funciona e como investir

Thiago Koguchi

Chegou a hora de sair da renda fixa e transitar por ativos de variável também? Essa transição não precisa ser brusca. Existem alternativas dessa classe que são menos voláteis que as demais e que até geram renda recorrente: é o caso do KNCR11.

Temos aqui um fundo imobiliário de papel que adota uma postura mais conservadora na hora de gerir os ativos que compõem seu portfólio. Some isso ao fato de que pagam rendimentos mensais de forma estável e temos aqui uma opção bem popular entre investidores que estão em busca de um ativo de renda variável, mas menos agressivo.

Quer saber mais sobre o assunto? Siga com a gente para descobrir:

  • O que é o KNCR11?
  • Como funciona o KNCR11 na prática?
  • O KNCR11 paga dividendos?
  • Qual é o histórico de dividendos e rendimentos do KNCR11?
  • O KNCR11 é um fundo conservador?
  • Qual é a liquidez do KNCR11 na bolsa?
  • Qual é o risco do fundo KNCR11?
  • Para que tipo de investidor o KNCR11 é mais indicado?
  • Como investir no KNCR11?

Vamos lá?

O que é o KNCR11?

O KNCR11 é um fundo imobiliário de papel, estruturado para investir majoritariamente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) com baixo risco de crédito e indexação predominante ao CDI. 

Em termos mais simples, é um fundo que empresta dinheiro para operações do setor imobiliário, por meio de títulos de crédito, e recebe juros por isso. Em relação aos rendimentos, estes são repassados aos cotistas na forma de dividendos mensais.

A gestão fica por conta da Kinea Investimentos, uma das gestoras mais respeitadas do mercado, ligada ao grupo Itaú, conhecida por uma abordagem extremamente conservadora na análise de risco

Inclusive, isso se reflete na carteira do KNCR11, que prioriza CRIs com devedores sólidos, estruturas bem garantidas e pulverização de risco. Aliás, é por esse motivo que o FII costuma ser visto como uma porta de entrada para investidores que querem exposição a fundos imobiliários, mas com um perfil mais defensivo, focado em preservação de capital e previsibilidade de fluxo de caixa.

Como funciona o KNCR11 na prática?

O KNCR11 é como um grande veículo de financiamento ao setor imobiliário, que investe a maior parte do seu patrimônio em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Esses títulos representam dívidas lastreadas em operações imobiliárias, e o FII atua como credor: ele empresta recursos, recebe juros periódicos e distribui esse resultado aos cotistas na forma de rendimentos mensais.

Com ele no portfólio, investidores não estão expostos à ocupação de imóveis, mas sim à capacidade de pagamento dos devedores dos CRIs, às taxas contratadas e à solidez das garantias dessas operações.

Diferentemente dos FIIs de tijolo, que dependem de fatores como aluguel, vacância e valorização física dos imóveis, o KNCR11 tem uma dinâmica muito mais próxima da renda fixa, embora tenha suas cotas negociadas na Bolsa e, por isso, pertença à classe da renda variável.

Passando agora para a performance do FII, ela está ligada a três pilares: 

  • Nível da taxa de juros; 
  • Qualidade de crédito dos emissores dos CRIs; 
  • Estrutura das garantias envolvidas. 

Como grande parte da carteira do KNCR11 é indexada ao CDI, o fundo tende a se beneficiar de cenários de juros elevados, comuns no Brasil. Nesses momentos, a renda gerada aumenta de forma relativamente previsível, o que explica por que o KNCR11 costuma apresentar rendimentos estáveis e baixa volatilidade da cota.

O KNCR11 paga dividendos?

Sim, o KNCR11 paga dividendos de forma regular e é conhecido por distribuir rendimentos mensais aos cotistas. Esse pagamento vem do resultado operacional do fundo, que é gerado principalmente pelos juros e receitas dos CRIs que compõem o portfólio. Inclusive, esses proventos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

O valor exato desses proventos varia de acordo com o desempenho do portfólio e do nível de juros no período em questão. Para você ter uma ideia mais clara, saiba que os resultados em dividend yield mensal do KNCR11 ficam com frequência acima dos 1% — se pensarmos nessa porcentagem em termos anuais, temos retornos bem atraentes em relação ao preço da cota.

