fev, 2026 Ações

BOVA11: o que é, como funciona e qual é a liquidez?

Thiago Koguchi

Você sabe o que é o Ibovespa? Estamos falando do principal índice da Bolsa brasileira, que serve como um termômetro do desempenho das ações mais negociadas do mercado. Ele reúne empresas grandes e relevantes, e mostra, em média, se o mercado de ações no Brasil está subindo ou caindo. 

Agora, imagine investir em um ETF atrelado ao Ibovespa. Parece boa ideia? Esse é o caso do BOVA11, considerado por muitas pessoas uma boa porta de entrada para a renda variável. 

Porém, antes de cogitar investir nesse produto financeiro, é importante que você compreenda como ele funciona, suas vantagens e seus riscos. Por isso, recomendamos que siga conosco na leitura e descubra:

  • O que é o BOVA11?
  • Como o BOVA11 funciona?
  • Quais empresas fazem parte do BOVA11?
  • Qual é a liquidez do BOVA11?
  • Qual é a taxa de administração do BOVA11?
  • BOVA11 paga dividendos?
  • Qual a diferença entre BOVA11, BOVV11 e DIVO11?
  • BOVA11 é indicado para investidores iniciantes?
  • Como investir no BOVA11?

Vamos lá?

O que é o BOVA11?

O BOVA11 é um ETF, isto é, um fundo de investimento negociado na Bolsa. O seu objetivo é o seguinte: acompanhar o Ibovespa, que é o índice que reúne as ações das maiores e mais negociadas empresas do Brasil. 

Aqui, segue-se a lógica: se o índice sobe, o BOVA11 tende a subir junto; se cai, o movimento costuma ser o mesmo.

Quando você compra uma cota de BOVA11, é como se estivesse comprando uma “fatia” desse índice inteiro, tudo de uma vez. Ou seja, está investindo simultaneamente em dezenas de empresas importantes a nível nacional, tais como:

  • Bancos;
  • Empresas de energia;
  • Mineração;
  • Varejo.

Vale lembrar que o BOVA11 é um investimento de renda variável, por isso, oscila no dia a dia e não tem garantia de retorno. Em troca, porém, oferece aos investidores uma maneira prática de levar diversificação para o portfólio e acompanhar o desempenho geral da Bolsa brasileira.

Como o BOVA11 funciona?

O BOVA11 funciona como um “espelho” do Ibovespa. O fundo é montado para replicar a carteira do principal índice da Bolsa brasileira, da maneira mais fiel possível. Isso quer dizer que ele compra as mesmas ações que fazem parte do Ibovespa e nas mesmas proporções. Assim, se uma empresa tem mais peso no índice, ela também tem mais peso dentro do BOVA11.

Quando o Ibovespa sobe porque as ações dessas empresas se valorizam, o valor da cota do BOVA11 tende a subir junto. Se o índice cai, o fundo acompanha esse movimento. 

Inclusive, não existe tentativa de escolher as “melhores ações” ou de prever o mercado: a lógica é simplesmente seguir o índice. A esse modelo damos o nome de gestão passiva, justamente porque o fundo não tenta bater o mercado, apenas reproduzi-lo.

Para quem investe, isso se reflete de forma bem simples no dia a dia. Você compra cotas do BOVA11 pela Bolsa, como se fosse uma ação, e o preço dessas cotas varia ao longo do pregão conforme o Ibovespa oscila — o funcionamento clássico da renda variável. 

Assim, em vez de acompanhar dezenas de empresas individualmente, você apenas acompanha o desempenho do índice como um todo, sabendo que o seu investimento está andando praticamente no mesmo ritmo da Bolsa brasileira.

Quais empresas fazem parte do BOVA11?

O BOVA11 reúne as principais empresas negociadas na Bolsa brasileira. Como ele replica o Ibovespa, é composto pelas ações mais relevantes e mais negociadas do mercado. 

Entre as maiores e mais importantes empresas que costumam ter peso relevante no BOVA11, estão, por exemplo:

  • Vale (mineração);
  • Petrobras (energia e petróleo);
  • Itaú Unibanco (banco);
  • Bradesco (banco);
  • Banco do Brasil (banco);
  • Ambev (consumo);
  • B3 (infraestrutura do mercado financeiro);
  • Eletrobras (energia elétrica).

Perceba que, ao investir no BOVA11, você está se expondo a uma fatia bem representativa da economia do Brasil, passando por diferentes setores, como bancos, energia, mineração, consumo e indústria, com empresas que com certeza você tem ouvido falar sobre a vida toda.

Aliás, essas empresas fazem parte do portfólio do ETF porque têm grande volume de negociação e alto valor de mercado, critérios usados pelo Ibovespa para definir quem entra ou sai do índice. Afinal, essa composição não é fixa: ela passa por revisões periódicas, e o BOVA11 se ajusta automaticamente a essas mudanças. 

Qual é a liquidez do BOVA11?