Qual é o histórico de dividendos e rendimentos do KNCR11?

Dá uma olhada no histórico de pagamentos do KNCR11, com registros de fevereiro a dezembro de 2025:

Período (Data-base) Pagamento Dividendo por cota (R$)
30/12/2025 14/01/2026 1,30
28/11/2025 11/12/2025 1,11
31/10/2025 13/11/2025 1,33
30/09/2025 13/10/2025 1,35
29/08/2025 11/09/2025 1,35
31/07/2025 13/08/2025 1,35
28/02/2025 17/03/2025 1,07

Importante: esses dados foram compilados apenas para você ter uma noção mais clara sobre os pagamentos feitos pelo FII. Afinal, rendimentos podem variar de acordo com o período e condições do mercado.

Voltando ao assunto, os dividendos são geralmente apresentados como valor por cota em reais, mas, para avaliar a atratividade do KNCR11, você pode olhar também o dividend yield (DY), que relaciona os proventos ao preço da cota no mercado. Por exemplo:

  • Um dividendo de R$ 1,30 com a cota a R$ 107,51 representa um DY mensal de cerca de 1,21% — anualizado, pode colocar o retorno em torno de duas casas percentuais acima do CDI.

Com esse tipo de análise, você não somente entende o quanto recebe, mas também visualiza melhor quanto esse valor representa comparado ao preço que você pagou pela cota.

O KNCR11 é um fundo conservador?

O KNCR11 pode, sim, ser considerado um fundo com perfil mais conservador, especialmente quando comparado com FIIs de tijolo ou estratégias mais arriscadas. Isso acontece porque a carteira do KNCR11 é composta em torno de 90% ou mais em CRIs e uma parcela em LCIs e caixa, com grande parte dos títulos atrelada ao CDI e com prazo médio de vários anos. 

Com essa configuração, a gestão consegue reduzir a exposição às oscilações de preço de imóveis físicos e vinculadas a fatores como vacância ou aluguel. Em vez disso, foca em juros de crédito imobiliário e renda flutuante estável.

Além disso, vale lembrar que, ao longo de 2025 e 2026, o FII tem distribuído rendimentos mensais relativamente consistentes e elevados em termos percentuais, com histórico de dividend yields anuais na faixa de cerca de 13%. Temos aqui mais um fato que coloca o fundo como uma alternativa mais estável ligada ao setor imobiliário e que o torna atrativo para quem tem perfil mais conservador.

Importante: todo FII é de renda variável e, consequentemente, vai ter riscos inerentes (como risco de crédito ou de mercado). Com o KNCR11 não é diferente, mesmo que ele seja percebido por investidores como um FII mais defensivo e menos volátil do que muitos FIIs de tijolo. Antes de investir, tenha certeza de entender essas características.

Qual é a liquidez do KNCR11 na bolsa?

O KNCR11 tem grau de liquidez mais alto do que a maioria dos fundos imobiliários, ou seja, cotistas conseguem comprar e vender cotas no mercado secundário sem grandes dificuldades. Inclusive, o fundo está entre os FIIs mais negociados da B3 e costuma figurar no topo das listas de volume financeiro.

Em dezembro de 2025, por exemplo, o KNCR11 liderou o ranking de negociação entre fundos imobiliários, com volume financeiro total de cerca de R$ 34 milhões naquele mês e uma média diária de aproximadamente R$ 22,84 milhões negociados. Em termos mais simples, é um fundo com compradores e vendedores ativos basicamente todos os dias.

Por falar em movimentações diárias, relatórios gerenciais mensais mais recentes também indicam volumes transacionados na casa de dezenas de milhões por dia: cerca de R$ 13,8 milhões em média diária no mês de outubro de 2025 e aproximadamente R$ 15,27 milhões em novembro de 2025. 

Importante: embora o grau de liquidez do fundo seja alto, seu prazo de liquidação é D+2.  Ou seja, ao vender suas cotas hoje (D), o dinheiro não entra imediatamente na conta, ele é creditado dois dias úteis depois.

Qual é o risco do fundo KNCR11?

Embora o KNCR11 seja um fundo mais controlado do que FIIs de tijolo ou de papel mais agressivos, riscos existem e precisam ser entendidos com clareza. Os principais são:

  • Risco de crédito: o fundo investe em CRIs. Então, existe o risco de o devedor atrasar ou não pagar. No KNCR11, esse risco é mitigado pela alta qualidade de crédito dos emissores e pelo uso de garantias robustas, mas nunca é zero;
  • Risco de juros e indexador: a maior parte dos CRIs do KNCR11 é atrelada ao CDI. Isso faz com que o fundo se beneficie de juros altos, mas também significa que, em ciclos longos de queda da Selic, os rendimentos tendem a diminuir gradualmente;
  • Risco de mercado (oscilação da cota): mesmo sendo um fundo com comportamento próximo da renda fixa, o KNCR11 é negociado em bolsa. Em momentos de estresse, mudança de expectativa de juros ou saída de investidores, a cota pode oscilar para cima ou para baixo, ainda que os ativos internos sigam performando bem;
  • Risco de liquidez: apesar de o KNCR11 ter alta liquidez para padrões de FIIs, ela não é garantida em qualquer cenário. Em dias de mercado mais travado, pode haver um spread maior entre compra e venda;
  • Riscos regulatório e tributário: mudanças nas regras de isenção de imposto sobre dividendos de FIIs ou alterações regulatórias no mercado imobiliário e de crédito podem impactar o fundo. Não é um risco específico do KNCR11, mas estrutural do produto;

Note que, no conjunto, o risco do KNCR11 é predominantemente de crédito e de juros, e não de operação imobiliária ou vacância, como ocorre nos FIIs de tijolo. 

É por isso que ele costuma ser classificado como um fundo de perfil mais conservador dentro da renda variável: investindo nele, você não está imune a oscilações ou mudanças de cenário, mas assume riscos relativamente mais previsíveis, diluídos e, em grande parte, gerenciáveis — desde que o fundo seja usado com a expectativa correta, focada em renda e não em ganho rápido de capital.

Para que tipo de investidor o KNCR11 é mais indicado?

O KNCR11 é mais indicado para investidores que priorizam renda previsível, risco controlado e estabilidade, mesmo aceitando que o investimento esteja dentro da renda variável. Ele costuma fazer mais sentido para quem entende que o foco do fundo não é valorização rápida da cota, mas geração de fluxo mensal consistente, de forma a acompanhar o comportamento dos juros da economia.

Temos aqui um FII que conversa muito bem com o investidor conservador ou conservador-moderado: alguém que sente estar na hora de buscar algo mais eficiente que a renda fixa tradicional, mas ainda não se sente confortável com a volatilidade de ações ou FIIs de tijolo. 

Também é bastante usado por quem está construindo uma carteira de renda, seja para complementar os ganhos mensais, se preparar para a aposentadoria ou criar uma fonte recorrente de caixa. Afinal, lembre-se de que o FII tem histórico de pagamentos frequentes e previsíveis.

O KNCR11 também é adequado para investidores mais experientes que enxergam o FII como uma peça mais defensiva da carteira. Em ciclos de juros elevados, ele costuma funcionar como um amortecedor de volatilidade e a  equilibrar riscos quando outras classes sofrem mais. 

Como investir no KNCR11?

O passo a passo para investir no KNCR11 é o seguinte:

  1. Tenha conta em uma corretora: você também pode usar a plataforma de investimentos do seu banco, se houver uma;
  2. Transfira o dinheiro para a corretora: basta fazer um TED ou Pix da sua conta bancária para a corretora. Também dá pra usar o saldo da conta corrente, caso esteja usando um banco. Nossa dica é que deixe o dinheiro cair com antecedência e evite operar com pressa, especialmente se o mercado estiver mais volátil naquele dia;
  3. Acesse o home broker e busque pelo ticker KNCR11: você vai ver então o preço da cota em tempo real e o volume negociado. Como é um FII bastante líquido, normalmente há compradores e vendedores o tempo todo;
  4. Escolha a quantidade de cotas e o tipo de ordem: FIIs são comprados por cota, e não por valor fechado. Você pode usar uma ordem a mercado (executa pelo preço disponível) ou uma ordem limitada (define o preço máximo que aceita pagar). Para quem investe com calma e foco em renda, a ordem limitada costuma ser a melhor escolha;
  5. Confirme a operação e acompanhe a liquidação (D+2): após enviar a ordem, a compra é fechada na hora se houver contraparte. A liquidação financeira acontece em D+2, ou seja, dois dias úteis depois. A partir daí, as cotas passam a aparecer na sua custódia, e você já poderá receber os próximos rendimentos, desde que esteja posicionado antes da data-com;