A liquidez do BOVA11 é alta. Afinal, trata-se de um ETF negociado diretamente na Bolsa, com um volume diário de compras e vendas bem grande. Para você, isso significa que consegue entrar e sair do investimento com facilidade, sem precisar esperar prazos longos ou enfrentar dificuldade para vender.

Isso acontece porque, embora o BOVA11 seja um ETF, ele basicamente funciona como uma ação: você compra e vende cotas pelo home broker, durante o horário do pregão. Não existe pedido de resgate nem espera de dias para o dinheiro cair, como ocorre em alguns fundos tradicionais. A negociação é direta no mercado.

E caso você não saiba: a liquidez, nesse contexto, é justamente essa facilidade de transformar o investimento em dinheiro, ou seja, de vender suas cotas se eventualmente o desejar. 

Como o BOVA11 está entre os ETFs mais negociados da Bolsa brasileira, normalmente há compradores e vendedores o tempo todo. Assim, quando você decide vender, a ordem tende a ser executada rapidamente e por um preço muito próximo ao valor de mercado.

Importante: como acontece com muitos ativos negociados na Bolsa, o dinheiro da venda do ETF aparece na sua conta dois dias úteis após a negociação – o chamado D+2.

Qual é a taxa de administração do BOVA11?

A taxa de administração do BOVA11 é 0,10% ao ano sobre o patrimônio do fundo. Essa porcentagem já inclui o custo que o fundo cobra para gerir e manter as cotas, e é cobrada automaticamente ao longo do tempo — não é preciso pagar nada à parte, o valor reflete no próprio valor da cota.

Para você entender os efeitos da taxa, veja esse exemplo: suponha que você invista R$ 10 mil no BOVA11 e, em um ano, o Ibovespa suba 10%

Sem taxa nenhuma, seu investimento iria para R$ 11 mil. Com a taxa de administração de 0,10% ao ano, o custo seria de cerca de R$ 10 nesse período. Então, em vez de terminar o ano com R$ 11 mil, você ficaria com algo próximo de R$ 10.990.

Inclusive, essa taxa é considerada baixa para um ETF que replica o principal índice de ações brasileiro, especialmente se comparada a outros fundos de ações mais ativos ou mais caros no mercado. 

BOVA11 paga dividendos?

Sim, o BOVA11 paga dividendos, mas não da maneira tradicional como acontece com ações.

O BOVA11 é um ETF que replica o Ibovespa, e dentro desse índice existem ações de empresas que pagam dividendos e proventos. Esses proventos, por sua vez, são computados no próprio valor da cota ao longo do tempo, em vez de serem distribuídos em forma de pagamento em dinheiro ao cotista, como acontece em alguns outros ETFs (os que pagam rendimento periodicamente, por exemplo).

Dessa maneira, você não recebe um “boleto” de dividendos na sua conta bancária ao investir no BOVA11. Em vez disso, o efeito dos dividendos é refletido no preço da cota, já que eles são incorporados ao valor do fundo. 

Inclusive, isso torna o BOVA11 um bom veículo para acompanhar o desempenho total do Ibovespa, sem necessariamente se preocupar com as datas de pagamento de proventos, já que seu ganho vai estar embutido no próprio movimento da cota.

Qual a diferença entre BOVA11, BOVV11 e DIVO11?

A diferença entre BOVA11, BOVV11 e DIVO11 está no índice que cada um acompanha e na estratégia por trás do investimento. Ou seja: todos são ETFs de renda variável, mas oferecem exposições distintas ao mercado e atendem a objetivos diferentes dentro de uma carteira.

Veja só o que define cada um:

  • BOVA11: ETF que replica o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, com empresas de grande porte e alta liquidez. Sua estratégia é acompanhar o desempenho médio do mercado de ações do Brasil, sem foco em um tipo específico de ação ou estratégia. Por isso é um dos ETFs mais negociados da B3;
  • BOVV11: também acompanha o Ibovespa, mas com uma estrutura um pouco mais eficiente. A principal diferença está na forma de gestão e na taxa de administração, que costuma ser menor, o que pode gerar um resultado ligeiramente melhor no longo prazo. No dia a dia, o comportamento é muito parecido com o do BOVA11;
  • DIVO11: segue um índice diferente, chamado IDIV (Índice Dividendos), que é composto por ações de empresas que historicamente se destacam pelo pagamento de dividendos. Ele não busca representar o mercado inteiro, e sim um perfil mais voltado à geração de renda. Por isso, pode ter um desempenho diferente do Ibovespa em vários momentos.

No fim, a escolha entre BOVA11, BOVV11 e DIVO11 não é sobre “qual é melhor”, mas sobre o tipo de retorno que você espera e como pretende usar estrategicamente esse ETF dentro da carteira

O BOVA11 costuma fazer mais sentido para quem quer acompanhar o mercado brasileiro de forma mais direta, aceitando as oscilações do Ibovespa como elas são. Ele costuma ser comum em carteiras de quem busca crescimento de longo prazo e não tem nenhum foco específico em renda ou eficiência extrema de custos.