Depois de investir, não é nada recomendado conferir todos os dias o preço da cota, ok? O ideal é que você acompanhe os relatórios gerenciais, a qualidade dos CRIs, o nível de risco e a consistência dos dividendos. Afinal, o KNCR11 tende a figurar mais em portfólios de longo prazo.

Recapitulando os pontos mais importantes…

O KNCR11 se destaca entre os fundos imobiliários por funcionar sob uma proposta bem clara: entregar renda recorrente e com baixo nível de volatilidade — tudo isso a partir de uma carteira de CRIs de alta qualidade e majoritariamente atrelados ao CDI. 

É por isso, inclusive, que o comportamento do KNCR11 é bem mais previsível que muitos FIIs de tijolo, ou títulos mais agressivos. 

Ao mesmo tempo, é importante reforçar que, apesar do perfil mais conservador dentro dos FIIs, o KNCR11 não é isento de riscos e não deve ser visto como substituto direto de produtos tradicionais, de renda fixa. 

Ele faz sentido dentro de uma carteira bem estruturada, especialmente para investidores que buscam fluxo de caixa mensal, proteção contra inflação e menor exposição a oscilações bruscas de mercado. Quando usado com estratégia, acompanhamento e alinhamento ao perfil do investidor, o KNCR11 cumpre muito bem seu papel como pilar de estabilidade e renda no portfólio.

Perguntas frequentes sobre KNCR11

Não saia daqui com dúvidas sobre o KNCR11! Respondemos a algumas das perguntas mais frequentes sobre o fundo para te ajudar.

O KNCR11 é um bom investimento?

Depende do objetivo da pessoa investidora. O KNCR11 costuma fazer sentido para quem busca renda mensal previsível, menor volatilidade e exposição indireta aos juros, já que a maior parte da carteira é composta por CRIs atrelados ao CDI. Ele não é um FII de crescimento nem de ganho de capital rápido, mas sim um instrumento de geração de caixa, geralmente usado como parte mais defensiva da carteira de FIIs.

Qual a diferença entre KNCR11 e fundos imobiliários de tijolo?

A diferença central está na fonte de renda. Fundos de tijolo ganham dinheiro com aluguéis de imóveis físicos e dependem de fatores como vacância, renegociação de contratos e valorização dos ativos. Já o KNCR11 é um fundo de papel, então, sua renda vem dos juros pagos pelos CRIs. Inclusive, é por isso que esse fundo é menos sensível a imóveis vazios e mais ligado ao comportamento das taxas de juros e à qualidade do crédito dos devedores.

O KNCR11 sofre com a alta ou queda da Selic?

Sim, e de forma bem direta. Como grande parte dos CRIs do fundo é indexada ao CDI, cenários de Selic mais alta tendem a aumentar os rendimentos distribuídos. Quando a Selic cai, os dividendos costumam diminuir gradualmente. Em compensação, mesmo em ciclos de queda de juros, o fundo tende a manter estabilidade no valor da cota, justamente por ter uma carteira mais defensiva.

Quanto rendem R$ 1 mil no KNCR11?

O rendimento varia mês a mês, então não é possível apontar um valor exato e definitivo. O que você pode considerar para ter uma ideia de retorno é um exemplo: se o fundo estiver distribuindo algo em torno de 0,8% a 1,0% ao mês (valor comum em cenários de juros mais altos), R$ 1 mil investidos renderiam algo entre R$ 8 e R$ 10 por mês em dividendos, isentos de Imposto de Renda.

Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br
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