Passando agora para o BOVV11, este atende a um perfil bem parecido, mas é mais adequado para quem já olha com atenção para detalhes como taxa de administração e impacto de custos ao longo dos anos. Para quem investe pensando em horizontes mais longos e aportes recorrentes, essa diferença tende a pesar mais. 

Já o DIVO11 se encaixa melhor em estratégias que priorizam fluxo de renda, previsibilidade e empresas mais consolidadas, mesmo que isso signifique se afastar do desempenho médio do mercado. 

BOVA11 é indicado para investidores iniciantes?

O BOVA11 até pode ser indicado para investidores iniciantes, desde que a pessoa entenda bem onde está entrando e com qual objetivo. Afinal, ele é um ETF que replica o Ibovespa, então acaba sendo uma forma de começar na Bolsa de maneira mais simples, diversificada e com pouco capital, sem precisar escolher ações nem acompanhar balanços de empresas individualmente.

Ainda assim, vale lembrar que o BOVA11 não é um investimento conservador. Então, naturalmente vai oscilar bastante, pode cair por longos períodos e não oferece previsibilidade de retorno no curto prazo.

Se você é iniciante nos investimentos, precisa ter em mente que esse ETF não deve ser confundido com renda fixa, nem usado para objetivos de curto prazo, ou quando você acha que vai precisar do dinheiro em breve. Sem esse entendimento, as chances de frustração (ou de vender suas cotas em um momento desfavorável) são altas.

Em resumo, temos aqui uma alternativa de investimento que pode fazer bastante sentido para quem está começando na renda variável, pensando no longo prazo e dentro de uma carteira já equilibrada. 

Se você se enquadra nesse perfil, então o BOVA11 pode ser ser um veículo para te ajudar a entender na prática o funcionamento do mercado e a ganhar disciplina investindo. Mas lembre-se: é importante que esse tipo de aplicação seja acompanhada de uma reserva de emergência e uma fatia do portfólio voltada para a renda fixa, para fins de segurança.

Importante: essa não é uma recomendação de investimento, ok? O conteúdo deste artigo serve somente para esclarecer as particularidades do BOVA11 e te ajudar a tomar decisões mais informadas na hora de administrar o seu portfólio.

Como investir no BOVA11?

Para investir no BOVA11, basta seguir um processo que é bem parecido com o de comprar uma ação comum na Bolsa. Veja só o passo a passo:

  1. Tenha conta em uma corretora de valores: escolha uma corretora habilitada na B3 e abra sua conta. Hoje, a maioria não cobra taxa para abertura nem manutenção. Você também pode usar a plataforma de investimentos do seu banco, se houver;
  2. Transfira o dinheiro para a corretora: faça um PIX ou TED da sua conta bancária para a corretora. O valor mínimo é o preço de 1 cota do BOVA11, mais as taxas envolvidas. Se investir por meio de um banco, pode usar o saldo da sua conta corrente;
  3. Acesse o home broker: no sistema de negociação da corretora ou da plataforma de investimentos (site ou app), vá até o ambiente de compra e venda de ativos. O BOVA11 estará na categoria de “renda variável”;
  4. Procure pelo ticker do ETF: digite BOVA11 na busca, assim como faria com uma ação. Confira o preço da cota no momento antes de comprar suas cotas;
  5. Escolha o tipo de ordem: nas ordens a mercado, você compra pelo preço disponível no momento. Em ordens limitadas, define o preço máximo que aceita pagar;
  6. Confirme a compra: por fim, é só revisar os dados e enviar a ordem. Se houver vendedor no preço definido, a compra é executada.

Depois disso, é possível acompanhar o desempenho das suas cotas pelo extrato que o banco ou corretora te envia periodicamente. Inclusive, vale lembrar que as cotas vão aparecer sob sua custódia em até dois dias úteis (D+2).

Recapitulando os pontos mais importantes…

O BOVA11 é uma forma simples e eficiente de investir nas principais empresas da Bolsa brasileira em um único ativo, especialmente para quem está querendo começar a se aventurar na renda variável

Ele resolve, de uma vez só, a dificuldade de escolher ações individuais, acompanhar balanços e decidir quando comprar ou vender cada empresa. Ao comprar BOVA11, você aceita acompanhar o desempenho do Ibovespa — com suas altas e quedas —, sabendo exatamente no que está investindo e qual é a lógica por trás do resultado.

No entanto, assim como já é típico da renda variável, é importante que você tenha clareza de que o BOVA11 não é um investimento neutro ou sem risco. Ele oscila, pode passar por períodos longos de baixa e não gera renda periódica como dividendos diretos. Por isso, costuma fazer mais sentido para quem pensa no médio e longo prazo, entende a dinâmica da renda variável e quer exposição ao mercado acionário brasileiro de forma prática, transparente e com custo baixo.

Bacharel em Jornalismo e pós-graduado em Linguagem, Cultura e Mídia pela Unesp. É colaborador da Upside Newsletter e do Investimentos.com.br
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